segunda-feira, 17 de junho de 2013

SÚPLICA DE UM POETA



                           


                           Deixo no tempo as nuanças
                           Da minha ousadia poética:
                           Meus versos líricos e odes
                           Espelhando a minha alma em construtos
                           Que a ilusão apetece!

                            Busquei nas flores campestres,
                            Nos sorrisos inocentes,
                            No rito harmonioso da natureza
                            E nos amores transitórios e eternos,
                            A inspiração desejada
                            Para os meus versos etéreos!

                            Na brevidade do tempo que a tudo transmuda,
                            Quando eu me tornar solitário
                            Com minhas obras esquecidas:
                            Oh, Deus! Retorna este poeta
                            Para o infinito do teu céu!

                            E assim, unificado com a natureza
                            - liberto e decantado no espaço -,
                            Serei parte da poesia em lastro
                            Que o tempo jamais ruirá
                            No ritual do seu compasso.


                            Autoria:  Antenor Rosalino

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

SONHOS DESFEITOS

       

 


Meu coração evasivo,
Despojado da esperança
Que em dias benfazejos
De imenso amor se embalava,
Hoje é pranto derramado,
Dissoluto no abandono
Das quimeras do passado!

Minha alma triste, vaga
Na penumbra dos meus dias,
Em níveos vales de lágrimas
E no amargor da realidade!

O desencanto latente
E as lágrimas sentidas
Impedem a contemplação
De meteoros cadentes
E taças de sol poente!

O céu azul estrelado,
Simplesmente testemunha
Na mudez dos meus vocábulos,
Apenas os meus suspiros
E meu sonho virar saudade!



Autoria:  Antenor Rosalino

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DE PASSAGEM





Como luzes de ribaltas
Que se apagam indiferentes
Aos apelos frenéticos dos aplausos,
A vida dos seres amados
- fiéis seguidores de nossa jornada -,
Igualmente desvanecem...

Passam tormentas de marés...
Ondas levantam-se
Em vultosas ascendências
E se desfazem: quedam-se mansamente!

Flores perfumadas
Encantam os jardins,
Exalam o seu perfume, mas, pouco a pouco,
Debruçam o seu encanto
E pelo chão se arrefecem.

Os sorrisos, as lágrimas,
As odisséias, venturas e desventuras,
Tudo passa como a brisa,
Mas ficam as doces lembranças
Como um relicário de amores...
E outros sonhos surgirão
Num adeus aos dissabores!



Autoria:  Antenor Rosalino

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NA PAZ DA MADRUGADA







                            Na suave magia do plenilúnio
                            O prado abraça a Terra
                            Trazendo sonhos de paz!

Deixo as estrelas derramarem o seu brilho
Na liberdade serena e suspirada
Dos meus pensamento soltos,
Aventados além do infinito
Dos astros a flamejar!

Na amplidão das noites de rosas,
O olor das flores púrpuras
Traz um quê de magia
E ternura angelical!

Vislumbro a luz dos olhos teus,
Como a mais linda estrela
A cintilar no meu céu;
E minha alma encontra enternecida
A paz do teu amor que me afaga
E se acalma serena, mais serena
Que o alvor da madrugada!



Autoria:  Antenor Rosalino

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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Criador ou criatura?

 

          
                      

  Quando eu acabo de compor, nem sei quem sou.
   Eu que vinha escrevendo sem parar,
   Eu que não ligava nem um pouco pro azar,
   De repente me confundo com meu verso,
   Não sabendo o errado ou o certo.

                      Ana Maria Carvalho

    Assim, com a indiferença permeando o meu ser,
    Trago nas vísceras as lembranças mais queridas
    Das minhas letras pensantes nos momentos vividos,
    Em que a plena paz insurgia e a inspiração aflorava!
    E hoje, entre penumbras tristes,
    Os meus olhos taciturnos não possuem mais lágrimas.

                        Antenor Rosalino

     Seca de lágrimas e vestida de palavras,
     Já não sou quem eu disse que era.
     Sou, quem sabe, uma sombra que passou
     Para um poeta qualquer..., uma doce quimera!
     Por isso pergunto:
     De quem são os versos meus?
     De quem eu roubei a inspiração?
     Ou, se eu sou a própria criatura,
     Quem me compôs então?

                         Ana Maria Carvalho
     
      Revestindo a cada dia
      Das palavras que palpitam em minhas entranhas,
      Vou seguindo a minha sina
      Entre veredas tristonhas!
      As indagações são tantas...
      O meu futuro é incerto, atemoriza!
      Já não procuro ocultar o meu viver de fantasias
      Em que as ilusões do ocaso
      Transformaram os meus sonhos
      Na incógnita do meu mundo
      E minhas inspirações inebriam
      As tardes azuis do outono.

                             Antenor Rosalino




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ARES DE NATAL

                          


 
                

O céu magnânimo está límpido...
No infinito, uma estrela-guia
Enuncia o grande dia:
É Natal do Menino Jesus!

Emoldurada de radiante esplendor
Flameja a natureza em festa!
Dobram-se os sinos uníssonos...     
Confrarias acontecem!

Por trás de vidraças festivas,
Olhares perscrutadores
Avistam paisagens que evocam
Sonhos e saudades!

A poesia inunda o meu ser...
Volto os olhos para o céu
E sinto gemidos do mar!

Nas gólgotas cessam os suplícios.
Os suspiros enfadonhos
Dão lugar a doces preces!

Ocultam-se abissais profundos
E os anjos fazem coro
Louvando o Salvador do mundo!



Autoria:  Antenor Rosalino

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EXORTAÇÃO AO VINHO



                                  


Louvemos o vinho!
Extraído das uvas de abençoadas terras,
Debruça a suavidade do seu sabor
Nas adegas distantes...

Suas gotas alvas ou púrpuras
Em frágeis jarras de cristal,
Emolduram fartas mesas
Nas confrarias felizes,
Onde em prece se renovam
Doces ceias de Natal!

Filho das vinhas!
Seu efeito suave e embriagador
Tem o perfume da vida
E dos campos vastos em flor!

Quando em laudáveis brindes
As taças são erguidas
Em uníssono tilintar festivo:
Transbordam-se os sorrisos,
Refletindo a alegria
No brilho de cada olhar.



Autoria:  Antenor Rosalino

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