sábado, 12 de abril de 2014

LÁGRIMAS REMANESCENTES


                   
                                                 


Nos recônditos de minha alma
Borbulham em camarinhas:
Tristes lágrimas remanescentes
Derramadas sob um sol distante
E num solo salpicado de estrelas.

Na diáfana luz do plenilúnio,
Somente os meus passos firmes são ouvidos
Nas madrugadas frias que me alucinam
Deixando-me assim: taciturno e divagante
Entre o incógnito presente e esta saudade sem fim.

São as lembranças mais queridas
Perpetuando uma clausura insólita
Que se incrusta na memória...
Entorpecendo meu coração que espera
Esperanças renovadas no raiar de nova aurora.

                                   Minha mente voejante conflita com a morbidez latente
                                   Que me faz um ser estranho por desejar ser liberto,
                                   Mas sem esquecer as névoas pretéritas, difusas...
E, em perfeita analogia, sigo meu caminhar soturno,
Sempre cercado de gente, mas sempre sozinho no mundo.


Autoria:  Antenor Rosalino

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terça-feira, 25 de março de 2014

NUVEM DISPERSA


           


Nas longas horas tardias eu a procuro
Mas ela é sempre misteriosa e fugidia.
Desejo tanto a sua presença, mas, para
A minha tristeza, são longas as suas ausências.

O meu ser se esmaece na solidão que se faz
A cada momento que me aflige
Na busca incontida pelo bálsamo
De suas gotas de cristal!

Eu te amo, nuvem branca dispersa ao léu...
Venha banhar a terra em plenitude
Para que as sépalas nos cântaros

Floresçam viçosas e belas inundando o mundo
Num esplendor de estesia
Como as cachoeiras em escarcéus.



Autoria:  Antenor Rosalino

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sábado, 15 de março de 2014

AMIGA






Amiga, neste momento em que a natureza
Redesenha fulgores de encantamento,
Aproximo-me de ti, despojado de angústias...
E com o coração inerme, trago em minhas mãos
Lívidas e marcadas, o melhor que tenho em mim
Para ofertar-te antes que seja tarde demais.

Deixo na ágape de ternura que sempre nos uniu,
A esperança de ver, em todos os momentos de tua vida,
Os teus olhos marejarem de alegria, iluminando o teu
Sorriso aberto, encantador, angelical!

Descansarei os meus olhos na profundeza do teu olhar
E beberei, da fonte oculta da tua singeleza,
As delícias represadas sob o manto azul que te diviniza!

E assim, na união de nossas almas,
Distante de sensações frias, eu te prometo, amiga,
Estarei presente física ou espiritualmente
Nos teus momentos felizes.
E se os teus sonhos se contorcerem, entrarei em teu silêncio
                       Para amenizar as amarguras inglórias
                       E resgatar a poesia perdida nas ilhas da tua aurora.



                       Autoria:   Antenor Rosalino

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sexta-feira, 14 de março de 2014

ESTIAGEM

                           

                                                          
                       


        O firmamento transmuda-se, as nuvens de alfenim desaparecem.
        O calor causticante assola as cidades
        E os campos se tornam casa vez mais áridos.

        Não há vestígios de que uma gotícula cristalina e pura venha
        Laurear as sépalas das flores ao se abrirem nos jardins e cântaros
        E trazer inspirações aos corações poéticos.

        Oh! Chuva venha dissipar esta estiagem alongada
        Que faz com que a natureza se entristeça
        Tornando soturna a realidade presente.

        Os corações uníssonos em exaustão e delírios angustiantes
        Buscam em atos líricos um arroubo de magia
        Nas veredas desenhadas pelas águas ribeirinhas.



         Autoria:  Antenor Rosalino

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domingo, 2 de março de 2014

O ADORMERCER DA POESIA


                                            
                                 
        

           A poesia adormece lânguida na alma do poeta.
Mas isso o faz insone no transcorrer das breves horas
Em que a nostalgia se avulta e acarreta
O eflúvio dos versos em sonolência mórbida.

A exaustão presente nas noites e dias,
As tentativas das buscas e a inquietação latente
Traz no silêncio a inspiração, às vezes, fugidia.
E há vazios que o permeiam como estrelas cadentes.

Centelhas hipnóticas da clara luz do plenilúnio
Misturando-se com soturnos hiatos obscuros
Levam-me a perguntar por que se esconde o que o sentir traduz.

Estariam os versos aprisionados em pesadelos e infortúnios?
Ou estaria a sensibilidade esperando o momento rútilo
Para cristalizar-me na poesia da natureza que reluz diamantina?



Autoria:   Antenor Rosalino

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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

DEVANEIOS POÉTICOS

                    
          
                                              
                    
                                             

        Chega navegando em meus sentimentos profundos
        Exuberante glória púrpura,
        Leve e solta como os voos acrobáticos das aves libertas!
        Isto torna insone a poesia latente de tuas células líricas.
        Tudo em ti reflete os encantos da alma da mulher, enquanto
        A brisa sussurra o teu nome, na luz vespertina.

        Em meus devaneios poéticos, com a alma liberta,
        Voejo em sonhos com a alma em festa,
        Sentindo a mesma brisa da manhã que te acolhe
        Para um novo dia em que o meu coração poético
        Pulsará sincrônico com o teu sentir perpétuo.



        Autoria:   Antenor Rosalino

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domingo, 9 de fevereiro de 2014

NO MUNDO VIRTUAL



                                                    
                      


        

A máquina de escrever de outrora
Hoje repousa num canto qualquer, esquecida.
Tudo, outrora, tão caro e prestimoso
Tornaram-se as razões nefastas
Do meu pranto lacrimoso!

Os modernos computadores
São úteis, é bem verdade,
Mas as teclas gélidas, sem graça,
São análogas aos meus pés desnudos
Quando deixam rastilhos em folhas mortas!

O rato mouse em movimentos contínuos
Não traduz as verdades tácitas
Do meu sentir introspecto,e, por vezes,
Não fulguram sobejantes as minhas escritas
Poéticas, sonhadas e coloridas.
           
Tudo o que esculpi em sonhos
No diário e em cadernos
São trazidos pelas minhas mãos vazias
Ao teclado um tanto sem graça
Onde ouço sem encanto os meus toques de elegia.



Autoria:  Antenor Rosalino

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