sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

NATUREZA MORTA


    Na quietude mórbida da cidade grande,

    Vislumbro uma sensação estranha

    De um céu esgotado por névoas difusas,

    E um nevoeiro úmido permeia

    Os contornos do dia pálido,

    Fatigado de si mesmo.

 

    Muitas janelas fechadas remetem a olhares

    Cansados e sonolentos,

    Como a prenunciar a velhice e seu corolário

    Inevitável de cansaço e solidão.

 

     Tudo se faz cinéreo e triste!

     Nem mesmo o balançar das árvores frondosas

     Trazem perfis de harmonia.

      E os passarinhos tristonhos alçam voos

      Em bandos, à busca do aconchego

      De seus frouxeis de ninhos.

 

      Os meus olhos procuram clarear

      Esquinas escuras,

      Enquanto a mente vagueia

      Buscando esculpir,

      Com poesia universal, os fragmentos

      Sublimes do encantamento dial.

 

                          Antenor Rosalino