sexta-feira, 19 de abril de 2013

ANJO GUARDIÃO




 


Oh! Anjo Guardião,
Entre nuvens ocultas,
Impregna na alma
Do viajor caminhante,
Alvissareiras promessas impolutas.

Sobre arrebóis de mistérios,
Inspiradoras fontes levantam-se
Saudando o teu Mágno vulto
Que protege o viajor sereno,
Iluminando a tua passagem!

Como sépalas de flores perfumadas,
As tuas divinas mãos protegem
- com perfil de relicário -,
Este ser como se fosse,
Nova cruz do teu rosário.



Autoria:  Antenor Rosalino

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ECOS





Ouço na quietude da alma,
Timbres e ressonâncias de
Alaridos próximos e distantes.

Entranho-me nesta sintonia
De vozes, gritos, lamúrias...

Entristeço-me com os lamentos,
Mas regozijo-me com a sinfonia
Hilariante dos pássaros
E das harpas angelicais.

As lástimas trazem à luz,
Lembranças de chibatadas e gólgotas,
Enquanto os cânticos serenos
Afloram mimos formosos!

Os alaridos dissipam-se
No crepúsculo do entardecer,
Quando os sinos e as preces
Em tons de perfis poéticos
Elevam os sons para o céu.



Autoria:  Antenor Rosalino

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quinta-feira, 18 de abril de 2013

SERTANEJA





O sol ardente não abrasa,
Apenas brilha nos verdes campos do sertão,
Emoldurando a bela cabocla:
Pezinhos descalços e olhar maroto!

Passa o vento...  E seus negros cabelos
Formam pêndulos sobre os ombros
Balançando como arvoredos
Em cambiante langor!

Suas mãos tocam as águas cristalinas
Do intermitente ribeirão
E, chocando-se,

Formam cisalhas de prata:
Elo indizível de inocente formosura
Como gotas de cristal!



Autoria:  Antenor Rosalino

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VIRIL

 
                   

                              

                 
Num repente...
Volúpias de desejos segredados
Tomam conta do meu peito aberto
E no magneto dos teus olhos rútilos,
Roubo um beijo dos teus lábios púrpuros!

Não diga nada, meu amor!
Não digo nada...
Sinta apenas a virilidade dos meus desejos,
Infiltrando-se suavemente em tuas entranhas,
Como um vinho tinto carmim
Desaparecendo na ágape de nossas almas.

As cortinas esvoaçantes
Nas paredes boreais,
Testemunharão o encanto
Das nossas carícias mútuas
Na ternura do teu leito
Eternamente, meu amor!



Autoria:  Antenor Rosalino

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SER



               

   

            Os dias correm silentes...
Tão breves são as horas!
O meu coração dolente
Já não pulsa como outrora!

O meu livro sublimado
Num horizonte de sonhos,
Hoje é pranto derramado
No final triste de um conto!
                                                  
A minha alma está serena.
O meu ser sempre será
Ínfimo, porém, eterno,
Onde o porvir me esperar!

Como as águas de um riacho
A correr por todo o tempo,
O nosso ser verdadeiro
É parte do mesmo tempo!

Embora a vida terrena
Seja uma graça bem vinda,
Não creio ter vindo do nada
E voltarei calmo ao meu ninho



Autoria:  Antenor Rosalino

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FRAGMENTOS DE POESIA



            

       
                     
Das névoas do meu passado,
Insurgem em novos ares,
Lembranças, construtos, miragens,
De tudo o que conheci.
O olor das flores puras,
As águas cristalinas e, por vezes, impuras
Dos caminhos que percorri.
As canções que esbocei só para mim.

Com pupilas paralisadas
Na ilusão do meu sonhar,
Abrem-se as flores mais belas
Ao luar das madrugadas!

Num tempo de poesia ultrajadas,
Ainda sobejam sonhos delineados
Da minha construção poética,
Em minhas mãos lívidas e marcadas!

Viajo na ilusão de construtos de paz
Por caminhos demarcados pela nostalgia
Que projeta, na timidez do meu riso,
Sopros fecundados com resquíscios de poesia.



Autoria:  Antenor Rosalino

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terça-feira, 16 de abril de 2013

CONTRASSENSO



                                                  
                                                                   

                                                                   

  Investido de passageiro e ínfimo poder terreno, o ser humano faz descobertas maviosas e as utiliza tanto para o bem como para o próprio mal. São vastos os exemplos sobre esse tema. Por exemplo, cria a bomba atômica, mas ceifa a vida dos semelhantes em guerras absurdas e destrói na insanidade, edificações centenárias, transformando em destroços, frutos de anos de trabalho árduo.

   Busca soluções para a substituição do “ouro negro” e encontra na natureza a sonhada alternativa: o etanol, mas destrói desenfreadamente,  sem planejamento, as lavouras da mãe-Terra, calcinando-a; e com isso, aumenta a fome no mundo.

   Descobre cientificamente como proceder ao seguro tratamento da água que consome, mas polui com as próprias mãos, caudalosos rios serenos!

   Inventa eficazes remédios, até mesmo para gáudio do seu prazer sexual, porém, no afã da satisfação exacerbada, tornam-se sempre letais as doses exageradas.

   Uma das últimas e mais fantásticas invenções feitas pelo homem, a Internet, inegavelmente, é o veículo de comunicação que mais aproxima as pessoas de todo o mundo. O internauta é um privilegiado viajor das mais lindas paisagens e monumentos históricos mundiais. Tem, sobretudo, oportunidades incríveis de aprimorar conhecimentos, interagir com pessoas afins, pesquisar, aprender, etc.

    Em contrapartida, na mesma proporção em que instrui e permite que o indivíduo – principalmente quando tem talento e interesse – desenvolva o seu potencial, pode ser um veículo destrutivo dos mais maléficos, quando usado indevidamente por mentes poluídas de sentimentos mesquinhos, banais e até assassinas. Exemplos não faltam e causam extrema tristeza, de pessoas que fogem às obrigações que a natureza lhes delega, e se arruínam na corrente sombria da depravação e dos malefícios. E o que é pior, temos constatado casos absurdos de indivíduos aparentemente confiáveis, mas que, no fundo, são monstros que utilizam a Internet para a sedução de crianças e jovens desorientados.

   Como último exemplo de incoerência humana, reporto-me à extraordinária competência dos astronautas terem chegado à Lua, para cuja odisséia foram gastos valores inimagináveis e,no entanto, não se busca solução para o fim da miséria e da fome no mundo.

   Finalizo este questionamento, reportando-me ao sábio provérbio de Willian Shakeaspeare: “Homem, orgulhoso homem..., que imbuído de tão pequenina e passageira autoridade, empreende tão fantásticas missões perante os céus, que fazem os anjos chorarem”.


Autoria:  Antenor Rosalino

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