sábado, 7 de março de 2015

ROSAS AMARELAS



       


Risos se alastram na tarde serena...
Olores de rosas calientes!
Sândalo que envolve a alma
Aventando um céu de açucenas!

                                    Avultam-se nas horas tardias, amenas,
Maravilhas multicores!
Amarelas rosas inebriam como oferendas
Ramos orvalhados em senda!

Laivos de poesia exaltada
Acenando ao crepúsculo como adenda.
Sobejante feitiço multicor que acalma.
Sublime enfeite da natureza alada.

 Nos pergaminhos da memória
 A vida se faz sob os olhos do sol
 E entre pétalas de rosas nas noites claras
 Alastram-se nostalgias do arrebol!



Autoria:  Antenor Rosalino

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A BELEZA FUNDAMENTAL

                             
                                                              
                                               


  Há muito tempo, já dizia Vinícius de Moraes: “As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Ouso dizer que discordo, em parte, do imortal poeta nesta afirmativa. Ora, se a beleza física é algo que desvanece tão rapidamente no transcorrer do tempo, tal fundamento perde muito de valor.
  Não há dúvida de que, no fulgor da mocidade, a beleza corpórea arrebata corações, mas, todo este atrativo jovial também se esvai como um meteoro a cair, e o que fica, na verdade, são as virtudes e, principalmente, o caráter de cada um.
   Não são raros os casos de amores que começam de maneira desesperada, intempestiva, motivados apenas pelas aparências e, num breve período de tempo, se desfazem com o mesmo desespero quando o caráter é posto à prova.
   Por outro lado, muitos são os casos também de relacionamentos afáveis de amizade sincera onde a beleza física não tem tanta importância; fica num segundo plano, e, pouco a pouco, o zelo e o respeito mútuo fazem com que a amizade se transforme em amor e este sim, se faz eterno, principalmente, quando permisto com outros predicados essenciais.
   Portanto, analogamente à idade física que pouco ou nada significa, a beleza corpórea também nada representa diante da beleza espiritual, baseada em coerentes e belas ações, o que torna a pessoa repleta de misterioso encantamento.
  A amizade é o sentimento que requer maior cuidado, pois é através das amizades que descobrimos desde muito cedo a nossa verdadeira identidade, o nosso verdadeiro ser transcendental, pois não nos importa a beleza física do amigo ou da amiga.
   Mais importante do que fazer amizades é o cultivo dos amigos, é mantê-los ao longo de nossa vida. E se somos capazes da manutenção de boas amizades que nos influenciam sempre mais positivamente, podemos concluir que temos também algo de bom em nosso âmago, tendo em vista que as amizades são conquistadas com atitudes morais relevantes, solidariedade e, quando necessário, palavras de incentivo, apoio e carinho. Não há, sobretudo, preocupações com a beleza exterior.
  É sempre bom lembrar, que, sendo o caráter, o fundamento maior de um bom relacionamento, a sinceridade permeia esses laços afetivos e, em caso de justificar-se alguma advertência, temos a obrigação, na qualidade de amigos, de mostrar a conduta falha de nossas amizades, o que deve ser feito, obviamente, com a firmeza devida, mas com esmero, clareza e fineza de trato.
  Muitas vezes deixamos escapar algumas boas amizades por razões contrárias à nossa vontade. Nós nos afastamos ou o amigo se afasta por motivos não explicados ou por falta de maior compreensão de uma ou de ambas as partes. Não deixemos que tais circunstâncias sejam tão fortes a ponto de obstruir as raízes plantadas por esses laços e sejamos sempre iluminados pelas centelhas principalmente espirituais das pessoas que amamos.



Autoria:  Antenor Rosalino

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

CANTANDO A VIDA




                                                       


                                  
                                                 Tão dócil como a própria melodia,
                                                         ecoava o canto de Celita
                                                        pelos ventos brandos
                                                       magnetizando o infinito!


  Celita nasceu cantando?   Esta pergunta era frequente em relação à franzina, mas linda menina, desde os primórdios de sua infância, quando a suavidade de sua voz se fazia ouvir por toda a casa.    
  O desejo maior de Celita era cantar. Nada fazia sem cantarolar. E isso era frequente desde o alvorecer até o fim de cada dia.  Parecia respirar melodias e até sonhava cantando em palcos iluminados pelas centelhas coloridas das ribaltas.
  Era como se o universo a saudava e o sol e as estrelas energizavam-se ao vê-la cantar.
  Com o passar do tempo, já mocinha, não eram raras às vezes em que Celita era convidada a cantar em festas de amigos e ela nunca recusava os convites, pelo contrário, recebia-os alegremente e se dispunha a se apresentar com sua fascinante originalidade, beleza altiva, faceira e cativante brilho no olhar.
   Assim, o talento da meiga e ingênua mocinha foi ganhando notoriedade, até que um dia foi lhe apresentado um produtor musical que, entusiasmado com a afinada e linda voz de Celita, convidou-a de pronto, a se apresentar num show que seria promovido brevemente, naquela mesma cidade, para o qual viria também uma famosa banda da capital.
  Sem titubeios e com a aprovação dos pais, o convite foi aceito e, a partir de então, foram sendo providenciados todos os requisitos e o repertório para aquela particularidade musical.
  Os dias foram sucedendo-se velozmente e, enquanto isso, Celita cantava... Mais do que nunca, cantava! E seus olhos brilhavam, enquanto o seu corpo, num magneto de divina beleza, fazia ternos movimentos, em unicidade com o encantamento de sua voz. E isso ocorria a qualquer instante e em qualquer lugar. Seus pais até foram aconselhados a levarem-na a um psicólogo, mas desistiram da ideia. Afinal, que mal havia em cantar? Além disso, o canto da menina nunca foi empecilho para o cumprimento de seus deveres. Era uma filha exemplar, assídua em suas obrigações em casa e na escola, e sempre muito querida por todos.
  Por fim, chegou o dia do esperado espetáculo. Na cidadezinha engalanada, só se ouvia comentários otimistas sobre a apresentação de Celita.
  O anoitecer chegou sobre folguedos e alegrias. A única casa de espetáculos do lugar já estava com a lotação esgotada. E ainda havia muita gente do lado de fora, em esperança de ouvir a envolvente pureza das interpretações, que, sem dúvida, seriam de inenarrável beleza e ternura.
  Ao iniciar o espetáculo, a expectativa maior da alucinante plateia não era destinada ao conjunto vindo da capital, mas sim, para Celita que, certamente, iria encantar a todos com sua graça e voz que magnetizava a todos que tivessem o privilégio de ouvi-la.
  Celita adentrou ao palco extremamente impressionada com todo aquele aparato e foi aplaudida o tempo todo. E quanto mais se avultavam os aplausos, mais a menina encantava deslizando divinamente no palco.  Ela se sentia em estado de êxtase e fascinada com tudo ao seu redor!
  A magistral apresentação de Celita ofuscou flagrantemente o show da banda . E isso fez com que ela fosse muito aplaudida não só pelos leigos, mas também pelos críticos, resultando daí, um convite para que  participasse de um programa musical que já fazia sucesso nas tardes dominicais na capital.
  O convite foi aceito e, um mês depois, partia Celita para alçar voos que a levariam ao apogeu da glória e da fama. E foi isso o que ocorreu. Antes de sua partida, porém, um fato inusitado chamou a atenção de toda a população da cidadezinha. Em muitas fotos tiradas quando da apresentação do show, algumas pessoas notaram que os pés de Celita não tocavam o chão. Estava claro que ela levitava. O caso repercutiu e isso fez com que o sucesso da jovem cantora crescesse ainda mais.
  Assim, Celita foi se destacando nos palcos, em vídeos e em jornais. E as bilheterias superfaturavam em suas apresentações nas grandes metrópoles.
  O tempo foi passando e o inevitável sucesso acompanhou Celita por toda a sua vida. Viveu cantando pela vida afora. E ela tinha conhecimento da intuição de sua própria existência.
  Celita vivenciou a glória e cantou até o fim de seus dias. Mas a fama nunca teve importância em sua vida. O que ela desejava mesmo era cantar em qualquer circunstância. Faleceu ainda jovem, vitimada por um ataque cardíaco, enquanto cantava pelos jardins floridos de sua casa. E, mesmo ao despedir-se da vida, as pessoas que a acudiram afirmavam que dos lábios de Celita soava um leve canto que se confundia com o som orquestrado dos pássaros numa harmonia de divinal e indizível esplendor, que preenchia os vazios daquela tarde sombria.
Celita expirou cantando.



Autoria: Antenor Rosalino

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sábado, 7 de fevereiro de 2015

POESIA AO ENTARDECER



                                
                                             


Na alma do poeta a poesia se faz plena, insone.
As horas roubam-lhe os sonhos.
Mesmo assim, na exaustão das tentativas,
No papel se espraia seus devaneios risonhos!

Em centelhas refulgentes de átimos inusitados
De estrelado e embriagador lirismo,
Os caminhos são desenhados por dunas desertas
Ou pelas águas dos rios em mistérios longínquos.

Orações se fazem em sussurros ao vento
Numa apoteose de afogadas lágrimas
Na hora do ângelus sacrossanto!

E as almas poéticas em canto uníssono
Energizam o firmamento em vibrações diáfanas
Colorindo a natureza e seu divino manto.



Autoria: Antenor Rosalino

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sábado, 24 de janeiro de 2015

INCENTIVO À CULTURA


         
                                                                  
                                     



  A cidade de Araçatuba está sendo impulsionada a olhos vistos no que tange ao apoio à cultura, em muitos dos seus segmentos.
  A adesão ao projeto governamental de Fomento à Cultura, instituída com o objetivo de fomentar a circulação da produção cultural brasileira em várias artes proporciona o acesso amplo da população aos bens culturais e vem    atingindo satisfatoriamente os fins para o qual foi criado.
  Já se pode dizer que esse projeto é um marco divisório da cultura da cidade, principalmente em referência à literatura. Antes do projeto, os talentos literários locais sentiam, assim como todos os poetas e escritores de todos os gêneros e de todos os tempos, a necessidade premente de exteriorizar os seus sentimentos e visão das coisas e do mundo, porém, muitos dos quais, não tendo condições financeiras para publicar seus livros, ou por preferirem dar maior importância a outras prioridades, postergavam os seus intentos de se fazerem notar por suas inegáveis capacidades. Tais fatos, hoje, dificilmente acontecem, pois os concursos para publicação de livros estão ocorrendo anualmente, sem quaisquer custos para os candidatos participantes.
  Desnecessário seria dizer sobre a providencial grandiosidade desta iniciativa por dois motivos óbvios: primeiro, por permitir que os trabalhos dos escritores sejam notados, analisados e ganhem a projeção devida, se realmente houver conteúdo condizente, elogiável e consistente. E, segundo, pelo impactante incentivo ao surgimento de novos talentos e à leitura, além da melhor fruição e acesso da população às artes em geral
  A população araçatubense vem contando ainda, não só com o apoio das entidades culturais da cidade, mas também de algumas pessoas em suas individualidades solidárias, com propostas e sugestões nestas questões inteligíveis, com apresentações de saraus lítero-musicais, etc., dignos de efusivos elogios.
  Recentemente, foi inaugurado um espaço na Biblioteca Pública Rubens do Amaral, destinado, exclusivamente, às obras dos escritores de Araçatuba e região, cujo espaço também se destina a eventos diversivos e outras apresentações que acrescentam sabedoria e conhecimentos.
  Evidentemente, aquele recanto possibilitará a melhor amostra das inspiradoras criações dos escritores locais, cuja iniciativa da Sra. Tânia Capelari, que há tantos anos chefia aquela biblioteca com a dedicação e o denodo que só as grandes almas possuem, merece os mais exacerbados aplausos, mesmo porque, os poetas e escritores sentem necessidade de extravasar seus sentimentos, não por vaidades banais, mas pelo fato do verbo se encontrar sempre latente em seu íntimo, como a suplicar para ser exteriorizado, e, inegavelmente, tais inspirações e conhecimentos, historicamente, perpetuam-se entre nós intensamente.



Autoria:  Antenor Rosalino
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

MEUS FILHOS




Neste dia em que a inspiração
Eflui em mim, inusitada,
Veio-me num átimo de encanto
As lembranças das nossas vidas
E tudo o que vivenciamos
E aprendemos com alegria.

Tantas foram as emoções
Que, para exteriorizá-las
Como eu as sinto nas vísceras,
Meus versos não podem conter ágmas;
Necessitam da mesma pureza
Que eternizam deuses, crisálidas!

Tenho a alma plena, meus filhos,
De profunda gratidão,
Pela dadivosa experiência
De tê-los no coração...
E assim seremos sempre unos,
Mesmo entre implexos, desvãos...

Nossos momentos felizes serão
Como lendas perpétuas na memória
Vicejando e permeando
Certas inglórias, mas muitas vitórias...
Sentimos a senda divina
E construímos felizes histórias!

Volto o pensamento aos céus
Pedindo a Deus proteção
Aos teus sonhos felizes de paz,
E que o legado da minha intenção
Possa exemplá-los sempre mais
Para a paz em construção.

A vida segue ininterrupta
Como rios buscando mares longínquos!
E assim seguimos nosso caminho
Longe dos abismos de descaminhos,
Até mesmo quando os ocasos
Efluem lágrimas em nossos ninhos.



Autoria: Antenor Rosalino

Foto: meus filhos



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

LÍRICO DESPERTAR


                                                                 
                                                                           
                               


Numa estrada tão infinda
Vejo agigantar-se em mim
Funestas sombras bem tristes
Entre olores de um jasmim          
Embriagando as pobres almas       
Nos cântaros e jardim.

O ar fresco desta noite
Não traz eco de sinos
Nem os perfumes silvestres
Do mundo diamantino!          
Há um eco frio na noite
É do meu grito hialino.

Há os mistérios noturnos
Sempre em nuanças, liras...
Que me tornam assim soturno:
Um fantoche...,  sim, sem vida,        
Sob o luzir das estrelas
A permear as desditas.

Bem no abisso da minh ‘alma,
Em veredas e girices,
Oh! De repente eu te vejo
Em meio às sombras tão tristes,
E meus pensamentos vão          
Perdendo-se entre efígies!

Pingam gotas orvalhadas...
Escorrem níveas no chão,
Mas, aos poucos já se aquecem
E o amor se faz canção!                     
Balançam-se os arvoredos...
Tocando-me o coração.

Um clarão se faz tão dócil
Logo as trevas se iluminam
Quando teu mimo de encanto
Os meus olhos alucinam!
Bebo da fonte do amor...
Sob estrelas e malinas.




                 Autoria:  Antenor Rosalino

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