sexta-feira, 14 de junho de 2024

PRIMÍCIAS DO AMOR


De repente:

Um olhar e um sorriso

Na rósea face do rosto tímido.

 

Uma palavra singela

Num longo aperto de mãos.

Um convite!

 

Um dia de sol à espera

Da noite enluarada e bela.

 

O momento do encontro:

Corações em descompasso

Tocam-se os corpos num abraço.

 

Um local afrodisíaco...

Um drink à meia luz!

 

Olhares apaixonados!

Carícias preliminares...

Prenúncio de um grande amor.

 

Surge com o tempo que voa:

Um quê de necessidade

De renovação da fidelidade

Na saúde e na doença;

Na alegria e na dor.

 

Há certas complexidades no amor.

 

 

              Antenor Rosalino

sexta-feira, 31 de maio de 2024

TEMPORAL

                  

                                  

                                    

O dia sursgiu ostentando um céu cinéreo e triste.

 Através de procissões de vidraças, olhares perscrutadores fitam amedrontados a força intempestiva do vento inclinando e até derrubando frondosas árvores, enquanto gigantescos rodamoinhos se unem em espirais de poeira, impedindo a livre movimentação corriqueira dos transeuntes em seu cotidiano.

  As centelhas luminosas dos raios aumentam sempre mais o fulgor, como a prenunciar algo ainda mais devastador.

  Após o prenúncio desolador, a chuva cai! O seu fluxo aumenta sempre mais, na mesma proporção da ventania que se alastra arrastando penachos pelo negro e deslizante asfalto, agora transfigurado pela terra avermelhada e pelas folhas e flores mortas caídas em abandono e deslizando em aclives e declives para alojar-se principalmente e de forma mais intensa e consistente, em tubulações e bueiros, sobrecarregando-os e causando entupimentos e desvios do fluxo das águas, aumentando assim as preocupantes inundações e impedindo o trânsito dos veículos que formam filas intermináveis de congestionamentos, impossibilitando a freqüência normal dos estudantes às suas escolas e diminuindo sensivelmente as compras e vendas comerciais.

  A cidade vive um dia de caos. As águas torrenciais caem em profusão, sem tréguas e parece não ter fim. Os bairros periféricos são castigados impiedosamente e as pessoas transtornadas e apreensivas presenciam a tudo, sem nada poder fazer. Os corações aflitos aceleram o seu pulsar, temerosos de que algo possa acontecer com suas frágeis moradias e se apegam em sua fé inabalável, buscando a proteção dos céus para que nada de mais grave venha a ocorrer em suas vivências de desamparo e sacrifícios.

 Aterrorizados pelo cenário desolador, os suburbanos observam, vez por outra, a luminosidade dos raios sempre seguidos pelos estrondos ameaçadores dos trovões. As crianças assustadas perdem a vivacidade e o desejo de brincar; os pássaros afugentam-se em seus ninhos... Nas encostas dos morros a terra desliza e os torrões descem ladeira abaixo, arrancando árvores, destruindo plantações e desmoronando até mesmo alguns casebres que insistem em continuar pendurados nos morros, como a pedir socorro aos céus pela desventura dos pobres moradores.

  Assim como a fúria das enxurradas, o dia passa disseminando apreensões, aventando incertezas e aprofundando reflexões e questionamentos sobre a preservação ambiental que urge como nunca. E nesta aflição e temeridade, as pessoas se unem em prece, na esperança de que uma mão benigna e invisível abafe o vento intempestivo e, como numa divisão de mundos, as cortinas da noite tragam a paz desejada a todos os corações e um novo dia de sol devolva o rito harmonioso e contínuo da vida no seu apogeu maior.


                                                                  Antenor Rosalino 

sábado, 18 de maio de 2024

O SAPO

                                    

                                

À beira da estreita rua de terra umedecida pela chuva torrencial que lhe assolara, deleitava-se quieto, muito quieto, solitário sapo, sem imaginar o suplício do futuro a espreitar lhe.

  Seus grandes e vívidos olhos tinham luzes de pirilampos e brilhavam ainda mais, ao entreolhar curiosos garotos a lhe rodear.

  De repente: a tragédia! Os meninos lançaram lhe pesadas pedras e a cada pedra lançada, um salto a mais do pobre sapo, em sua  angustiante tentativa de desvencilhar-se da emboscada crucial.

  Esforços vãos: não suportando a intensa crueldade, pouco a pouco vai perdendo as forças e desfalece, enfim, numa poça d’água, lançando ainda um último olhar estupefato aos pequenos vândalos,como a entender e a perdoá-los.

    Ó Pobre sapo! Sua voz não é ouvida, mas o seu silêncio transmutará em dolente silvo de clamor, que ressoará por longo tempo na consciência dos garotos, fazendo-os repensar em profusão, sobre a tortura que lhe impuseram; e verão ainda, o  desabrochar de flores, no lugar do suplício de tão dolorosas pedras.

 

                                               Antenor Rosalino

 

 

segunda-feira, 6 de maio de 2024

FLAGELO

 

  

 

  Aqui fico profundamente compadecido e solidário com todos

os gaúchos no enfrentamento das terríveis tragédias sem

tréguas, causadas pelas chuvas torrenciais nunca vistas em

tão grande proporção, causando estarrecedores sofrimentos

e até mortes num cenário de doer o coração, no sul do país.

  Faço coro com a fervorosa corrente de orações de todos os

brasileiros para que tudo volte à normalidade o mais breve possível

e que Deus dê o conforto necessário às famílias que perderam seus

entes queridos.

 

   Profunda paz!


 

                                              Antenor Rosalino

 

terça-feira, 23 de abril de 2024

ANALOGISMO




Na colorida manhã primaveril

Reluz o sol em terra e mar.

No aconchego dos meus sonhos

Brilha a luz do teu olhar!

 

Sob o azul do imenso céu

Os campos belos...,  floridos!

Sob o teto em nosso lar

Algo etéreo a nos pairar.

 

Lá fora os dias são lindos

Mas pode o tempo mudar.

Cá dentro tudo é bonito,

Mas também pode transmudar.

 

Tudo passa nesta vida:

Flores, plantas, animais...

Só o  encanto do  amor

Não passará jamais!

 

Os passarinhos felizes

Entoam hinos de paz.

Nossa música tem fetiche

E vislumbra como o mar.

 

Os animais e as avezinhas

Se procuram sem cessar.

Meu olhar ardente e inquieto

Busca insano o teu olhar.

 

Nesta analogia poética

Fico perplexo e concluo:

Tudo é perfeito e divino

Dentro e fora do meu lar.

 

                  Antenor Rosalino

terça-feira, 9 de abril de 2024

REVELAÇÃO


O crepúsculo do entardecer,

Na orla azul do mar,

Banhava o teu corpo esbelto,

Enquanto as ondas brincavam

Com teu inocente olhar.

 

Neste instante de acalento

Na bela tarde rosicler,

Registrei em linda foto:

Teus encantos de mulher.

 

Percebendo o meu intento

Ao fitar-te, diversivo,

Teu rosto iluminou-se

Na ternura de um sorriso.

 

Foi então que percebi,

No fascínio deste olhar,

Um milagre de amor:

Estás apaixonada por mim,

Que nunca ousei confessar-te,

Mas morro de amor por ti.

 

 

                 Antenor Rosalino

quinta-feira, 28 de março de 2024

A VOZ DO CORAÇÃO

 

 

Nos momentos aflitivos,

quando a alma sôfrega

aventa no labirinto dos pensamentos

as lágrimas de dor,

uma voz se faz ouvir:

é a voz do coração

- refrigério súplice das

profundezas do nosso âmago -,

que ecoa em transcendente bênção divina,

insurgindo corolários de um destino

que induz ao enternecimento vívido

da ternura de um frouxel de ninho.

Essa voz, quando ouvida,

transmuda as chagas em cicatrizes

e o exaspero do pranto e da saudade

em lágrimas vindouras de esperança

na inovação da felicidade

esquecida e postergada.

 

                     Antenor Rosalino