terça-feira, 22 de novembro de 2022

PONTO DE VISTA

 

 


  Estamos aqui por um tempo apenas,

nada mais. E na brevidade dessa vida

que é tão passageira e transitória como

uma primavera que floresce, muitos

escritores já fizeram suas passagens

para outra existência. Outros, por

circunstâncias adversas, já não fazem

postagens com regularidade, mas

imortalizam-se em nossa memória as

letras pensantes de todos os escritores e

poetas que definem ou definiram suas

reflexões com tão belos artifícios literários

que transcendem e marcam nossas horas

supremas.

   Deixo aqui patenteada a minha reverência

 a todos.

 

                        Antenor Rosalino  

terça-feira, 8 de novembro de 2022

LUAR AUSENTE



Na primícia do anoitecer,

A noite sem luar atemoriza.

 A lua abraçou as estrelas

Num grande espreguiçamento mudo...

E levando-as consigo partiu

Deixando fria lacuna

Na negra noite do mundo.

 

 O vento nos quatro cantos

 Perdeu seu doce frescor;

 Já não quer trazer dos campos,

 O suave aroma da flor!

 

 Daquele céu cambiante,

 Onde as estrelas brincavam

 Em radiante esplendor,

 Somente as falenas voam

 E os zumbis ziguezagueiam,

 Enquanto as cicatrizes trazem

 De volta esquecidas dores.

 

                Antenor Rosalino


segunda-feira, 24 de outubro de 2022

SONETO DAS ROSAS

          

   

Nos mais longínquos rincões

E nos mais belos jardins

Desabrocham lindas rosas

Inocentes sobre o chão.

 

Debruçando os seus encantos,

Avulta intensas alegrias

Exalando o seu perfume

E enfeitando os nossos dias.

 

Quando assim, formosa e bela,

É aviltado o seu encanto:

Espelho da vida!

 

 Maculado o seu fetiche,

 Cai por terra num suspiro

 Deixando a vida mais triste.

 

              Antenor Rosalino

 


domingo, 9 de outubro de 2022

ABISMO



Desfaço os laços dos subterfúgios

e da indiferença. Não busco, porém,

em outros céus, a paz sonhada

e renegada!.


Não mais questiono.

Meus lábios emudeceram!

Meu lenitivo é o ar que respiro

e a doce esperança na eternidade

que me cerca,  se avizinha...


Não sinto o sol abrasar-me,

nem vejo a brisa tremer!

Os meus olhos pranteados,

não me deixam enxergar

o luar rasgando o céu

e estrelas cintilar!


Sigo apenas meu caminho

entre atalhos e espinhos,

sem jamais me hesitar

ou querer me retratar.


Quando um dia nessa trilha

minhas forças fraquejarem,

e meu corpo serpeante

pouco a pouco definhar...


Pedirei com indulgência

A quem por desdita trilhar

esse caminho de enfado

e deparar de repente,

com algo vil sobre o chão:

Pisa de leve, sim?

 Pode ser meu coração.


          Antenor Rosalino

 

sábado, 24 de setembro de 2022

RENÚNCIA

   

    Nossos momentos felizes

    De inesquecíveis afagos

    Foram perfis de matizes

    A adornar nossas vidas!

 

    Os recíprocos afetos

    Não davam lugar à ojerizas,

    Melancólicos deslizes

    Ou fases de elegia.

 

    Toda a magia, entrementes,

    Com vagar desvaneceu-se...

    Pouco a pouco foi-se o encanto,

    Somente a efígie restou.

 

    Hoje afinal descobrimos

    A tristeza em nosso olhar.

    O vento dissipou as nuvens

    A noite perdeu o luar!

 

    As delícias e desgraças

    Elucidaram meu pensar:

    O mais difícil no amor

    É saber renunciar.

 

               Antenor Rosalino

 

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

ORÁCULO


Sinto a proximidade de Deus

Quando em momentos de paz

Ou de profunda aflição

Busco consolo e guarida

Nas verves asas da oração.

 

No imo, bem no meu íntimo,

Em meu refúgio perfeito,

Sinto a vida e me deleito

Nessa elação de ternura

Dentro do meu coração.

 

Minha prece encontra eco

Nessa morada de luz

Onde não vejo Deus, eu O sinto

Na inocência de um sorriso...

No fluir dos dias meus.

 

Na fragrância crepuscular

Desse enlevo enternecedor

- habitat do secreto e da verdade –

Vejo o rito da natureza muda

Trazendo perfiz de saudade.

 

Recebo sementes divinas

Desse oráculo, no meu imoo

E planto a esperança de um dia

Ver o amor fazer ninho

No brilho de cada olhar.

 

Reverenciando o Pai Eterno,

Na mais plena gratidão,

Morro pouco a pouco a cada dia,

Deixando os erros em abissais

Para encontrá-Lo  em oração.

 

 

               Antenor Rosalino

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

A MODÉSTIA E O PERDÃO


         

              

 

        Sê modesto!

        Não permitas que a ostentação

        Deslustre os teus feitos;

        Deixe que outros te valorizem

        E reconheçam a tua trajetória terrena.

        Sinta, guarde e oculte o teu ímpeto

         De sobrepor-se aos teus semelhantes.


         Siga as marcas da humildade dos

         Grandes sábios, os quais, em predestinada

         E sublime missão, fundamentaram suas vidas

         No servir, ostentando apenas o amor

         E ocultando a vaidade banal, pois o mérito

         Verdadeiro não gosta de se mostrar.

 

          Em simetria, cultive em dimensão irrestrita

          O exercício do perdão. Vê bem, que as flores

          Brilham entre abrolhos como a perdoá-los,

          E, indiferente às intempéries, esplandecem

           Ainda mais seu colorido donaire!

 

           Mesmo permeando em tempestade de

           Ingratidão perdoa sempre!

           Quanto mais tu perdoares,

            Mais te assemelharás aos Deuses!

 

             Deixe o perdão e a modéstia guiarem os teus

             Atos e, distante das aflições da alma, sentirás

             Mesmo entre as mágoas e o nada: a fragrância

             Das acácias ludibriando procelas, e teus olhos

             Reluzirão como a ver o fluir de cristais

              À flor da terra!

 

 

                                               Antenor Rosalino