terça-feira, 4 de junho de 2013

O ESCULTOR





Predestinado a representar
As belezas universais:
Formata, inventa e reinventa
- com magistral simetria -,
Edificações clássicas e colossais,
Imagens sacrossantas,
Mimos formosos e seres viventes
Em esculturas imortais!

Manuseia com esmero
A massa de seus mistérios:
Matéria prima advinda
De rochas históricas, adormecidas
Em abissais vales profundos
Que o solo medra e fecunda!

Nos feitos imorredouros
Do escultor passageiro,
Ficam marcas invisíveis
Do cinzel de suas mãos,
Como lendas da infância,
Enraizadas para sempre,
No âmago e no coração
Das gerações que virão! 



Autoria:  Antenor Rosalino

Imagem da internet    


CONSCIÊNCIA DE VIDA

 (Poema inspirado por ocasião
de minha internação no Hospital
do Câncer de Campo Grande/MS)



  

            



No leito hospitalar,
Distante dos frêmitos agitos,
Agonizo-me!

Lembranças queridas,
Encontros e desencontros
Afloram as minhas células líricas!

Do corpo demente
De horas tão tristes,
Minha alma se ausenta!

E regressa em segundos
Trazendo-me lúdicas
Esperanças de vida!

Uma luz surge em meus olhos
E sublimes sentimentos
Na minha alma, afloram!

Morre a minha vaidade...
Regozijo-me com a vida
Debruçando-me em saudades!



Autoria: Antenor Rosalino

Imagem da internet


sexta-feira, 31 de maio de 2013

TRIGAIS DE OURO



                          


                  Entre anjos e querubins,
                  adormecida em plumas alvas de ternura,
                  a alma transbordante em fulgores
                  teça rendas com fios de ouro,
                  desfazendo brumas
                  num luar de amores!


                  A natureza desperta o seu encanto,
                  desde o canto majestoso dos pássaros à flor.
                  Os trigos dourados
                  ostentam o brilho para a colheita.


                  Sinto a brisa num sopro de vida,
                  fecundando poesia
                  nos trigais em flor!...


                  Inebriando searas e  lírios,
                  a natureza em seu apogeu,
                  traz à luz teus olhos líricos:

                 estes olhos que são meus!


                  
                  Autoria:  Antenor Rosalino e Maria Cristina Bonetti

                  Imagem da internet
                       

                 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

MISTÉRIOS DO SER

 

                                                          


Ao longo dos séculos, a verdade sobre a existência da alma e os dotes da inteligência humana são temas debatidos e aclamados por insignes pensadores de todo o mundo.

  Os livros de auto-ajuda, e todos os diversificados segmentos religiosos apregoam com extremada convicção, cada qual à sua maneira, e de acordo com os seus princípios, os caminhos virtuosos que levam à verdade insofismável de todas as coisas.

  Mas, afinal, onde estará a verdade? Será mesmo que a encontraremos nesses ensinamentos? Ou será que estaria na convicção de que os sentidos captam todo o circunspeto e grava, pouco a pouco, nas profundezas da memória, todo o potencial a ser desfrutado pela consciência humana? Os sentidos, porém, não são confiáveis. Por vezes nos traem...

  Estará a verdade na razão? No pensar correto e na meditação sobre o certo e o errado? Mas, a razão também falha: quantas certezas de hoje não serão dúvidas no amanhã?

  Há ainda o ceticismo absoluto. Para o cético, tudo é ilusão, passageiro e transitório, como já dizia Heráclito: “Tudo flui, tudo está em movimento e nada dura para sempre”.

  Tudo tem um fim. Será? Um Universo tão imenso e mavioso existe apenas para abrigar uma vida tão passageira?

  Muitos são os que dizem que nada é feito sem a vontade de Deus que a tudo rege por todo o Universo. Esta afirmativa gera polêmica, isto por que, ao mesmo tempo em que merece respeito e inclusive nos faz lembrar o pensamento de Adam Smith de que “uma mão invisível guia a humanidade e a ordenação de todas as coisas”, sugere pensarmos sobre o livre arbítrio. Recordo-me dos primeiros anos em que cursei Ciências Econômicas, quando, reiteradamente, era colocada em pauta as palavras deste grande pensador, mesmo porque, trata-se de um dos “pais da Economia” – uma das nossas maiores heranças intelectuais, o que pode ser facilmente comprovado em sua primorosa obra “A riqueza das nações”.

  Entretanto, cabe-nos a seguinte indagação: até que ponto somos realmente livres?

  Entre os choques de opiniões diversificadas, a vida continua... A verdade para milhões é inverdade para outros milhões. E assim, entre convicções e abissais ingenuidades, o ser cumpre a sua trajetória: finita na Terra de incógnitas, ou vive sua vida eterna.



Autoria:  Antenor Rosalino

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domingo, 26 de maio de 2013

O que é que há?


                          

                       
                            


                    O semblante dos teus olhos vívidos
                    Trouxe um quê, não sei porquê,
                    De amargor e melancolia
                    Ao meus olhos que sempre te viam
                    Com olhar de caximguelê.

                    Não percebo em teu sorriso
                    A singeleza da alegria
                    Traduzida em espirais
                    De sedução que se fazia
                    Entre paredes boreais.

                    Minha inspiração em eclipse
                    Suprimindo os meus vocábulos
                    Deixa os meus versos no ar
                    E suplicante eu pergunto: o que é que há?

                    Meu pensar ardente em chamas
                    Procura-te sem cessar
                    Bucando desvendar o elo
                    Da tristeza fina incrustada
                    Em teus mistérios de mulher!

                    O que que é que há,linda pepita?
                    Não deixemos que procelas
                    De asperezas do incerto
                    Desfaça os laços de fita
                    Do nosso amor sempiterno!



                    Autoria:  Antenor Rosalino

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SONHOS DE PAZ





Fosca, cálida e triste,
A tarde perde o crepúsculo
Quando relembro holocaustos
Imposto aos inocentes
Por atos vis e nefastos!

Um eflúvio vago de sonhos
Leva-me à esperança
De um porvir longe das dores
E de insanas mãos esquálidas,
Despudoradas de amores.

Buscando amenizar meu pranto,
Os passarinhos gorjeiam
Em harmonia os seus cantos!
A natureza observa-os,
E em levante nas colinas,
Os condores se divertem!

O eclipse então se dissipa
Quando em idiossincrasias,
Toma forma a poesia
Na acalentura sublimada e pura
Do céu que em festa me acolhe
E entre flores perfumadas
Caem gotas dos meus olhos!



Autoria:  Antenor Rosalino

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PENSAMENTOS LIBERTOS


 

A rotina enerva, atormenta o
Corpo combalido na angústia
Dos dias sempre iguais...

Os passos mecânicos
Arrastam-se serpeantes,
- em idas e vindas -,
Nos aclives e declives
Dos caminhos fatigados!

Entre lôbregos suspiros
E hiatos de esperanças,
Emerge a alma serena,
Indiferente ao cárcere
Da opressão do dia a dia.

O corpo frêmito não padece
Se o pensamento voeja
Em sonhos de liberdade!

Além do horizonte,
Distante das formas terrenas
Das ilusões passageiras,
- como fênix em alvas nuvens -,
O ser liberto renasce
E na amplidão refloresce!



Autoria:  Antenor Rosalino

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