quinta-feira, 16 de abril de 2020

O CREPÚSCULO E O LUAR

    
       


    A tarde grafita a luz crepuscular
    Sob transparentes penumbras
    De rendas e cetins
    Em perfeita glória escarlate.

    Afugento-me da ventania
    E espero o plenilúnio
    De noites estreladas
    Que revestem sonhos na madrugada.

     De repente uma penumbra triste
     Chega navegando mansamente
     Com esboços de rostos queridos
     Na minha solidão doída.

      No cinza da grande cidade
      A  noite reluzente abraça a Terra
      Sigo então minha sina
      Eu e o luar somente.
  


                            Antenor Rosalino









domingo, 29 de março de 2020

VAZIO



                          

           



       Busco preencher meus espaços vazios
      Distraindo o tempo com meu silêncio.
      E quando me dou conta
      Vejo a tristeza estampada em minha retina.

      As palavras não expressam o meu sentir.
      Ficam melancólicas, retidas na minha garganta
      Como a desejar trazer nuanças de mau agouro
      Em lacunas de profunda solidão.

      Sinto ventos contrários devorando sombras.
      Tudo emudece. Não há poesia...
      As venturas dos instantes se ofuscam.

      O coração clama pelo perfume do leito
      Nas noites escuras de páginas tempestuosas
      E obscurecem, também, as arestas da minha alma.



                                     Antenor Rosalino



sexta-feira, 13 de março de 2020

PRENÚNCIO DO ANOITECER



                 
                             

    A íris de sublime encanto prenuncia a noite bela.
    Há um misto de serenidade e alegria
    No perfeccionismo poético da natureza,
    Enquanto o sol se esvai no infinito!

    Tudo então ganha sentido
    Na calmaria terna desse apogeu de paz,
    E meus olhos se inebriam feito lume
    No silencio e na razão do meu pensar.

    Em tons de suave melancolia e glória
    A lembrança crepuscular permanece tácita
    Como lendas infantis perpetuando na memória.

    É como se chuva de estrelas caísse do céu
    Distraindo a parte triste do mundo
    E as auguras nefastas de abandonados mausoléus.


                                          Antenor Rosalino

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

CARNAVAL



 
 
Em sobejante euforia,
Blocos coloridos adentram na avenida.
Confetes e serpentinas
Emolduram os perfis de pierrôs e colombinas.

 Ilusão de vagos pensares
 E sentimentos de glórias
 Fundamentam-se altaneiros
 No disfarce destas horas

 Fantásticas arquiteturas...
 Esteira de alegoria engendrada
 Num mundo feito de máscaras.

 Por trás do aspecto camuflado
 Um desfilar de amarguras
 Denotando o viver hostil, súplice e ultrajado.

 
                            Antenor Rosalino

 

 

                      

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

ARMAS NUCLEARES




                                    

 

  A produção de armas nucleares pelas grandes potências salta aos olhos da população mundial causando não só extrema preocupação, mas perplexidade.
  O potencial destrutivo desses armamentos pode levar à extinção total da humanidade.
  Um olhar atento a essa questão nos leva a observar que, na eventualidade de um conflito mundial, não seria preciso nem mesmo a utilização de todas as armas e mísseis disponíveis, mas apenas algumas explosões causariam tão grande impacto que, muito possivelmente, não teríamos como sobreviver a tal conflito, pois os efeitos mortíferos das explosões são extremamente extensos e os alvos seriam atingidos com velocidade incrível.
   Lembro-me, agora, da tocante frase de Guimarães Rosa: “Se todo animal inspira sempre tanta ternura, que houve, então, com o homem?”
   Na minha introspecção, concluo que só há uma alternativa para a mudança radical dessa situação de pânico: um pacto entre todas as nações do mundo no sentido de desistirem da corrida armamentista.
   Para um país se proteger não é preciso visar estratégias alucinantes de poderio militar. Todas as nações têm suas forças armadas e meios sensatos para o combate a invasões ameaçadoras. E se isso ocorrer, os detentores do poder dos países envolvidos devem se empenhar com denodo e esgotar todos os esforços possíveis em diálogos que levem à paz desejada para todos.
   Por outro lado, sabemos de sobejo, que são imensos os recursos econômicos destinados para as guerras, os quais poderiam ser utilizados para fins pacíficos e altruísticos em favor de pesquisas mais profundas e tão necessárias para o desenvolvimento em todas as áreas científicas e programas humanitários no afã de um mundo muito mais solidário.
   O homem deste século não tem tanta noção no seu cotidiano de quanto depende da proteção e da técnica. Está tão condicionado aos meios eletrônicos e botões da avançada tecnologia que se vê mais robotizado que um robô. Urge, portanto, também desvincularmos um pouco dessa dependência, pois estamos a caminho de não sermos autônomos e capazes de suprir  nossas mínimas necessidades.
   A busca desenfreada para sofisticações de armas nucleares cada vez mais potentes remete à imortal frase de William Shakespeare: “Homem, orgulhoso homem, que investido de tão pequenina e passageira autoridade, empreende tão fantásticas missões perante os céus que fazem os anjos chorarem”.


                                                                   Antenor Rosalino



                                                                          

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

CIDADE DA GAROA






    A garoa transborda gotas pequeninas...
    Cristais de lágrimas rochosas
    Como um dossel flutuante
    De encontro à imensidão do céu.


    Pujantes construções históricas...
    Sobejantes arranha-céus perfilados
    Simbolismo de altivez e glória
    Dos paulistanos que fazem história.


     Vinte e cinco de janeiro!
     Dia da fundação da cidade olimpo
     Que a todos acolhe em seu leito límpido.


     Cidade da garoa – oásis de sonhos poéticos!
     Orgulho dos brasileiros que festejam
     O seu aniversário em premissas de vitórias.



                            Antenor Rosalino

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O BAILAR DO VENTO




     


    O vento uiva por entre as rochas.
    Sopra o alvor do dia que surge
    Como se perseguisse pó de estrelas longínquas.

    Sorrateiro, segue o percurso dos mares.
    Transpõe obstáculos, chega às montanhas
    E se debruça nos campos cobertos de trigais.

    Visualizo essa brisa que segue.
    Viajo sob asas de anjos benditos
    Para compor o verso mais bonito.

    Como um milagre de Deus,
    Meus versos se avultam
    Em noites reluzentes no neon das ruas.

    Embalo-me assim em degraus de sonhos
    À luz de eternas fantasias
    Num rosário lastro em melodias.

    Sinto a brisa que passa
    Balançando as sombras projetadas
    E me entranho nesse bailado sem fim.


                Antenor Rosalino