sábado, 26 de dezembro de 2020

ANO NOVO


Enuncia-se o Ano Novo!

Emergem-se renovados sentimentos

edificados e depurados

em nova construção mental.

 

Renascemos imensamente,

quando, em silêncio,

as nossas almas em prece,

cantam doces canções de amor!

 

Toda a sorte de velhos e

obscuros sentimentos de tristeza,

do incômodo nublado das nuvens

das  chibatas do vento,

 

E todas as contas

do rosário da memória

são, lentamente, repassados,

enquanto a indizível poesia da vida

 inunda a Terra de estranha felicidade!

 

 As profundas fontes da memória

 cicatrizam as chagas,

 envoltas pela passiva atitude

 que vem dos céus,

 e nossas mãos em cálidos abraços,

 acolhem a dádiva do Ano Bom.

 

                          Antenor Rosalino

 


sábado, 12 de dezembro de 2020

FILÓSOFOS E POETAS

     


Há séculos, a humanidade saboreia os frutos

dos sábios conhecimentos filosóficos,

ao mesmo tempo em que se encanta, comovida,

com os sonhos da admirável percepção poética.

 

É notória, porém, a dessemelhança de

idealismo entre o filósofo e o poeta:

o filósofo debruça-se, inquieto, em sua

irrestrita racionalidade, enquanto o

poeta inclina-se, cada vez mais, em sua

sina de enfeitar a vivência terrena.

 

O filósofo busca respostas para a existência

do ser e do Universo. O poeta, por sua vez,

delicia-se com o rito da natureza muda,

e vê o mundo num grão de areia!

 

O filósofo interroga, questiona e polemiza

na angústia do nada, no afã de encontrar

motivos para a existência de tudo.

 

O poeta sonha um supra mundo perfeito,

desfolhando até mesmo das flores mortas,

belos poemas no fluir de seus belos dias!

 

Ambos, porém, seguem seus destinos

com olhares perscrutadores em linhas

paralelas e assim, maravilhados pelo

perfeccionismo da natureza, cada qual

morre com sua certeza

rumo ao eterno da incerteza.

 

                                    Antenor Rosalino

 


sábado, 21 de novembro de 2020

O SILÊNCIO DO AMOR




O amor surge na Terra com essência

de ternura sob diversos aspectos.

É paciente, como o olhar materno,

a acalentar o frágil filho

 no seu colo de açucena!

 

Não se apega aos laços da fúria

incontida do egoísmo e da dor inútil.

Não é o primeiro, nem o último,

é simplesmente amor...

Espelhando brandura pelas veredas da vida!

 

Assim como as flores, que enfeitam

tanto os terrenos íngremes como

as vinhas férteis, o amor floresce

no bem, mas compreende o mal e perdoa,

silentemente, os deslizes mortais.

 

Reflete os seus aspectos numa palavra amiga,

na doçura de um sorriso apolíneo,

no silêncio enternecedor dos corações,

onde as mais belas palavras são ditas

pela diadema luz de um olhar!

 

Como um mimo frouxel de ninho,

é leda espera constante e não perece,

nem mesmo na amplidão da madrugada triste,

quando deixa de ser espera

para se tornar saudade!...

 

                             Antenor Rosalino

 

domingo, 8 de novembro de 2020

O VENTO QUE VEM DO LESTE



 

Vem o vento num arrulho

Trazendo manso frescor...

Aliciando as rosas e antúrios

Com doces uivos e olor!

 

Bem sei, esse ar envolvente,

Tão etéreo que enternece,

Vindo assim tão mansamente...

Esse vento vem do leste!

 

Nos lagos dançam os cisnes

Flertando as flores silvestres;

Em meus olhos brotam risos

Sentindo o vento do leste!

 

Envolvendo espaços vácuos

Em rito com a natureza em festa,

Ameniza o pranto inócuo

O vento que vem do leste!

 

Não temo procelas que passam

Ameaçando a flor bela,

Pois logo bons ventos retornam

Trazendo do leste o sol belo!

 

Passam as estações como um sonho...

Num sopro tristonho enturvecem!

Meu lenitivo e consolo

É o vento que vem do leste!

 

O sol cintila sempre em riste

Vindo também lá do leste...,

E meus olhos ficam tristes

Ao vê-lo morrer no oeste!

                            

                       Antenor Rosalino

 

domingo, 25 de outubro de 2020

DOIS AMORES


Na saudosa aurora de tempos idos,

meu coração inocente

 - distante das máculas, hoje presentes -,

dividia-se angustiante

entre duas senhoritas.

 

Uma delas era Jéssica

 - linda loura e um tanto sedutora.

A outra era Letícia

 - morena cheia de encantos,

coberta da timidez

que o seu olhar refletia.

 

 Numa tarde de domingo

 quando então eu me afligia,

 decidi que a bela Jéssica

 era a mulher que eu queria.

 

 Conforme passava o tempo,

 fui porém me convencendo que,

quem de fato eu queria

era a tímida Letícia!

 

 Desfiz então o romance

 e procurei por Letícia:

 tarde demais...

O seu coração já pulsava,

Agora,por outro rapaz.

 

Fiquei então longo tempo,

perdido em melancolia:

Jéssica foi passa-tempo

e Letícia..., meu desencanto!

 

            Antenor Rosalino

 

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

INOCÊNCIA

 

 

No mundo feliz dos seus sonhos

- construto da mente infantil -,

Põem-se a brincar a criança,

Como um anjo em seu perfil.

 

Alheia às intempéries da vida,

No quintal a devanear,

Tem a mente em fantasia

E olhos angelicais.

 

De repente, o tempo muda

Com prenúncio de vendaval

Surge, então, um arco-íris

Inebriando o seu olhar.

 

A criança feliz se agita,

Aponta para o arco-íris e diz à mãe:

- Veja só, minha mãezinha,

O que Deus pintou no céu.

 

                      Antenor Rosalino

 

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

ENTREOLHARES


Para ver a negra noite, tão bela...,

E o cirandar das falenas:

Não espero o pôr do sol

Ponho-me a fitar apenas

Os negros olhos de Helena!

 

 Se pretendo ver o mar

 De verdejante amplidão

 Abraçando a doce brisa:

 Repouso o meu olhar inquieto

 Nos verdes olhos de Eliza!

 

  Quando quero ver o céu

  De infinito azul edênico,

  Cintilando magnânimo as dunas e colinas:

  Fico calmo a contemplar

  O olhar azul de Cristina!

 

   Para ver o castanho crepuscular

   Emoldurar desertas praias,

   E o sol amendoado cintilar os caracóis:

   Entranho meus vívidos olhos

   No castanho olhar de Sol!

 

    O meigo olhar das mulheres:

    Divas, damas, colombinas, doidivanas,

    Maria’s,  Ana’s,  Letícias, Aline’s,  Luana’s ...

    Fragmentam-se em cores

    E deixam meus olhos assim: furta-cores!

 

 

                                 Antenor Rosalino

 

 

sábado, 26 de setembro de 2020

PERFÍDIAS


Não posso calar-me ou suprimir

um ato de neurastenia, ao constatar 

nas multidões pusilânimes,

o coro dos injustiçados,

os suspiros de elegia

ante as faltas de justiça

e de julgamentos equânimes!

 

São profundos sentimentos 

de melancólica astenia,

ao constatar-se as barbáries

crescentes a cada dia,

 

advindas dos privilegiados,

abastados de hipocrisias,

ou daqueles cujas vidas 

 retratam apenas perfídias.

 

Proliferam-se os atos corruptos...

As instituições se enfraquecem,

enquanto o respeito humano

pouco a pouco desvanece!

 

 O vandalismo anelante

 das facções de sandice

 anulam os poucos espaços

 da beleza urbana restante,

 enquanto os donos das guerras

 aumentam suas girices.

 


                      Antenor Rosalino

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 12 de setembro de 2020

A CALÇADA




Na calçada há tanto pisada,

Os rastros e marcas passadas

De delícias represadas,

Remetem os corações

De maturidade agastada,

 Aos sonhos da inocência,

 Das primícias e das fábulas!

 

 Acompanha a minha calçada

 De pisares, desgastada,

 Sua fiel companheira:

 A sarjeta fria e sólida...,

 Das multidões, ignorada!

 

 Suporta ingratas procelas

 Supera o tristonho invernar!

 Abraça o sol que lhe abrasa

 Ou a chuva a deslizar...

 

 Não contenho cálidas lágrimas,

 Quando me ponho a pensar

 No primaverar de madrigais,

 Nos jogos de botões

 E rabiscos na calçada...

 Alegrias sem iguais!

 

Pisando nesta calçada

De malmequer desfolhado:

 Tenho o coração pranteado,

 E a alma despedaçada

 De saudades afloradas.

 

                  Antenor Rosalino

 

 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

O CREPÚSCULO DA VIDA



 A voz quase sempre ausente e rouca

 Murmura palavras em monossílabas

Lentas, tristonhas,

Buscando em desalento

O carinho dos entes queridos

À sua ansiedade louca.

 

Ânsia de melhor ouvir,

Sentir e sonhar

Novamente os encantos

Das quimeras e lembranças

Tão vívidas em seu olhar!

 

 Suas mãos cansadas e trêmulas,

 Pousam sobre o encosto

 Da velha cadeira vermelha...,

 O mesmo vermelho a confundir-se

 Vez por outra,

 Com a luz do seu olhar

 A marejar!

 

  As emoções do presente

  Não trazem, como outrora,

  A alegria, o esplendor do porvir

   E suas vertentes.

   Apenas lembranças..., ternas lembranças

   De um risonho amanhecer...

   De tão longínqua aurora!

 

   Seu caminhar é lento, indeciso.

   O seu sorriso é brando

   Entre as rugas a se untar,

   Mas a serenidade é vívida

   Tal qual, a suavidade do seu olhar!

 

     Depusera dos sonhos e da ilusão

     Para viver, enfim,

     A indizível quietude

     Do tempo em refração.

 

                                        Antenor Rosalino

sábado, 15 de agosto de 2020

VESTIBULANDO


        A decisão emanada é elogiável!

        Sua mente não mais divaga:

        é concentrada, fixa 

        no sublimado ideal

        do sonho universitário.

 

        Suas mãos cansadas e suadas

        seguram a inseparável caneta

        a deslizar em simétricas formas

        a grafia delineada

        em azul da cor do céu!

 

        Ultrapassa os obstáculos,

        um a um...,

        com aflorada esperança

        refletida no seu olhar

        inquieto, absorto

        na árdua morfologia,

        nos complicados

        cálculos matemáticos,

        em íngremes dados estatísticos

        e teoremas ardis.

 

        Envereda nesse prisma:

        Escondendo o doce pranto,

        enxugando o seu suor!

 

        Ludibriando catáforas,

        segue seu caminhar indulgente,

        aprofundando as análises

        com fé inquebrantável

        na altruística decisão

        de reconstruir um mundo novo...

        E brilhar!

 

                                                     

                       Antenor Rosalino

  

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

PAI E FILHO

                

                         

Dois amigos, porém, um elo a mais:

Uma mescla de ternura e respeito

Tão profundos que transcende.

 

Entreolham-se.

Seus olhos orvalhados são fontes represadas

De agridoces que a vida traz.

 

São cúmplices pela vida afora:

No bálsamo da alegria

Ou na dor que o pranto arrola.

 

Aprendem um com o outro nas vicissitudes:

Os conhecimentos da experiência vivida

No fulgor da juventude que espera.

 

                          Antenor Rosalino


quinta-feira, 23 de julho de 2020

ENCANTO HIBERNAL


      

           


       Enunciação de encantamento!
        Descortina-se, calidamente,
        O magnetismo da estação hibernal.

        Átimos diamantinos
        Em fragrâncias que idealizam
        Nuances de enamorados!

        Alquimia de prazeres
        Aventa no espaço sideral
        Em ápice glorificado de paz universal.

        Danos do mundo concreto
        Permisto com o abstrato...
        Sonhares noturnos incertos.

        Contrapondo-se à matéria gélida
        Reacendem-se as ternuras
        Nas alcovas das lareiras.


                         Antenor Rosalino


quinta-feira, 9 de julho de 2020

LÍVIA


Homenagem à minha
segunda netinha Livia


             
            

           Inverno - 06 de julho.
          Nesse dia o mundo se descortina para
          Lívia, minha segunda netinha
          Que nasce repleta de amor
          E vem povoar seu lar com esperança.

          Ser avô é sentir essa felicidade
          De voltar a ser criança.
          Assim me sinto e a vejo
          Como uma estrelinha refletindo sua luz
          Por onde sua presença divaga.

          Ainda que eu tivesse um coração de pedra
          Não resistiria a esse momento.
          E me sentiria bem mais dócil
          Para desfrutar comovido de sua companhia.

          No encanto de um poema
          Desprendo-me de cansaços
          Sinto-me vivo em cena inocente e pura
          E lhe desejo  um viver feliz
          Nas asas leves das auroras.


                         
                                   Antenor Rosalino