quinta-feira, 11 de agosto de 2022

SUBLIMAÇÃO

 



A brisa mansa vagueia

Nas tardes do meu rincão,

Trazendo o aroma que enleia

Meu estro de inspiração.

 

Vejo as pétalas na roseira

Flamejando-se ao ar

E o sol poente permeia...,

Convidando-me a sonhar.

 

Na vida dial, neurastênica,

Sou assim: um sonhador!

Sonho paisagens edênicas

Com ninfas e mimos em flor.

 

 Quando me ponho a sonhar

 Em aquiescente langor,

Deixo o coração aflorar

Dourados construtos de amor.

 

A natureza impoluta

Descortinando o seu rit

Enleva meu ser dissoluto

 Às lendas, paixões e mitos.

 

 Só não atino na vida,

Com alaridos, guerras e ágmas

Que transformam chuvas de mísseis,

Em púrpuras torrentes de lágrimas.

 

 

                       Antenor Rosalino

 

quinta-feira, 28 de julho de 2022

ZÊNITE

   

 

                 

  Um dia deixarei a ilusão vil e efêmera

dos ofegantes terráqueos para viver,

plenamente, em profusão, toda pureza

da verdade eterna.

 

  Distante das amarras disfarçadas

de preceitos e ideologias vãs, serei liberto

e puro na calma do meu céu.

 

  Sem vestígios de máculas e da dor inútil,

apenas paz avivando o meu ser em

gloriosa sublimação.

 

   E no aconchego da sublime morada,

liberto do tempo e do espaço,  distante

das formas da ilusão, meu ser  se exaltará

em amor perfeito, junto a Deus eternamente.

 

                        Antenor Rosalino

 

 

terça-feira, 12 de julho de 2022

INVERNO

            

                

            No prelúdio inexorável do inverno,

            A luz do entardecer é calma e tristonha!

            O enlevo enternecedor

            Dos brandos raios de sol

Aquece, com a magia singela

Do seu manto crepuscular,

Os santuários da natureza incólume.

 

Os passarinhos velozes

- como navios singrando mares -,

Buscam em revoadas

O refúgio dos seus ninhos!

 

Contrapondo-se à matéria gélida,

Reascendem-se as ternuras

Sob o brilho dos vitrais,

E o calor volátil enleia,

Envolvendo dóceis almas

Nas alcovas das lareiras!

 

                         Antenor Rosalino                                               

 

domingo, 26 de junho de 2022

ÊXTASE



  

 

    No balanço dos teus passos

    Te encontro num abraço

    E meus olhos se embriagam

    Descansando o meu cansaço.

 

    Quando em meu peito desliza

    Tuas delicadas mãos,

    O teu sorriso maroto

    Liberta meu coração.

 

    Nossa mente em fantasia

    Ganha forma e simetria

    Quando livres em murmúrios

    Soam frases de orgia.

 

    Postergando preconceitos,

    Divagando o sensual,

    Deixo explodir no peito

    Este amor tão desigual.

 

    No fluir destes desejos

    Entre entregas e delícias,

    Me alimento dos teus beijos

    Nesta alcova de carícias.

 

    O olor do teu perfume

    Permisto com o puro ar

    Rufla a cortina branca

    Descortinando o luar.

 

 

             Antenor Rosalino

  

segunda-feira, 13 de junho de 2022

FLUÊNCIA DAS NUVENS




    Passa uma nuvem serena,

    Cruzando encanto do céu.

    De cor clara, tão amena,

    Ostentando-se ao léu.

 

    Desfilando formosura

    Na calma da amplidão

    Não se prende em clausuras

    Seu livre e fugaz condão.

 

    A lua sorri feliz!

    Abro um sorriso também

    Quando as névoas pueris,

    Devagar, seguem no além.

 

    Quando a magia esplendente

    Desse encanto se desfaz,

    Fico triste a esperar

    A outra nuvem que vem.

 

    Porém, fecham-se cortinas,

    Ficam os pássaros mais aquém,

    Quando a chuva vem mostrar

    Que as nuvens choram também.

 

 

                     Antenor Rosalino

    

 

 

 

  

segunda-feira, 30 de maio de 2022

DEVANEIO

 

   

                
  

De longe vieste em veste escarlate,

Trazendo as carícias dos anjos de amores.

No rosto, o esboço de um lindo sorriso:

Gentil alegria na tarde vazia!

 

 Vinhas trazendo os encantos,

Mas de desencantos eu vinha.

Contrastes da vida: espinhos e flores –

Sorrisos e lágrimas de tantos amores!

 

Envolta em elação de ternura,

Passaste em meu sonho,

Formosa candura!

 

Na cálida noite de madrugada fria,

Enlaçado em teus braços

Quando eu já dormia,

 

Na penumbra do quarto teu vulto movia.

Depois de um beijo, logo partiste

E no meu novo dia, voltei a ser triste.


 

                           Antenor Rosalino

 

quinta-feira, 12 de maio de 2022

FELICIDADE




Por que és tão fugidia?

Chegas assim, num repente,

Insuflando em nossas vidas

 Alegrias comoventes.

 

Essa alegria incontida

Ganha perfil de arco-íris

Entre estrelas matutinas

Num risonho amanhecer!

 

Porém, logo o desencanto:

Como veio, se esvai...

Dissipando-se nas nuvens,

Disseminando abissais.

 

Oh! Fugaz felicidade...

Afinal, quem é você?

Apenas breves momentos

Como belas canções donaires

Ou meteoros que caem?

 

Quisera ver essa paz diamantina,

Luz de amor perfeito e regozijo,

Ocultar de cada olhar em desatino

Os lampejos tristes da vida!

 

 

                Antenor Rosalino