sexta-feira, 19 de março de 2021

TRANSITORIEDADE


 

             Os momentos felizes

             São como meteoros

             Em fugazes declives.

 

              Nos dias silentes

              Meu pensar aflora

              As lembranças calientes

 

              Os sonhos, porém,

              Prenunciam as glórias

              Do incógnito além.

 

              Tudo na vida

               É tão transitório:

               Um arrastar de nostalgia!

 

                Cala minha voz

                Meu olhar implora

                Sob estrutura algoz.

 

                 Resta a esperança

                 Um cantar revigora

                 As doces lembranças.

 


                              Antenor Rosalino

 

sábado, 6 de março de 2021

ESCREVIVÊNCIA

  A homenagem abaixo eu a fiz em 2011 ao

Grupo Escrevivência, o qual, tinha por objetivo

resgatar experiências vividas por pessoas com

idade acima de 60 anos. 


 


                    ESCREVIVÊNCIA

 

         No afã de resgatar situações e circunstâncias

         Que deixaram legados nostálgicos e inesquecíveis

         De um tempo passado e não superado,

         Transcrevemos, unidos numa ágape

         Da mais cândida ternura, os aclives e declives

         Das décadas que marcaram a nossa existência.

 

         E assim, em unicidade de pensamentos

         - como em fervorosa prece -,

         Escrevemos as experiências vividas

         Nas primaveras infantis, nos jardins de encanto

         Dos sonhos da mocidade e no prelúdio do outono

         De nossas vidas iguais!

 

         Escrevivência é a herança de momentos

         Que fazem os olhos marejarem e, por vezes,

         O pranto oculto transborda

         Ostentando lágrimas rutilantes

         Das névoas de um passado feliz

         Ou que nos fez chorar no enfrentamento

         De lôbregas realidades...

 

         Distante de vaidades banais da efêmera existência,

         Sem preconceitos e com a alma leve e plena,

         Sentimos a beleza da vida e sonhos ao léu...

         E seguimos escrevendo com humildade de sentimentos,

         Os sonhos que sonhamos no plenilúnio

         E no alvor de cada uma de nossas manhãs de sol.

 

                                       Antenor Rosalino

 

 

 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

ODALISCA


       

 

        No tempo fatídico da escravatura inútil,

        Quando estrelas fitavam tristonhas senzalas,

         Requebravas seus dotes de moça bonita

         Sob os olhos vorazes do sultão no harém!

 

         Como  flor entre espinhos balançando no ar,

         Deixaste no tempo em silente insuflar

         O legado supremo do saber infinito:

         “Ocultar o sofrer com sorriso no olhar”.

 

          Seu rosto brilhava nos traços perfeitos

          Emitindo aspectos de raios de luz!

           Na escultura do corpo onde olhares pousavam,

           E encantados ficavam pelo ardor sensual!

 

           Senti-as na pele enquanto dançavas,

           O martírio de outros escravos irmãos

           Padecendo torturas nas duras falésias,

           Sob açoites ferozes em seu crepitar.

 

            Porém, nesta vida, como tudo se esvai,

            Deixou este mundo a pobre puela.

            Entre solfejos divinos e lampejos de luz

            Olvidando os insultos, com Deus foi morar!

 

             Hoje distante de impiedosos terráqueos,

             Juntando-se à plêiade de escravos fiéis

             - em sonhos felizes sem dor a ocultar -,

             Desfruta os tributos dos anjos dos céus.

 

 

                                   Antenor Rosalino

 

 

 

 


 

 

 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

DESILUSÃO

 


Houve um tempo já distante

Em que os tristes olhos meus

Perdia-se na distância infinda

Da ilusão dos olhos seus.

 

Vestia-se de doce esperança

Com brilhos angelicais,

Cintilando a mesma calma

Do azul do imenso céu!

 

Não via as púrpuras rosas

A natureza enfeitar,

Nem as águas em cascatas...

Só via o seu meigo olhar!

 

Não ouvia o cantar festivo

De acrobáticos rouxinóis...

Somente sua voz ressoava

 Nas paredes boreais.

 

Quando, afinal, meu olhar

Desencantado perdia o brilho,

Soubera que um trágico acidente

Ceifara sua visão para sempre.

 

Desde então o amargor

Da menina dos olhos seus,

Ensandeceu de tristeza

O menino dos olhos meus.

 

 

                     Antenor Rosalino 


domingo, 24 de janeiro de 2021

VERSOS SEGREDADOS

    

     


     Na primavera dos meus sonhos, 

     eu a encontrei sorridente num jardim,

     confundindo os seus encantos

     com róseas pétalas e jasmins.


      Os raios dourados do sol

      banhavam o caracol de suas mechas

      que reluziam fosforescentes,

      refletindo em seu olhar

      as indizíveis matizes

      de um grande amor em primícia.


       Entre o bálsamo das flores

       ofertei-lhe com carinho:

       trovas, estrofes de amor

        e versos alexandrinos...


         Nada, porém, foi bastante,

         para conquistar seu amor,

         e assim, procurei olvidar

         a timidez da recusa

         de seus lábios carmesins.


          Não sei se guardara na alma

          aqueles versos fagueiros que

          ao pôr do sol dediquei-lhe;

          sei, porém, que ela os relia,

          abraçava-os e sorria

          quando um dia a reencontrei.


                     Antenor Rosalino



sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

OFERENDA

    


       
 

        Na suave amplidão do anoitecer

        Vejo tua face espelhar

        Os últimos raios de sol

        E a noite em teu olhar!

 

        Quisera entre afagos calientes

        Dizer-te em maior dimensão

        Usando a língua dos anjos:

         Lindas frases em oração.

 

          A brisa brinca em teu rosto

          E me impulsiona a buscar,

          No magnânimo infinito,

          Os anéis de Saturno e te ofertar!

 

           Nesta oferenda divina,

           Sob as estrelas do céu,

           Seremos neons a vagar

           Livres, soltos ao léu!

 

            Neste véu de delírio e comoção

            Tomo-te as mãos num suspiro

             E com lágrimas nos olhos

             Oferto-te apenas o meu pobre coração.

 

 

                              Antenor Rosalino

sábado, 26 de dezembro de 2020

ANO NOVO


Enuncia-se o Ano Novo!

Emergem-se renovados sentimentos

edificados e depurados

em nova construção mental.

 

Renascemos imensamente,

quando, em silêncio,

as nossas almas em prece,

cantam doces canções de amor!

 

Toda a sorte de velhos e

obscuros sentimentos de tristeza,

do incômodo nublado das nuvens

das  chibatas do vento,

 

E todas as contas

do rosário da memória

são, lentamente, repassados,

enquanto a indizível poesia da vida

 inunda a Terra de estranha felicidade!

 

 As profundas fontes da memória

 cicatrizam as chagas,

 envoltas pela passiva atitude

 que vem dos céus,

 e nossas mãos em cálidos abraços,

 acolhem a dádiva do Ano Bom.

 

                          Antenor Rosalino