sexta-feira, 24 de agosto de 2018

DIVISANDO O QUERER

                                        
                                                                 
                                      

    O amor em suas nuances faz sonhar com o impossível
    Horizontes se abrem e os obstáculos são amenizados
    Pela ternura de pequenos detalhes que chegam a trazer
    Lágrimas pelo simples ouvir: eu te amo!
           
    Aos poucos, porém, o amor dial faz cessar o perfil de posse.
    O ser amado se liberta, mas, de repente, o outro descobre
    Por veredas instintivas, em noites frias, sem alegria,
    O desamparo e a negritude da solidão.

     Não há juventude para sempre e, pouco a pouco,
    O encanto dá lugar às doces recordações vividas
    Até que, num dado momento, surge o gesto frági
    De outro alguém que desperta sentimentos renovados.

    O que fazer com o sentimento dividido?
    Difícil, para os humanos, viver sem a ilusão do amor em plenitude,
    Mas essa plenitude quando incerta, entre duas vertentes,                  
    Prenuncia disputa em que o corpo se avulta, mas a alma decai.

    A verdade, enfim, surge como um terremoto em larga escala
    Os sentimentos doces ficam à deriva, soltas no tempo,
    E as calamitosas conseqüências do querer se enganar
    Vedam os olhos para as ternuras findas num horizonte perdido.

                                                 
                                  Antenor Rosalino







sábado, 18 de agosto de 2018

SOB O CÉU OUTONAL


                                                                  
                             



                         No silêncio das palavras que profiro
                         Meu versejar flui não com os lábios,
                         Mas de tal maneira com meus olhos
                         Que a vida comigo dialoga
                         Em mútua declaração de amor.

                         Com esperança esculpida,
                         Em meu canto eu componho
                         Lembranças que se refletem
                         Ditando versos holísticos
                         No meu mais adorado sonho.

                         Com perfiz de eloqüente alegria
                         O dia insurge cinza e suspiro
                         No fluir do tempo virando a página,
                         Na busca de novo enredo de cores,
                         Em meio à soturna cor das fantasias.

                          Chuva de ilusão ainda viceja
                          Permeando pétalas caídas em abandono
                          Na estação outonal que encanta.
                          E no meu recato, observo o dia que finda
                          Alinhavando estrelas no horizonte perdido.


                                                           Antenor Rosalino



terça-feira, 14 de agosto de 2018

RECONHECIMENTO LITERÁRIO


                            

                                                            


  Tendo terminado de reler o livro “Arte da Felicidade”, do Dali Lama – Prêmio Nobel da Paz, repentinamente, veio-me à lembrança de que nunca na história um brasileiro conquistou a tão grandiosa honraria deste prêmio.
  Os latino-americanos agraciados no gênero literatura foram: Grabriela Mistral em 1945 e Pablo Neruda, em 1971, ambos do Chile; Miguel Angel Asturias, em 1967, da Guatemala; Gabriel Garcia Marques, em 1982, da Colombia; Octavio Paz, em 1990, do México e Maria Vargas Liosa, em 2010, do Peru. 
  Na minha humilde observação, o Prêmio Nobel de Literatura é o ápice do reconhecimento aos melhores literatos e quero acreditar que todos os ilustres ganhadores tenham sido, efetivamente, merecedores de tão profunda honraria pelos seus feitos históricos. Entretanto, muito me intriga saber também, principalmente, que nenhum brasileiro figura entre os dez maiores escritores de todos os tempos.
  Não consigo entender, em minhas ponderações, o motivo pelo qual um intelectual brasileiro possuidor de tão vasta e bela obra como Machado de Assis, entre outros, cuja literalidade e poéticas tão exuberantes que transcendem, não se enquadram entre os maiores escritores da humanidade.
  Em conversa recente sobre isso como um amigo, este me fez lembrar que, em muitos concursos podem ocorrer injustiças, e asseverou-me de que a dificuldade dos brasileiros em conseguir tal projeção internacional é pelo fato de pertencermos a um país de Língua Portuguesa, pois trata-se de uma  Língua não muito falada no mundo e que, excetuando-se Portugal, os demais países que a utilizam são subdesenvolvidos.
  Pode ser – pensei comigo -, mas ao lembrar-me de nomes como o próprio Machado de Assis, Raquel de Queirós, Olavo Bilac, Cora Coralina, Carlos Drummond de Andrade, Hilda Hiltz, João Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, entre tantos outros escritores brasileiros do mais alto nível de intelectualidade fico com a certeza de que o essencial é que o escritor ou suas obras possam ser úteis em nossas vidas e, fundamentalmente, na formação intelectual e inspiração dos nossos jovens para que possam construir um mundo progressista, mas, sobretudo, um mundo imortal.


                                                                               Antenor Rosalino







terça-feira, 7 de agosto de 2018

PARTIDA



                         


                                  Um cinza sombrio
                                  Obscurece o entardecer
                                  Ofuscando a luz que, aos poucos,
                                  Se apaga do meu olhar.

As lágrimas e soluços súplices
Derramam-se sobre ágmas
Desfazendo sonhos, líricas dialéticas
E devaneios poéticos.

Foram momentos findos
Sob estrelas tristes
Pairando olhares lindos!

Permeando olores carmim,
Pranto, tu descoloriste
Meu arrebol carmesim.


                   Antenor Rosalino



                                         

sexta-feira, 15 de junho de 2018

INSPIRAÇÃO POÉTICA


                                                           


  Não são raras as vezes em que lampejos de inspiração me vêm à mente. Surgem, sorrateiramente, vindos assim do nada. Não sei mesmo de onde vêm. Parece que se escondem no mais profundo do âmago até resolverem se revelar.
  Uma coisa se evidencia claramente: quem tem o prazer de elaborar poemas não os escolhem, eles é que surgem e os poetas e poetisas se submetem aos seus caprichos. A partir daí, nada mais importa, apenas e tão somente o transbordar das doces palavras, as quais, paulatinamente, vão surgindo e povoando o coração poético.
  O texto vai ganhando vida e superando as angústias, apesar de que a inquietação é sempre latente na alma de quem tem aguçada sensibilidade para escrever poesias. E isso decorre em virtude da incansável e intermitente busca pelo perfeccionismo dos escritos.
  Por vezes, me ocorrem receios de que a inspiração se afugente, mas quando ela se vai, parece voltar, depois de algum tempo, ainda mais esculpida e decantada. Em vista desse detalhe, da volta sempre triunfal dos sentimentos líricos, não fico preocupado e jamais desprezo a abençoada dádiva do escrever, de exteriorizar plenamente o meu sentir sobre o circunspecto e muito além nas viagens da imaginação.
  Muitas são as lembranças que acabam por fazer parte do labor poético e contribuem, decisivamente, para o surgimento da arte. Estar atento de forma contemplativa ao circunspecto, procurando razões e respostas, refletindo sobre as circunstâncias do cotidiano é, sem dúvida, de importância fundamental, além de desenvolver a capacidade lingüística.
  Entretanto, muitas vezes, quando nesse estado introspectivo, eis que, de repente, o telefone toca. Imediatamente, vem a pergunta: por que tocar justamente agora?
  Os assuntos ao telefone se sucedem. Por fim, a volta ao pensar na poesia latente. E outra pergunta se faz inevitável: onde eu estava mesmo?
  Assim como veio, a inspiração se vai... Onde será que se esconde? Não adianta tentar buscá-la. Deve estar em algum lugar distante. Definitivamente, parece que esperá-la é minha sina.
  Depois de certa fase da minha vida, quase sempre, antes de a noite chegar, recorro-me aos sonhos e às lembranças mais queridas e espero a inspiração voltar com sua essência cristalina e pura que paira no ar como um espectro. É um despertar de sentimentos que se renova trazendo beleza à minha alma. Enfim, na minha concepção, acredito não ser exagero acreditar na convicção de que tais manifestações que se afiguram tão gratificantes e belas quanto misteriosas, são expressões do sentir que Deus escreve no tempo e na eternidade.

                                                       Antenor Rosalino

sexta-feira, 25 de maio de 2018

POLÍTICA VIL






             O céu cinéreo e tristonho
             Traz resquícios de tristeza
             Ao meu coração pranteado
             Por mazelas e incertezas
             De um futuro de temor
             Desprovido de leveza.

             Não vejo perspectivas
             Apenas o inóspito
             Na fluência breve do tempo.
             Tudo é vil, Intrépido...
             A política é enfadonha
             Discursos estrépitos...

             O plebeu agonizante
            Já não suporta o castigo
             E as imposições injustas
             Por desumanos bandidos
             Hipócritas e corruptos
             De estadistas travestidos.

             Que as preces humanitárias
             Possam chegar às alturas
             Do infinito azul do céu
             E se desfaçam clausuras
             Pelo poder sempiterno
             Das vinhas sem angusturas.


                    Antenor Rosalino




domingo, 20 de maio de 2018

LITERATOS E POESIA


                                      

                                                              
                                                 


  Na minha lida no mundo da literatura, especialmente da poesia que tanto gosto, tenho observado pessoas que sentem no âmago, profundo desejo de escrever. Parece ser algo imanente. Tais pessoas buscam compartilhar este sentir com as pessoas circundantes ou à distância. E quando encontram afinidades, com o mesmo gosto poético, é como se realizassem um sonho acalentado. Nasceram para escrever e encantar.
  Outras existem que, por ter vasto conhecimento literário, escrevem apenas por vaidade pessoal, no afã de mostrar a sua invejável intelectualidade. Estes vivem enganados achando que encantam, mas nunca brilharão.
   Há ainda outro grupo de pessoas que escreve simplesmente para espairecer, buscam repousar a mente fazendo da escrita um entretenimento. Tal procedimento não deixa de ser salutar.
   Assim, cada escritor, à sua maneira, segue escrevendo e trazendo à luz seus sentimentos e interpretações do seu ponto de vista, advindas de suas experiências ao longo da vida.
   É bastante curioso também o fato de que os estilos e gostos literários se divergem muito, e os escritores denotam o seu potencial em conformidade com a essência de sua personalidade.
   Eu, do meu lado, sou afeito à poesia, ouso buscar, a meu modo, atingir a sensibilidade de quem me honra com suas leituras no meu blog e na minha página no site do Recanto das Letras. Aparentemente, pela quantidade de visualizações obtidas e que tanto me surpreende, não tenho decepcionado e isso se constitui em refrigério para o meu coração.
  Não há dúvida de que fazer poesia é também a oportunidade que temos de desvincularmos por um dado momento da realidade e voejarmos por um mundo onde a imaginação flutua como se estivéssemos, de fato, num oásis de plena felicidade. Evidentemente, não se pode viver sonhando, mas, em certos momentos, essa fuga para o mundo do “faz de conta” reconforta e traz refrigério para a alma.
  Não foram raras as vezes em que me deparei com jovens que demonstram o desejo de elaborar poesias, mas se sentem frustrados pelo acanhamento de demonstrarem o seu sentir. Ora, basta apenas se entregar à fantasia, aos anseios do coração e passar para o papel. Com o passar do tempo, a própria pessoa irá se surpreender com os aprimoramentos e com a leveza dos seus escritos oriundos de fantásticas criatividades. É essa exteriorização de sentimentos sublimes em qualquer área de conhecimento que torna um homem imortal.
   Em síntese, a escrita revela a personalidade de quem escreve. Em sentinelas de emoções, é a visão mais exata que temos do circunspecto e dos mistérios que envolvem o ser e o mundo.


                                                                        Antenor Rosalino