segunda-feira, 31 de maio de 2021

MIRAGEM

 

                               

         

 

                    Pensando em ti enterneço-me,

                    E as minhas células líricas

                    Feitas de amor e poesia,

                    Imergem-se nas ondas vívidas

                    Do mar das saudades minhas!

 

                    Vislumbro momentos felizes

                    De um horizonte longínquo...

                    Enquanto o vento permeia

                    Na imensidão dos meus sonhos,

                    Trazendo miragens suas!

 

                    As estrelas rutilantes

                    Em madrugadas tão frias,

                    Deixam minha alma saudosa:

                    Despedaçada, tal como as pétalas

                    No manto das ventanias!

 

                    Porém, quando dançam as ramagens

                    Sob os uivos mansos da brisa:

                    Sinto no ar seu perfume

                    - como uma bruma invisível -,

                    Na orla distante de um cais!

 

                    E no alvor do amanhecer risonho,

                    Os meus olhos sempre em trevas,

                    De repente..., vêem luz!

                    São seus olhos colorindo

                    A fonte oculta do amor!

 

 

                                           Antenor Rosalino

segunda-feira, 17 de maio de 2021

PRELÚDIO DE PRIMAVERA




No aconchego da casa, além das quietas cortinas,

E em silenciosa calmaria que abranda a alma,

Suspiro saudades insones,

Em meio à primavera que floresce.

De repente, porém, num átimo inusitado,

Uma momentânea e inesperada suspensão

De o implacável fluir do tempo

Distancia-me da realidade presente,

Como uma recusa às angústias

E inevitáveis perturbações da vida.

                  

Vem-me à mente, nesse momento supremo

- como um milagre de Deus -

A consciência das saudades que transcendem

Alargando horizontes para o valor da existência.

 

Na observância do circunspecto

Vejo agora a chegada festiva de um colibri

Avivando, docemente, as cores primaveris.

Prenuncia-se assim o arrebol escarlate

Que afugenta os vazios de sombra

Do meu olhar carmesim.

 

                 

 

                         Antenor Rosalino

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 29 de abril de 2021

SÓCRATES DE ATENAS


     

                             

            Com o pensamento envolto

            pela bruma invisível da virtude,

            da ética e da filosofia moral,

            fundamentou sua existência

            no memorável lema:

            “conhece-te a ti mesmo!”

 

            A pureza de sua alma liberta,

            desconhecia preconceitos ignóbeis:

            dialogava com pobres, ricos, mulheres,

            escravos... Daí a razão de ser taxado

            pelos detentores do poder:

            “perversor da juventude”;

            custando-lhe isso,

            o holocausto da própria vida.

 

            Buscava ao raiar de cada dia,

            o aprimoramento da virtude...

            Viveu com humildade,

            notadamente reconhecida

            em sua imorredoura frase:

            “Tudo o que sei é que nada sei!”

 

            Nada deixou escrito...

            Talvez, em sua sapiência,

            desejasse trazer à luz que,

            mais do que as letras,

            os atos e os exemplos ficam.

 

            Perece, assim, o grande sábio:

            serenamente, sem recusar a taça

            do amargo e cruel veneno;

            mas seu exemplo de vida e sua doutrina

            ficarão como obra imortal

            na galeria dos eternos,

            que o tempo jamais ruirá.



                                           
Antenor Rosalino

quarta-feira, 14 de abril de 2021

O SENTIR POÉTICO

    


    Os sonhos se avolumam na visão do poeta

    que vê o mundo por ótica diferente, com

    sentimentos vindos do mais profundo do

    seu âmago numa ansiedade incontida,

    cristalina e pura no afã de exteriorizar o seu

    sentir em versos ou em prosa sempre com o

    intuito de fazer brotar nos corações o sentido

    real da benevolência, da gratidão e de um

    olhar mais atento às inenarráveis belezas e

   dádivas que a natureza nos oferta.

 

    Segue o poeta os seus sonhos benfazejos...

    Eventuais críticas não detêm o seu ideal e

    até as aceitam para melhor reflexão sobre a

    ótica de cada individualidade. Reflete,

    sobretudo, com a serenidade que nunca o

    abandona, sobre as nuanças, incógnitas dos

    ocasos e inevitáveis situações adversas e, por

    vezes, doídas que não podemos evitar. O sofrer

    alheio o comove e sofre também em esperança

    de um porvir mais ditoso, distante das

    desumanidades, do planeta poluído e da terra

     cada vez mais calcinada e triste.

 

                                      Antenor Rosalino

 

 

 

 

 


quinta-feira, 1 de abril de 2021

PANDEMIA


        Em tempos de pandemia

        O infinito fica triste

        E acinzentam-se as estrelas.

        Ah!  Se o mundo revestisse

        O brilho da natureza

        Sem o pesar que coexiste...

 

        No tempo assim tão cinéreo

        Ofuscam-se os arredores

        Não vejo o apogeu das flores

        Que emolduram altares-mores.

        Entre os olhares tristonhos

        Findam-se todas as odes.

 

        O vírus fatal se avizinha

        Dos sertões e das cidades

        Não escolhe suas vítimas

        Não lhe atinge as tempestades.

 

        A poesia pranteia,

        Porém insurge esculpida

        E traz, apesar de tudo,

        A esperança refletida

        Nos sorrisos das crianças,

        Nas lembranças mais queridas.

 

        Tudo passa nesta vida:

        Flores, plantas, animais...

        Porém, nosso ser eterno

        Não nos deixará jamais.

 

        Os cuidados necessários

        Não são por todos lembrados

        Daí o pranto, as angústias

        E o vazio do choro amargo.

 

 

                          Antenor Rosalino

sexta-feira, 19 de março de 2021

TRANSITORIEDADE


 

             Os momentos felizes

             São como meteoros

             Em fugazes declives.

 

              Nos dias silentes

              Meu pensar aflora

              As lembranças calientes

 

              Os sonhos, porém,

              Prenunciam as glórias

              Do incógnito além.

 

              Tudo na vida

               É tão transitório:

               Um arrastar de nostalgia!

 

                Cala minha voz

                Meu olhar implora

                Sob estrutura algoz.

 

                 Resta a esperança

                 Um cantar revigora

                 As doces lembranças.

 


                              Antenor Rosalino

 

sábado, 6 de março de 2021

ESCREVIVÊNCIA

  A homenagem abaixo eu a fiz em 2011 ao

Grupo Escrevivência, o qual, tinha por objetivo

resgatar experiências vividas por pessoas com

idade acima de 60 anos. 


 


                    ESCREVIVÊNCIA

 

         No afã de resgatar situações e circunstâncias

         Que deixaram legados nostálgicos e inesquecíveis

         De um tempo passado e não superado,

         Transcrevemos, unidos numa ágape

         Da mais cândida ternura, os aclives e declives

         Das décadas que marcaram a nossa existência.

 

         E assim, em unicidade de pensamentos

         - como em fervorosa prece -,

         Escrevemos as experiências vividas

         Nas primaveras infantis, nos jardins de encanto

         Dos sonhos da mocidade e no prelúdio do outono

         De nossas vidas iguais!

 

         Escrevivência é a herança de momentos

         Que fazem os olhos marejarem e, por vezes,

         O pranto oculto transborda

         Ostentando lágrimas rutilantes

         Das névoas de um passado feliz

         Ou que nos fez chorar no enfrentamento

         De lôbregas realidades...

 

         Distante de vaidades banais da efêmera existência,

         Sem preconceitos e com a alma leve e plena,

         Sentimos a beleza da vida e sonhos ao léu...

         E seguimos escrevendo com humildade de sentimentos,

         Os sonhos que sonhamos no plenilúnio

         E no alvor de cada uma de nossas manhãs de sol.

 

                                       Antenor Rosalino