domingo, 24 de janeiro de 2021

VERSOS SEGREDADOS

    

     


     Na primavera dos meus sonhos, 

     eu a encontrei sorridente num jardim,

     confundindo os seus encantos

     com róseas pétalas e jasmins.


      Os raios dourados do sol

      banhavam o caracol de suas mechas

      que reluziam fosforescentes,

      refletindo em seu olhar

      as indizíveis matizes

      de um grande amor em primícia.


       Entre o bálsamo das flores

       ofertei-lhe com carinho:

       trovas, estrofes de amor

        e versos alexandrinos...


         Nada, porém, foi bastante,

         para conquistar seu amor,

         e assim, procurei olvidar

         a timidez da recusa

         de seus lábios carmesins.


          Não sei se guardara na alma

          aqueles versos fagueiros que

          ao pôr do sol dediquei-lhe;

          sei, porém, que ela os relia,

          abraçava-os e sorria

          quando um dia a reencontrei.


                     Antenor Rosalino



sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

OFERENDA

    


       
 

        Na suave amplidão do anoitecer

        Vejo tua face espelhar

        Os últimos raios de sol

        E a noite em teu olhar!

 

        Quisera entre afagos calientes

        Dizer-te em maior dimensão

        Usando a língua dos anjos:

         Lindas frases em oração.

 

          A brisa brinca em teu rosto

          E me impulsiona a buscar,

          No magnânimo infinito,

          Os anéis de Saturno e te ofertar!

 

           Nesta oferenda divina,

           Sob as estrelas do céu,

           Seremos neons a vagar

           Livres, soltos ao léu!

 

            Neste véu de delírio e comoção

            Tomo-te as mãos num suspiro

             E com lágrimas nos olhos

             Oferto-te apenas o meu pobre coração.

 

 

                              Antenor Rosalino

sábado, 26 de dezembro de 2020

ANO NOVO


Enuncia-se o Ano Novo!

Emergem-se renovados sentimentos

edificados e depurados

em nova construção mental.

 

Renascemos imensamente,

quando, em silêncio,

as nossas almas em prece,

cantam doces canções de amor!

 

Toda a sorte de velhos e

obscuros sentimentos de tristeza,

do incômodo nublado das nuvens

das  chibatas do vento,

 

E todas as contas

do rosário da memória

são, lentamente, repassados,

enquanto a indizível poesia da vida

 inunda a Terra de estranha felicidade!

 

 As profundas fontes da memória

 cicatrizam as chagas,

 envoltas pela passiva atitude

 que vem dos céus,

 e nossas mãos em cálidos abraços,

 acolhem a dádiva do Ano Bom.

 

                          Antenor Rosalino

 


sábado, 12 de dezembro de 2020

FILÓSOFOS E POETAS

     


Há séculos, a humanidade saboreia os frutos

dos sábios conhecimentos filosóficos,

ao mesmo tempo em que se encanta, comovida,

com os sonhos da admirável percepção poética.

 

É notória, porém, a dessemelhança de

idealismo entre o filósofo e o poeta:

o filósofo debruça-se, inquieto, em sua

irrestrita racionalidade, enquanto o

poeta inclina-se, cada vez mais, em sua

sina de enfeitar a vivência terrena.

 

O filósofo busca respostas para a existência

do ser e do Universo. O poeta, por sua vez,

delicia-se com o rito da natureza muda,

e vê o mundo num grão de areia!

 

O filósofo interroga, questiona e polemiza

na angústia do nada, no afã de encontrar

motivos para a existência de tudo.

 

O poeta sonha um supra mundo perfeito,

desfolhando até mesmo das flores mortas,

belos poemas no fluir de seus belos dias!

 

Ambos, porém, seguem seus destinos

com olhares perscrutadores em linhas

paralelas e assim, maravilhados pelo

perfeccionismo da natureza, cada qual

morre com sua certeza

rumo ao eterno da incerteza.

 

                                    Antenor Rosalino

 


sábado, 21 de novembro de 2020

O SILÊNCIO DO AMOR




O amor surge na Terra com essência

de ternura sob diversos aspectos.

É paciente, como o olhar materno,

a acalentar o frágil filho

 no seu colo de açucena!

 

Não se apega aos laços da fúria

incontida do egoísmo e da dor inútil.

Não é o primeiro, nem o último,

é simplesmente amor...

Espelhando brandura pelas veredas da vida!

 

Assim como as flores, que enfeitam

tanto os terrenos íngremes como

as vinhas férteis, o amor floresce

no bem, mas compreende o mal e perdoa,

silentemente, os deslizes mortais.

 

Reflete os seus aspectos numa palavra amiga,

na doçura de um sorriso apolíneo,

no silêncio enternecedor dos corações,

onde as mais belas palavras são ditas

pela diadema luz de um olhar!

 

Como um mimo frouxel de ninho,

é leda espera constante e não perece,

nem mesmo na amplidão da madrugada triste,

quando deixa de ser espera

para se tornar saudade!...

 

                             Antenor Rosalino

 

domingo, 8 de novembro de 2020

O VENTO QUE VEM DO LESTE



 

Vem o vento num arrulho

Trazendo manso frescor...

Aliciando as rosas e antúrios

Com doces uivos e olor!

 

Bem sei, esse ar envolvente,

Tão etéreo que enternece,

Vindo assim tão mansamente...

Esse vento vem do leste!

 

Nos lagos dançam os cisnes

Flertando as flores silvestres;

Em meus olhos brotam risos

Sentindo o vento do leste!

 

Envolvendo espaços vácuos

Em rito com a natureza em festa,

Ameniza o pranto inócuo

O vento que vem do leste!

 

Não temo procelas que passam

Ameaçando a flor bela,

Pois logo bons ventos retornam

Trazendo do leste o sol belo!

 

Passam as estações como um sonho...

Num sopro tristonho enturvecem!

Meu lenitivo e consolo

É o vento que vem do leste!

 

O sol cintila sempre em riste

Vindo também lá do leste...,

E meus olhos ficam tristes

Ao vê-lo morrer no oeste!

                            

                       Antenor Rosalino

 

domingo, 25 de outubro de 2020

DOIS AMORES


Na saudosa aurora de tempos idos,

meu coração inocente

 - distante das máculas, hoje presentes -,

dividia-se angustiante

entre duas senhoritas.

 

Uma delas era Jéssica

 - linda loura e um tanto sedutora.

A outra era Letícia

 - morena cheia de encantos,

coberta da timidez

que o seu olhar refletia.

 

 Numa tarde de domingo

 quando então eu me afligia,

 decidi que a bela Jéssica

 era a mulher que eu queria.

 

 Conforme passava o tempo,

 fui porém me convencendo que,

quem de fato eu queria

era a tímida Letícia!

 

 Desfiz então o romance

 e procurei por Letícia:

 tarde demais...

O seu coração já pulsava,

Agora,por outro rapaz.

 

Fiquei então longo tempo,

perdido em melancolia:

Jéssica foi passa-tempo

e Letícia..., meu desencanto!

 

            Antenor Rosalino