sábado, 1 de agosto de 2026

O CREPÚSCULO DA VIDA


                                                          


 

A voz quase sempre ausente e rouca

Murmura palavras em monossílabas

Lentas, tristonhas,

Buscando em desalento

O carinho dos entes queridos

À sua ansiedade louca.

 

Ânsia de melhor ouvir,

Sentir e sonhar

Novamente os encantos

Das quimeras e lembranças

Tão nítidas em seu olhar.

 

Suas mãos cansadas e trêmulas,

Pousam sobre o encosto

Da velha cadeira vermelha,

O mesmo vermelho a confundir-se

Vez por outra,

Com a luz do seu olhar

A marejar!

 

As emoções do presente

Não trazem como outrora

A alegria, o esplendor do porvir

E suas vertentes;

Apenas lembranças, ternas lembranças

De um risonho amanhecer...

De tão longínqua aurora.

 

Seu caminhar é lento, indeciso.

O seu sorriso é brando

Entre as rugas a se untar,

Mas a serenidade é vívida

Tal qual, a suavidade do seu olhar.

 

Depusera dos sonhos e da ilusão

Para viver, enfim,

A indizível quietude

Da vida em refração.

 

 

                                                                               Antenor Rosalino


sábado, 18 de julho de 2026

PRIMEIROS PASSOS

 

           


                      A mãezinha paciente,

                      ilumina a rósea face

                      na alegria de um sorriso;

                      abre os seus braços de égide,

                      e ensina os primeiros passos

                      ao seu amado filho,

 

                      A criancinha bambeia

                      e logo vem a primeira queda!

                      Numa segunda tentativa:

                      outra queda!

                      Na terceira: uma queda a mais,

                      porém, já com certo equilíbrio...

 

                      Vem a quarta experiência:

                      as perninhas se equilibram

                      e, mesmo bem desengonçado,

                      ostentando ardente brilho

                      no rostinho angelical,

 

                      Vem com passos cambaleantes

                      à mamãezinha abraçar,

                      e esta o recebe emotiva,

                      tendo no seu rosto vívido

                      uma lágrima a rolar.

 

      

                                        Antenor Rosalino

sexta-feira, 3 de julho de 2026

TERREMOTO

Homenagem póstuma às vítimas

do terremoto na Venezuela


 

 

 

    O terremoto em larga escala

    Muda o cenário da geografia

    Balança estruturas e arrasta

    O prantear da nostalgia.

 

    O dia cinza é a lente das vistas

    Que entre suspiros e lágrimas

    As essências escondidas

    Avultam sonhares sem asas.

 

    Toda a Venezuela treme em sombras

    E obscurece as arestas da alma

    Enquanto alastram penumbras

    À guisa de ventos que a as afagam.

 

    A liberação repentina da energia

    Acumulada na crosta terrestre

    Gera o movimento de placas sombrias

    Desata pétalas e vidas no pó perecem.

 

 

                          Antenor Rosalino

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

ALVORADA

 

                     

 

                          O amor renasce a cada dia,

                          No eflúvio encantador

                          De o risonho amanhecer.

 

                          A fragrância de cada flor

                          Acaricia a terra, turbas e falésias

                          Em fulgurante esplendor.

 

                          Meu coração radiante,

                          Rejuvenesce o pulsar

                          Em uníssona sincronia

                          Com os pássaros a enevoarem

 

                          Nesses momentos de luz,

                          Vejo a vida se espelhar

                          Em cada pétala em flor,

                          No fascínio de cada olhar.

 

                          A última estrela se esconde

                          Por trás dos raios de sol,

                          E nova magia acontece

                          Quando pousa sob o mar.

 

 

                                             Antenor Rosalino

sexta-feira, 5 de junho de 2026

CICATRIZES


As cicatrizes do amargor

Refletidas em teu sorriso

Trouxeram melancolia

E mágoa ao meu olhar.

 

Sinto que o tempo passado

De quimeras represadas,

Nunca fora superado.

 

Como uma noite sem prado,

Permeia entre nós um vácuo

E abissais cálidos de lágrimas.

 

Seguimos na angustura

- Caminhando lado a lado -,

Carregando entre suspiros

As quimeras maculadas.

 

Trago, porém, a ternura

Nas marcas da longa espera,

Em esperança de um dia

Ver brotar nas cicatrizes

 

As raízes suprimidas

Do meu amor refletido

Nas minhas palavras perdidas.

 

 

                  Antenor Rosalino

sexta-feira, 22 de maio de 2026

FLORESCÊNCIA URBANA

 

   

 

              Na seara de um solo fértil,

              Existe uma cidade arvense,

              Acolhedora, aplainada na plenitude

              Da preciosidade de régias edificações,

              Sombreando vastas avenidas espraiadas.

 

              Emoldurada pelas ramificações

              Verdejantes de suas antigas matas,

              Mescla o verde com a modernidade

              Escultural do concreto armado,

              Trazendo saudades em ápices de progresso.

 

              Esta cidade é Araçatuba:

              Do alvorecer risonho iluminando a brisa,

              Das douradas tardes de sol,

              Da poesia das noites de luz

              E sonhos estelares...

 

              Esplandecendo magia paradisíaca

              Num lânguido e suave enternecer,

              Abre seus horizontes para o céu,

              Perpetuando quimeras e olor

              Com festivos tons de calor.

 


                               Antenor Rosalino

sexta-feira, 8 de maio de 2026

PERFÍDIAS


  


Não posso calar-me ou suprimir

Um ato de neurastenia, ao constatar 

Nas multidões pusilânimes,

O coro dos injustiçados,

Os suspiros de elegia

Ante as faltas de justiça

E de julgamentos equânimes.

 

São profundos sentimentos 

De prostração e melancolia

Ao atestar-se as barbáries

Crescentes a cada dia,

 

Advindas dos privilegiados,

Abastados de hipocrisias,

Ou daqueles cujas vidas 

Retratam apenas perfídias.

 

Proliferam-se os atos corruptos...

As instituições se enfraquecem,

Enquanto o respeito humano

Pouco a pouco desvanece.

 

 O vandalismo atuante

 Das facções de sandice

 Anulam os poucos espaços

 Da beleza urbana restante,

 Enquanto os donos das guerras

 Aumentam suas girices.

 

 

                      Antenor Rosalino