quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

MANHÃ DE SOL




                                                            
                               


A manhã banhada em sol
Vem beijar as águas oceânicas.
O silêncio cômodo e profundo
Invade as ondas do vento
Efluindo luz e encantamento!

Num magneto de emoções,
As asas dos albatrozes,
Singrando a imensidão dos mares,
São bandeiras desfraldadas
Saudando o compasso dial
Em oferenda à existência.

A brisa mansa vagueia
Tecendo os raios de sol!
O tempo, a sombra e o vento
Disseminam entre suspiros
Abundantes energias calientes.

Num compasso de candura,
As crisálidas transcendentes
Perpetuam as quimeras
Visitando doces almas
Em oferenda de amor.



Autoria:  Antenor Rosalino

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domingo, 17 de janeiro de 2016

TRANSCENDÊNCIA




O silêncio é profundo.
Toda a Terra parece flutuar
Numa atmosfera solitária
Como jardins encantados
Em continentes perdidos.

A ausência nefasta
Desperta lamentos
Na trajetória inglória
Onde os suspiros se enleiam
À sombra dos ventos.

A brisa suave traz perfiz de encanto
E mergulho na fonte oculta e cristalina
Dos teus mistérios para tocar, delicadamente,
As entranhas da quietude que se faz perene
Em teus segredos de mulher.

Transcendentes ilusões
Descortinam-se nos arrebóis de cada dia,
Antes de a noite chegar com seu fascínio,
Em que as crisálidas flutuam na cidade adormecida
E as estrelas devolvem a realidade esquecida.


Autoria:  Antenor Rosalino
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sábado, 9 de janeiro de 2016

MORRE UM RIO





A quietude da cidade é fúnebre.
Sangra o coração dos munícipes,
Tanto quanto o rio de antigas águas cristalinas
E que agora se transmuta
Em caudal leito de lama!

Os sonhos se desfazem
E um torpor turva a visão dos filhos
Da terra desolada que cega os olhares
Atônitos e desesperançosos
Perdidos em espirais de tristeza.

Adeus, Rio Doce...
Negaram-te a vida que fluía abundante,
Atraída pelo silêncio da natureza
Em relances de sublime encanto.
E hoje, o teu trajeto é ritmado em pranto.

A negligência do homem foi fatal
Para o desmoronamento da barragem
Já tão fatigada pelo tempo.
E agora, tudo se desfaz: construções
Erguidas em suores, plantas e animais.

Fica a sensação estranha
De um céu esgotado por névoas difusas.
Nada mais fascina,
Apenas um silêncio fúnebre
Marca o calendário da natureza finda.



Autoria:  Antenor Rosalino

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

REFLEXÕES


                                         


Segundo Nietzsche, “o budismo nada promete e tudo cumpre, enquanto o cristianismo tudo promete e nada cumpre”.
  Penso que, tanto uma quanto a outra prometem a paz mundial se forem seguidos os seus preceitos. Acontece, porém, que a maioria dos seguidores de ambas as religiões, principalmente a cristã, não seguem os seus ensinamentos ou, o que é pior, deturpam e até desonram a essência da religiosidade.


  A vida nos ensina que, quanto mais sapiência adquirimos, mais nos conscientizamos do quanto temos a aprender.
 

  O tempo não muda. Nós é que devemos transmutar nossos pensamentos para o bem. E que pena vermos tantos de nossos irmãos se perderem na mesmice do próprio tempo. 


   Toda satisfação pessoal e todas as grandes
  conquistas da humanidade, são frutos das
  sementes de esperança e dos sonhos disseminados
  e nunca abandonados.
    As conquistas são proporcionais aos suores derramados .


  Na impossibilidade da realização dos sonhos contamos com o poder da imaginação para vivenciarmos o que desejamos e, através da mesma, encontrarmos formas de vida plena entre o impossível e a realidade presente.  


  O elogio aumenta a nossa responsabilidade no sentido de aprimorar nossos conhecimentos. A crítica, por sua vez, incita-nos
a repensar nossas vidas para possíveis mudanças de atitudes. Entretanto, quem critica precisa ter conhecimento de causa, sensatez e, sobretudo, fino trato.



  Mesmo entre mundos sombrios, os musgos se ostentam como as flores entre espinhos, exemplando-nos sobre a virtude de vivermos em quaisquer circunstâncias, sem nunca perdermos a serenidade e a compostura. 


Muitas vezes achamos que estamos perdendo tempo
Com alguém, quando, na verdade, sem sabermos,
Estamos sendo importantes para esse alguém.



POETA SÓ

Seguindo os ditames do meu coração poético,
E observando a natureza, os pássaros, o cocoricó...
Tornei-me este sonhador dúbio,
Somente um poeta só.



   Os poetas ostentam seu lirismo, não por vaidades pessoas, mas sim, pelo fato da poesia estar sempre latente em suas vísceras,
suplicando o momento de se exteriorizar.


  As sombras do tempo são névoas que se vão mas deixam marcas indeléveis de alegria ou de dor que o próprio tempo se encarrega de amenizá-las de acordo com a profundidade do sentir de cada um.



Sondando os versos, o poeta segue o seu destino de inquietação em busca do perfeccionismo e isso o torna diferenciado e às vezes, incompreendido, mas, sem dúvida, é um ser que enfeita ou procura enfeitar  a vida.



Que nome poderei dar a esse vazio misterioso e triste
Que vez por outra invade o meu ser?
Por que a madrugada me fascina?
E qual o porquê desse sentir de tão estranha felicidade
no crepúsculo do entardecer?



  Sem os poetas, a humanidade perderia a
visão da substância universal em seu fulgor
de sublime encantamento.


 A morte é inevitável para todos, e o que
melhor podemos fazer em nossa breve
existência terrena não são honrarias ou
glórias, mas sim,  deixarmos exemplos
dignos de ser seguidos. Isso sim é o que
torna um homem imortal. 



  O tempo veloz e breve não nos faculta o direito
de interrompê-lo e isso parece fazer com que os
poetas e poetisas em suas angústias se inspirem
ainda mais.


   A fisionomia retrata os sentimentos; e os animais que não falam traduzem isso com muito mais intensidade em seus semblantes de mistério e ternura.

As circunstanciais ausências físicas, as diferenças sociais, financeiras e quaisquer outras adversidades, por maiores que sejam, não são suficientes para desfazer o laço de fita de uma amizade sincera, predestinada à eternidade.



 As provações por que passa o poeta são camufladas em sorrisos e em versos magistrais que transmutam a realidade para um mundo de sonhos irreais. 


Às vezes é preciso ousar e mudar o modo de ver a vida. Até mesmo, apenas olhar o circunspecto para compreender a dimensão da beleza universal.



Entre encontros e desencontros,
 a vida segue ininterrupta,
e o amor acaba sempre deixando
a bruma invisível e aromatizante
da felicidade vivida e postergada.


Tal qual a alegria e a dor que, de tão próximas, por vezes choramos de alegria, o ódio também insiste em permear o amor, mas este sempre haverá de triunfar esculpido e decantado pelos ocasos da vida.


 Muitos são aqueles que têm fé inquebrantável no Criador.
Outros, porém, negam essa fé e ainda existem aqueles que
têm dúvidas. Mas acredito que todos, um dia, cada qual à
sua maneira, deverão aproximar-se de Deus.

A fúria da paixão sempre se dissipa como nuvens de outono. Somente o amor, na medida certa,  é que transcende e chega ao céu num encanto.


O sorriso amarelo prenuncia o triste fim, mas sempre há esperança antes do apogeu do desencanto. 



Que o adeus nunca seja o fim de experiências vividas com intensas emoções,  mas uma nova etapa das recordações mais queridas.


Estar perto não é algo físico. É muito mais que isso.
Trata-se de união de almas que se identificam
E essa união é tão sublime que transcende.




Autoria: Antenor Rosalino

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

É NATAL!


                                                     
                               



                                       Um meteoro cadente
                                       Enfeita o clarão da noite
                                       As flores noturnas balançam
                                       Afugentando os açoites.

                                      Os corações palpitam em alegria
                                      Vislumbrando o esplendor
                                      Da lua afagando a noite
                                      No Natal do puro amor!

                                      As luzes insurgem matizes
                                      Enquanto as almas uníssonas
                                      Recebem bênçãos divinas
                                      Pela leda madrugada.

                                      O sol se faz eclipse
                                      Vagante pelo espaço
                                      Postergando o apocalipse
                                      Na sublime íris do prado.
                                           
              * * * *

        Merry Christmas to all!
                                       
        Buon Natale a tutti!

        Feliz Natal a todos!...





  Autoria:  Antenor Rosalino

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domingo, 29 de novembro de 2015

AMIZADE TRANSCENDENTAL

                                    

 Hoje venho discorrer um pouco sobre a amizade, quando verdadeira, e sua significância em nossas vidas. Sobre a amizade que vai acontecendo e transcende...
 Reporto-me aqui, como ilustração, a um fato curioso ocorrido na minha própria casa há algumas décadas. Meus dois filhos estavam brincando, mas, de repente, se desentenderam de tal forma que tive de agir de modo enérgico.  Pedi a ambos, então, que ficassem de joelhos num determinado lugar da casa, obviamente, por apenas alguns minutos. Acontece, porém, que, um coleguinha deles que veio também brincar em casa e presenciou a cena, imediatamente, após a minha ordem, dirigiu-se a mim de forma resoluta e foi logo dizendo: “Se eles ficarem de castigo me deixa ficar também”. Ora, imaginem a imagem que os pais daquela criança teriam de mim, ao ver o filho sendo castigado na minha própria casa. Não consegui suportar o desejo de dar uma boa gargalhada... Assim o fiz, e todo aquele clima indesejável acabou se tornando motivo de sobejante alegria.
  Com base nesse exemplo, dentro da minha humilde compreensão, fico a imaginar o quanto significa a felicidade de podermos contar com alguém que se preocupa conosco, que se posiciona sempre a nosso favor na alegria e na tristeza, que anda, corre e acompanha nossa jornada.
  Muitos são aqueles que se dizem amigos, mas, na verdade, poucos são aqueles que podemos considerar na concepção da palavra.
  O que é notório nos dias atuais é o incrível aumento dos relacionamentos virtuais. Evidentemente, todo e qualquer relacionamento, quando salutar, é bem–vindo, mas este não substitui a proximidade física. Soma-se a isso, o fato de que, apesar de podermos também estar presentes à distância, metafisicamente, trazendo a pessoa querida dentro do coração, o distanciamento faz com que fiquemos bem mais sujeitos a sermos enganados. Definir uma boa amizade, com quem vamos caminhar junto, rir e chorar, suportar adversidades e continuar com amizade inquebrantável sugere presença física.
  Não estou dizendo, com isso, ser esta a única forma de pensar a amizade, nem tampouco insinuando que possa existir uma receita para que tudo dê certo. Apenas aponto um pensamento, por ter me lembrando do caso do garotinho que, em sua atitude pueril, naquela ocasião me fez rir e hoje faz com que brotem lágrimas dos meus olhos por saber que, na hora da angústia, o amigo de verdade se torna um irmão.



Aiutoria:  Antenor Rosalino

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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

SUPERAÇÃO




                                         


Nos dias calmos e breves,
Não busco respostas para as emoções aflitivas
Comumente causadas pelas dores
Que se afiguram infindáveis
Quando das perdas de entes queridos.

Com o coração inerme
E despojado de angústias,
Busco lenitivo na certeza
De que o amor que dediquei
Foi mais profundo do que a dor da perda.

Assim, no meu caminhar, por vezes, soturno,
Concluo que o amor dedicado
Não pode ser superado por sentimentos tristes.
O pranto dos meus olhos nunca foi o desejo
Das pessoas queridas que me esperam,
Em regozijo, do outro lado da vida!

Rompendo o silêncio das amarguras,
Convenço-me, a cada instante,
De que minhas atitudes não foram indignas,
E absorvo as perdas com naturalidade,
Anàlogamente às flores que denotam nostalgia
No dia que se esvai, mas reflorescem veludíneas
E perfumadas no amanhecer que se enuncia.



Autoria:  Antenor Rosalino

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