sexta-feira, 8 de agosto de 2014

LIÇÕES DAS ÁGUAS


                                 
                                                                       
                                              


  Assim como os ventos arrolam as folhas e flores fenecidas nas paisagens, as águas pluviais aumentam o volume dos rios, mares e cachoeiras que nos encantam com seus fantásticos espetáculos naturais.
  Observando a transposição das águas vencendo obstáculos em veredas íngremes, é notório que, quanto mais surgem os empecilhos, mais e mais as águas nos apresentam translúcidas em suas luminescências e seguem os seus percursos de modo tão resoluto e contínuo, que demonstram até mesmo, indiferença às intempéries, aos muitos e penosos obstáculos a serem transportados até o seu destino final, na imensidão dos mares, quando mesmo assim, continuam serenas e tranquilas a nos exemplar na amplidão.
  A meu ver, podemos, com este espetáculo magnífico da natureza, tirar lições e fazermos uma analogia com os grandes feitos da humanidade que somente são conseguidos e se projetam para o mundo com fulgor, após muitas lutas e esforços para que as adversidades sejam vencidas.
  As cachoeiras vencem obstáculos e as águas saltam em cascatas que maravilham o mundo. Do mesmo modo, as grandes mentes em sua persistência arrebatadora deixam legados que fazem histórias e se imortalizam pelo tempo na memória universal.
  Imaginemos como seria o mundo desde os primórdios tempos da humanidade, se não tivessem surgido mentes dotadas dos ideais iluminados da perseverança. Não é difícil concluirmos que seríamos desprovidos em nossos dias atuais de todas as fantásticas invenções que fazem com que possamos viver com muito mais conforto, que observemos a vida e a natureza de forma bem mais abrangente e desfrutemos de toda ou quase toda a abundância de tudo que permeia o nosso viver terreno.
  Um dos fatores mais relevantes que podemos atribuir à não desistência e à sublime busca no sentido de beneficiar a humanidade, é o trabalho silencioso e de introspectiva abnegação dos escritores. Estas mentes pensantes em todos os gêneros: científicos, didáticos, literários e poéticos, são despojadas de egoísmos e diferem dos mercenários que vivem em função do lucro.
  Os escritores em todos os tempos sempre tiveram como o seu bem maior, buscar incansavelmente nos profundos abissos da memória, ideais iluminados que possam fazer com que as pessoas reflitam, repensem suas vidas, aprendam a buscar iniciativas dinâmicas nas diversas áreas de conhecimento e nunca desanimem de seus projetos de vida, desde que, é óbvio, sejam destinados para o bem comum.
  A perseverança destes seres que muitas vezes nos parecem estranhos, absortos no seu mundo de pensares elevados, tal como as águas indiferentes ao circunspeto, seguem o seu percurso deixando ideias no mundo que fazem o homem pensar. E assim, assimilados pelos buscadores de progresso que nunca desanimam dos seus objetivos é que o homem diferencia dos animais, não só em se tratando de inteligência, mas, sobretudo, no sentido de saber aproveitar pelo menos parcialmente essa inteligência, e o resultado desse abnegado e nunca postergado esforço salta-nos aos olhos a todo instante, com os incríveis avanços científicos, tecnológicos e no modo de vida das pessoas de um modo geral, fazendo com que o ser humano tenha sempre mais possibilidades de assemelhar-se aos deuses e à luminescência das águas em seus acrobáticos contornos às adversidades rumo ao seu destino final.



Autoria:  Antenor Rosalino

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sábado, 26 de julho de 2014

ESPAÇO DO ESCRITOR


O poema abaixo é uma homenagem ao
“Recanto do Escritor”: um espaço criado
na Biblioteca Pública Rubens do Amaral,
de Araçatuba, destinado às obras e eventos
dos escritores locais.





                         ESPAÇO DO ESCRITOR

Na silenciosa serenidade deste espaço cultural
Fulguram, em sublime plenitude, as obras comoventes
Advindas da imaginação esculpida e colossal
Dos escritores araçatubenses.

No fluir ininterrupto de suas letras pensantes,
Nem mesmo o tempo fugaz
Consegue ruir seus escritos
            Que se ostentam como flâmulas na existência!

Fluentes como a graça da vida e as cores douradas do Sol
Em fulgores de encantamento e estesia,
Os escritores locais deixam em nós
Um pouco da luminosidade que reveste as suas vidas.

Aqui repousam e são manuseadas obras diversificadas.
Há eventos culturais que muito acrescentam à alma livre
E essas obras aqui expostas incitam descobertas
Que induzem a colheitas de sentimentos ternos e gratificantes.

Este recanto de luz contém muitos caminhos...
É templo de ideias sábias, marcantes e cativas
Que se eternizarão em nós e estarão aladas no infinito
Deixando rastros de luz no entardecer de cada dia!



Autoria: Antenor Rosalino

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sábado, 12 de julho de 2014

PAI E FILHO





  Os dias corriam sempre calmos e tranquilos na casa do Belizário, um caminhoneiro muito estimado e conhecido no bairro suburbano onde morava com a esposa Lucinda e seus dois filhos ainda crianças.
  Belizário era extremamente trabalhador, muito devotado à família e apaixonado por futebol. A sua vida pacata se resumia principalmente apenas nisso: ao trabalho em cuja empresa trabalhava há muitos anos, tendo se constituído num funcionário exemplar, assíduo em suas obrigações e líder em potencial, apesar de sua pouca escolaridade, à família unida e sempre feliz e em assistir os jogos do seu time favorito.
  Não eram raras as vezes em que, em dias de folga do trabalho, brincava alegremente com os filhos e parecia até mesmo uma outra criança, em vista do seu jeito extrovertido e brincalhão de ser.
  O elo afetivo que prendia o dedicado pai aos filhos e vice-versa era exemplar e admirável. A esposa já havia se habituado ao fato de ver a família atrasar-se para o almoço ou para o jantar, por conta das brincadeiras entre o esposo e os filhos.
  Num desses dias, porém, em que tudo parecia festivo e a vida transcorria como num eldorado de sonhos, Belizário interrompeu a brincadeira com os filhos, alegando não estar se sentindo bem. A atitude do caminhoneiro entristeceu as crianças e preocupou Lucinda, pois Belizário nunca havia se queixado, absolutamente, de nada. Pelo contrário, fazia sempre questão de dizer que possuía saúde de ferro.
   Sentaram-se todos ao redor de Belizário e, após a sugestão da esposa para irem ao médico, o marido recusou-se de forma veemente e, paulatinamente, foi melhorando o seu estado de saúde até que, tudo enfim voltou ao normal.
   No dia seguinte, logo após chegar ao trabalho, subitamente, outro mal estar veio aborrecer e preocupar o caminhoneiro. No serviço, julgando não ser conveniente contrariar o gerente da empresa, seguiu o conselho deste e foi levado ao médico que solicitou vários exames, já presumindo algo bem mais sério do que os familiares e amigos pudessem imaginar.
  Em poucos dias os exames foram concluídos. Nesse ínterim, outro mal estar seguido de intensa dor veio atacar o caminhoneiro, o que levou Lucinda a preocupar-se bem mais com o marido.
  Enfim, de posse do resultado dos exames, marido e mulher se dirigiram ao médico que, por sua vez, constatou ser o Belizário possuidor de uma doença rara, denominada ELA – esclerose lateral amiotrófica,  cuja doença vai consumindo o organismo do paciente em decorrência da degeneração da musculatura de forma rápida e avassaladora.
  E assim, o pobre caminhoneiro foi internado. Durante esse período, a esposa foi alertada pelo médico de que, infelizmente, Belizário teria pouco tempo de vida. E como nada mais poderia ser feito, após uma rápida internção, deram alta ao pobre homem para que ele passasse, na própria casa, ao lado da esposa e dos filhos, o pouco tempo de vida que lhe restava.
  O tempo transcorreu velozmente. As crianças perderam a alegria   característica dos seus olhos vívidos postergaram as brincadeiras de rotina. A família vivia entre penumbras tristes, na angustiosa expectativa do suspiro final de Belizário. Causava dor a quem visse as duas crianças do casal presenciando o inevitável definhamento do pai. Os olhos do mesmo se movimentavam como a desejar dizer algo e a consciência permanecia intacta.
   Numa tarde de verão, após intensa agonia, Belizário, já sem fala, lançou um olhar significativo à dedicada esposa e aos filhos e expirou.
  Passados alguns dias, um pouco mais resignada com tudo o que aconteceu, Lucinda encontrava-se na sala de estar com os filhos quando, o mais novo, repentinamente, com ostensiva inocência no olhar assim falou: “Mamãe, vou pedir para Deus me deixar morrer também, assim eu vou poder ver o papai e brincar com ele no céu”.



Autoria:Antenor Rosalino

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terça-feira, 1 de julho de 2014

CORCEL




                                                             
                                        


Em passos firmes, fere o chão
Rasgando os ares com volúpia
Como a buscar em outros mundos
O sentido perfeito da vida.

Escultura viva tão presente e,
Ao mesmo tempo, tão ausente de nós...
Flutua veloz numa inconstância fria
Mas de encantamento assaz!

Obediente e ousado,
Cumpre a jornada do seu destino na aragem
Enquanto os ventos uivam
Saudando a sua passagem.

A liberdade se faz plena em seu galope
E a natureza em fulgores de estesia
Completa o espírito livre
Na alquimia da mais pura sintonia.



Autoria:  Antenor Rosalino

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terça-feira, 24 de junho de 2014

A ARTE DE ENSINAR

                                 
                                                    


 Comumente, em vista da crescente falta de maior solidariedade, respeito humano e do significativo aumento da violência em todos os sentidos, ouvimos com frequência a verdade insofismável de que a educação está deturpada e que esta vem do berço, da maneira pela qual somos criados, pelos exemplos que nos são transmitidos desde a mais tenra idade, e que esta educação é também oriunda, em parte, do que aprendemos nas escolas.
O motivo desta deteriorização de valores é, portanto, conhecida, mas não ouvimos propostas claras para a solução deste tão preocupante estado de coisas.
   É fácil deduzir que, se o que aprendemos através dos livros e dos ensinamentos dos nossos mestres lapidam e emolduram a nossa educação,  que tal a introdução, nas escolas de ensino fundamental, de ensinamentos de boa conduta e da premente necessidade do cumprimento de preceitos morais, no afã de transmitir aos alunos um complemento bem mais abrangente à enfraquecida educação recebida atualmente na maioria dos lares?
   Em princípio, os professores teriam reuniões periódicas com pessoas instruídas e de educação apurada, que poderiam ser contratadas ou convidadas como voluntárias para discorrerem sobre os assuntos em referência e, por fim, elaborarem, conjuntamente com os professores, métodos educativos de boas maneiras que possam ser levados aos alunos com a devida acuidade de uma linguagem clara, simples e de fácil compreensão.
   Obviamente, não é esse o papel fundamental da escola pública e de nenhuma outra instituição de ensino, mas, em face da assustadora realidade  presente, em que a grande maioria das nossas crianças e jovens vêm distanciando-se sempre mais das obrigações de respeitabilidade que deveriam nortear as suas vidas, algo precisa ser feito para que as perspectivas futuras do país sejam revestidas de melhoras reais, e que essas melhorias de valores humanitários possam ser consideradas e aguardadas pelos menos a médio prazo.
    Há outro fator preponderante para o maior leque de conhecimentos dos alunos: é a necessidade da preocupação e vigilância sempre constante do Ministério da Educação, no sentido de aprimorar, modernizar e tornar cada vez mais compreensível e qualitativa a didática, a arte de ensinar por parte dos professores, os quais, por todo esse contexto, merecem mais do que nunca, o nosso maior respeito, estima e ser valorizados devidamente, em corolário, por suas tão meritórias e abnegadas funções.



Autoria: Antenor Rosalino

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sexta-feira, 13 de junho de 2014

ESCRITOR



                                                        
        




       Nas horas silenciosas e calmas,
       A imaginação voeja em horizontes de sonhos
       E os escritos fluem abundantes,
       Como o rio buscando o mar!

       O tempo o veste de pureza na senda esculpida
       De suas letras pensantes e segue a jornada
       Do destino traçado buscando formas e exemplos simples
       No afã da literatura mais pura em sua plenitude.

       Sempre com olhos perscrutadores
       Voltados ao horizonte longínquo,
       Mas sempre atento a tudo e a todos,
       Possui o escritor mais alma?

       Está presente entre nós, mas ausenta-se, vez por outra,
       Como neve dissolvendo-se ao sol,
       Talvez em busca de inspiração, e volta,
       Num átimo inusitado, esculpido e decantado!

       E quando deixa a vida terrena,
       Rumo ao mundo das estrelas,
       Fica o perfume das rosas em suas lápides
       E, entre nós, um pouco do céu que nele existe.



       Autoria:  Antenor Rosalino

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domingo, 1 de junho de 2014



                                               


Acróstico a mim dedicado pela amiga
e poetisa Cida Maia Oliveira


Amor à poesia é o teu valor nos dias atuais.
Nada substitui o teu talento singular.
Tens sensibilidade que nos extasiam
Entre as flores nos caminhos a palmilhar.
No âmago do teu ser há beleza.
Ontem, hoje e amanhã serás luz
Roçando nossas almas com a tua beleza.
 


Retribuição à querida amiga
e poetisa Cida Maia.


Caminhando em veredas profícuas
Iluminadas de paz e de um lirismo embriador,
Despida de vaidades e disseminando ternura,
A tua presença terna e poética nos leva a entender estrelas!

Mãe abnegada, psicóloga de valor inenarrável,
Além de discorrer em versos de extremada beleza o
Indizível magneto da vida e do amor maior,
Avulta-se como um sonho enfeitando o mundo!

Os contextos de tuas odes amoráveis te divinizam...
Lira de sonhos! Poetisa do amor!
Infinitas irradiações amoráveis advêm
Verbalizadas em tua poética para
Encantar e energizar a tua legião de privilegiados leitores.
Inventividades líricas nunca se ausentam de ti.
Réstias e centelhas de luz divina
Abençoam o teu ser que sempre haverá de ser feliz.


                                           Antenor Rosalino



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