segunda-feira, 30 de maio de 2022

DEVANEIO

 

   

                
  

De longe vieste em veste escarlate,

Trazendo as carícias dos anjos de amores.

No rosto, o esboço de um lindo sorriso:

Gentil alegria na tarde vazia!

 

 Vinhas trazendo os encantos,

Mas de desencantos eu vinha.

Contrastes da vida: espinhos e flores –

Sorrisos e lágrimas de tantos amores!

 

Envolta em elação de ternura,

Passaste em meu sonho,

Formosa candura!

 

Na cálida noite de madrugada fria,

Enlaçado em teus braços

Quando eu já dormia,

 

Na penumbra do quarto teu vulto movia.

Depois de um beijo, logo partiste

E no meu novo dia, voltei a ser triste.


 

                           Antenor Rosalino

 

quinta-feira, 12 de maio de 2022

FELICIDADE




Por que és tão fugidia?

Chegas assim, num repente,

Insuflando em nossas vidas

 Alegrias comoventes.

 

Essa alegria incontida

Ganha perfil de arco-íris

Entre estrelas matutinas

Num risonho amanhecer!

 

Porém, logo o desencanto:

Como veio, se esvai...

Dissipando-se nas nuvens,

Disseminando abissais.

 

Oh! Fugaz felicidade...

Afinal, quem é você?

Apenas breves momentos

Como belas canções donaires

Ou meteoros que caem?

 

Quisera ver essa paz diamantina,

Luz de amor perfeito e regozijo,

Ocultar de cada olhar em desatino

Os lampejos tristes da vida!

 

 

                Antenor Rosalino


quinta-feira, 28 de abril de 2022

INOCÊNCIA DO SER

 

                                    

                     

  Pelas vicissitudes da vida, acabamos por

nos tornarmos não a essência do que

 poderíamos vir a ser, mas aquilo que os outros e

as circunstâncias fazem com que sejamos.

 

  De repente, surgimos no mundo sem

 sabermos o porquê e sem ter pedido. Aos

 poucos, surge o despertar da angústia de

 desejarmos a liberdade pessoal num mundo de

 encanto e paz, ao mesmo tempo em que avulta

 a consciência de que nascemos 

para obedecermos regras e morrer.

 

  Há um choque lancinante por sabermos que

 fazemos parte do domínio universal, infinito e 

belo, mas que somos mortais, na imensidão de

 um mundo imortal. 


  E assim passam-se os dias entre alegrias e

 tristezas, e da mesma forma repentina em que

 surgimos para a vida voltamos ao nada ou a

 outro plano existencial do qual nossos sentidos

 não são capazes de prognosticar.


                                  Antenor Rosalino

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 14 de abril de 2022

MENINOS DE RUA

                    


                     

                        Dispersos na multidão ofegante

                        Dos centros urbanos que estuam,

                        Sobejam seus vagos olhares

                        Os pobres meninos de rua.

 

                        Curvam-se em reverência

                        Aos apressados transeuntes,

                        Implorando no trânsito insano

                        Um ato benevolente.

 

                        A vida não lhes sorri,

                        Mas sorriem para a vida.

                        De peito aberto num mundo incerto,

                        Amargam a sina nas frias esquinas!

 

                         Ludibriando constantes enganos,

                         Vestem-se de inócua alegria,

                        Quando ao sol do dia findo,

                         Voltam-se ao subúrbio sorrindo!

 

                         Compreendo alguns deslizes

                         De seu viver inconsequente,

                         Pois vêm de lares onde a ira

                         Faz morada permanente.

 

                        Vislumbram em seu submundo:

                        As estruturas mudarem,

                        Para ser cidadãos no mundo

                        E seus sorrisos brilharem!

 

 

                                       Antenor Rosalino

quinta-feira, 31 de março de 2022

REVISTA BARBANTE

 

                               


      


Acróstico em homenagem à

Revista Barbante nos seus

10 anos de existência em favor

do bem comum e do mais alto

relevo da literatura e da poesia.

 


                         REVISTA  BARBANTE


            R evigora a literatura brasileira

            E  a engrandece,  iluminando nossas almas.

            V em como o nascer de um dia de sol

            I mpregnando-nos de  felicidade em prosas e rimas.

            S imulando sonhos e ilusões guardadas

            T ransporta-nos para o mundo dos astros e da magia.

            A  ssim se configuram os escritos da Revista Barbante.


            B ailam as palavras que reviram o coração e faz

            A noite reluzir no neon das ruas!

            R etrata saudades do que perdemos e ganhamos na vida.

            B usca o suspirar da felicidade eloqüente na

            A ntevisão de um futuro de paz e calmaria, assim como

            N o frescor dos arrebóis, os pássaros deixam se refrescar!

            T endo o ápice da literatura como bússola

            E m noites de plenilúnio a Revista Barbante é taça de luar.

 

                                                       Antenor Rosalino

sexta-feira, 18 de março de 2022

SABER VIVER



Vai morrendo aos poucos quem não voeja

Por horizontes de paz e simplicidade.

Quem não observa o movimento das ruas,

Quem não se dispõe a leituras diversificadas,

Quem não sente prazer ao ouvir uma música,

Quem não encontra graça em si

E não desfruta das coisas que a vida nos oferta.

 

E assim morre lentamente.

O amor próprio desvanece

E se torna escravo das próprias atitudes

Sob luas sombrias....

Postergando o amor que traz brilho aos olhos

Na existência incerta de seguir seus sonhos.

 

Sigamos, portanto, a caminho das tardes

Silenciosas e calmas entre as flores dos cântaros

Deixando para traz a tristeza

Dos caminhos íngremes.

Tudo, então, irá florescer num eldorado

De órbitas em horizontes divinos

De sol e fragrâncias e de ninhos dourados

com imensa ternura e alegria,

Onde os corações esperam acontecer

Os remansos dos milagres primaveris

Quando o vento beija opalas com prazer.

 

                          Antenor Rosalino

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 4 de março de 2022

SOBRE OS POETAS

 

                   

 

  Quem são os estranhos seres?

  Parecem ser enigmas ambulantes. Andam pelas ruas, sobem e descem ladeiras e escadas com olhares perscrutadores, tendo os olhos, quase sempre, voltados para o infinito dos céus, para a amplidão dos luares...

  Afiguram-se como “príncipes das nuvens”, como se possuíssem gigantescas asas, as quais, os impedem de caminhar em igualdade de condições com aqueles que não possuem o privilégio de uma percepção mais aguçada e crística dos mundos material e espiritual.

  Na sua passagem pela vida afora, deixam pegadas de ternura e exemplos perpétuos nas mais profundas fontes e abissos da memória, e vão colhendo, no jardim da existência, flores vívidas ou fenecidas e para cada qual, uma poesia é aventada.

   Sondando os versos, o poeta segue o seu destino de inquietação em busca do perfeccionismo e isso o torna diferenciado e, às vezes, incompreendido, mas, sem dúvida, é um ser que enfeita ou procura enfeitar a vida.  

     Sem os poetas, a humanidade perderia avisão da substância universal em seu fulgor de sublime encantamento.

 

 

                                            Antenor Rosalino