terça-feira, 2 de janeiro de 2024

UM DIA DE SOL

       




O festivo arrulhar dos passarinhos

Na alegria do amanhecer

Anuncia a emoldurada magia

Dos primeiros raios de sol,

Aspergindo fantasias

No colorir dos roseirais.

 

As opalas ganham cores,

As árvores lançam flores,

Há nas pétalas mais fulgores

E nos olhares: amores!

 

As sibilas profetizam

Aventando em tom festivo:

A ausência dos suspiros

Pelas lágrimas caídas

 

Nos dias em que o sol

Taciturno se ajoelha

No espaço sideral,    

 

E em prece se oculta

Por trás do manto sagrado

Da amplidão celestial.

 

        Antenor Rosalino

  

domingo, 10 de dezembro de 2023

DIAL

 


       


No encantamento mágico do amanhecer,

Contemplo a nostálgica pousada

De inocente cisne à beira de profundo lago.

 

Os passarinhos gorjeiam em revoadas

E, mansamente, raios dourados e multicores

Anunciam a alegre chegada do sol,

Derramando suas bênçãos com florescência vivaz.

 

Na brevidade do dia fugaz,

Vem a poesia do entardecer!

Por vezes, vagarosamente,

O pranto das nuvens cai...

 

E logo chega o anoitecer,

Trazendo a suave brisa

Trepidando os rios em seu curso,

Procurando o mar.

 

Final do dia!

As montanhas silenciosas

Vestem o manto crepuscular.

Brilham sorrisos...,  sob a luz do luar.

 

                 

                   Antenor Rosalino

 

sábado, 25 de novembro de 2023

SENTIMENTOS

 

                                                       


 Há um aspecto relutante entre a mórbida paixão e a amizade verdadeira, A paixão tem perfil de posse. Os enamorados dominados pela volúpia do amor só têm olhos para o seu bem querer, sufocando-o inconscientemente, e, aos poucos, vão se frustrando na tentativa de moldar um ao outro a seu bel prazer.

  Não me refiro aqui, aos enamorados que nutrem em igualdade de condições, aquela paixão salutar, caracterizada pelo ardente desejo de estar a maior parte do tempo possível com a pessoa amada, pelo prazer da companhia e da cumplicidade. Eu falo da paixão exacerbada, que ultrapassa os limites da sensatez e do espaço próprio, para tentar protelar o domínio pessoal e restrito do outro. 

  A amizade, pelo contrário, é a essência eterna da solidariedade. Não tem amarras de domínio, é liberta, é sentimento nobre, isenta de interesses de reciprocidade. Gostamos dos nossos amigos e isso basta. Emprestamos-lhes o ombro afável, quando lágrimas rutilantes brotam dos seus olhos fatigados pelas adversidades. A ajuda, o consolo, estão sempre presentes e, mesmo na alquimia da distância, o calor da amizade aquece o coração e emite metafisicamente, raios de luz à pessoa amiga, em esperança de recebê-la num dia qualquer, de repente, e ver a felicidade vívida aventar-se no espaço, consumar-se em seu sorriso e comungar com nosso abraço.

   Assim como há casos e histórias apaixonantes de amores nascidos à primeira vista, é bem verdade também que, em muitos casos, ao perdermos tempo com alguma pessoa pela qual nutrimos um sentimento real de amizade, respeito e admiração, aos poucos a pessoa para a qual desejamos apenas a sua felicidade, sem pensarmos em reciprocidade de sentimentos perceberá que, surpreendentemente, passamos a representar muito para ela também, e não seria surpresa ouvirmos da pessoa a quem tanto devotamos afeto, respeito e admiração, a seguinte afirmação: “perdendo o seu tempo comigo, tornastes importante para mim”.  

   Portanto, numa análise clara da situação, não se trata de perda de tempo, em caso de uma amizade aparentemente unilateral, pelo contrário, esta é uma das mais admiráveis demonstrações de carinhosa amizade que podemos demonstrar por alguém, sobrelevando-se ainda, que não estará fora do contexto a afirmativa de que há tanta complexidade no amor e nas coisas do coração, que somos capazes até mesmo de amar uma pessoa de quem não vemos ou com a qual não temos maiores contatos.

   Fundamentalmente, a amizade é isso: uma desinteressada e afável solidariedade, cujo sentimento de tão nobre, até mesmo pode transformar-se em amorável cumplicidade transcendental.

 

                                                               Antenor Rosalino

 

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

ESTRADA ABERTA


Ao longo da estrada aberta

Palmilho, na alegria

De gramas verdes, orvalhadas.

 

Busco o limiar onde

O horizonte abraça a vida,

Doura o curso dos dias

E impulsiona em doce frenesi

O meu pulsante coração.

 

Não tenho olhos para a

Negra desventura.

Como posso desviar o olhar

Da magia de um céu

Emoldurado de ternura?

 

Esse caminho de luz

Enternece-me de gratidão,

Alegrando o meu caminhar

Pelas veredas do amor

Fundamentado na razão.

 

            Antenor Rosalino

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

POEMA AOS RECANTISTAS

 

Homenagem aos imorredouros do

 Memorial  Recanto das Letras   


          

  POEMA AOS RECANTISTAS


Estamos aqui por um tempo, nada mais.

Translúcidas imagens em noites de plenilúnio

Trazem lembranças imorredouras,

E vastas experiências levaremos como bagagem

Ouvindo a voz do vento que acaricia folhagens em

Harmônica sinfonia com o balé das flores.

 

As lágrimas ou sorrisos, pouco importam para o

tempo, que nos leva mostrando que a poesia

derramada em versos será perpétua na caminhada

da vida em seus mistérios e incógnitas.


E, ao olhar o sol com suas centelhas luminosas,

descobrimos que é sempre além, que habita nosso

sentir mais profundo tantas vezes delineado em

versos com tinta pura e tranquila.

 

Alegremo-nos no pensar de que um enredo de cores

Extirpará perpetuamente as lágrimas na virada da

Página, num suspirar profundo de quem quer voar

Tão livre como os albatrozes que singram os mares.

 

Os poetas e poetisas renascem a cada dia

Nesse memorial esculpido e decantado que

Pinta as noites e os dias com aquarelas faiscantes

De eternas poesias que chegam ao céu num encanto

Como os rosários tecidos em oração para os filhos.

 

 

                                    Antenor Rosalino

 

 

 

 

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

CICLOS ETERNOS

 


O transcorrer das nossas vidas

assemelha-se ao movimento contínuo

de uma roda gigante, sempre a rodar.

 

Ora estamos em estado sublimar,

vivenciando momentos felizes

num mundo harmônico de flores e sonhos,

outras vezes deparamo-nos, taciturnos,

com adversidades e experiências que

manifestam-se em lágrimas de desencantos,

causadoras de dor ao coração.

 

De modo análogo, as nossas células

vivas de hoje se enfraquecem e morrem,

dando lugar a outras células

no florescente amanhã!

 

Saibamos, pois, que alegrias e tristezas

fazem parte da vida, e, mesmo contando

cem anos ou mais, de idade cronológica,

esta não nos importa, mas sim,

a idade espiritual.

 

E como as árvores frondosas morrem

e suas sementes germinam eternamente,

assim também, morreremos algum dia,

porém, nosso ser espiritual não perece,

e como as águas calmas de um rio que passa:

vive sua vida eterna.

 

                           Antenor Rosalino

 

domingo, 1 de outubro de 2023

NATUREZA

 

    A natureza em silêncio

    Escuta os meus desabafos,

    E eu ouço os seus conselhos

    No mistério dos seus atos.

 

    Às vezes me desafia

    Nas entranhas do meu ser,

    Mas é minha companheira...

    Oh! Anjo do meu viver!

 

    Maravilhado pelo perfeccionismo

    Disseminado por sua beleza infinda

    Que espelha a vida,

 

    Curvo-me em reverência

    À minha idiossincrasia,

    Perpetuando a criação de Deus

    No viço dos dias meus.

 

                Antenor Rosalino