sábado, 1 de agosto de 2026

O CREPÚSCULO DA VIDA


                                                          


 

A voz quase sempre ausente e rouca

Murmura palavras em monossílabas

Lentas, tristonhas,

Buscando em desalento

O carinho dos entes queridos

À sua ansiedade louca.

 

Ânsia de melhor ouvir,

Sentir e sonhar

Novamente os encantos

Das quimeras e lembranças

Tão nítidas em seu olhar.

 

Suas mãos cansadas e trêmulas,

Pousam sobre o encosto

Da velha cadeira vermelha,

O mesmo vermelho a confundir-se

Vez por outra,

Com a luz do seu olhar

A marejar!

 

As emoções do presente

Não trazem como outrora

A alegria, o esplendor do porvir

E suas vertentes;

Apenas lembranças, ternas lembranças

De um risonho amanhecer...

De tão longínqua aurora.

 

Seu caminhar é lento, indeciso.

O seu sorriso é brando

Entre as rugas a se untar,

Mas a serenidade é vívida

Tal qual, a suavidade do seu olhar.

 

Depusera dos sonhos e da ilusão

Para viver, enfim,

A indizível quietude

Da vida em refração.

 

 

                                                                               Antenor Rosalino


12 comentários:

  1. Olá, meu caro amigo e poeta Antenor, a sensibilidade e o talento do poeta falou da tristeza e das lembranças do homem idoso sentado na sua cadeira vermelha, quem sabe lembrando de suas brincadeiras com seus amiguinhos de infância, entre risos e correrias, de um tempo que ficou apenas em sua memória, quem sabe seu alento e sua força para viver mais algum tempo. Lembranças que ao mesmo tempo são tristezas e alentos,
    mas, a tristeza emoldurada pela alegria que viveu nos seus anos dourados.
    O poema canta também o tempo atual do homem com lembranças, mas quem sabe sem esperanças, o que é tão comum e triste, na derradeira etapa da vida. É nessa etapa final que Deus se faz presente no coração do idoso, em busca do perdão e, mais que isso, de sua salvação.
    O poema trata dessa dureza da fase final da vida, mas coloca sempre, o bálsamo que as mãos do poeta contém.
    Caro poeta Antenor, parabenizo-lhe pela inspiração e pela sabedoria com que conduziu o poema, fazendo esse retrato da vida.
    Desejo ao poeta amigo e aos seus queridos familiares, um excelente domingo na sua bela Araçatuba.
    Grande abraço daqui do Sul.

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    1. Estimado amigo e poeta Pedro Luso,
      Sim. o contexto traduz o meu profundo pensar sobre os momentos nostálgicos tão frequentes na vida dos idosos.
      É bem triste a constatação do corpo desacelerando com a energia restante fluindo apenas para as funções vitais.
      É bem adequada a sua afirmativa poética de que, apesar de tudo, fica o alento "emoldurado pela alegria vivida nos anos dourados".
      As suas considerações tão sábias e elogiosas povoam meu coração de contentamento, pois me fazem acreditar que não está sendo vã a exteriorização do meu sentir poético.
      Profundamente agradecido, pela honra de sua visita e tocante comentário, desejo-a você e família um domingo também iluminado e feliz.
      Afetivos abraços desde o Sudeste até o Sul que abriga a sua aconchegante e belíssima Porto Alegre.

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  2. Olá, meu amigo poeta Antenor, li com muita emoção o seu poema que enfoca a fase final que todos nós passaremos, uns passarão essa fase da vida com o conforto dos anos bons que foram vividos.
    Você abordou um assunto que nos toca de várias maneiras, mas com muita sensibilidade, mas infelizmente assim será.
    Você abordou de uma maneira muito verdadeira, mas com bastante suavidade, ficou lindo, não deixou de tocar nos nossos sentimentos, uma realidade pesada, não é amigo? E não temos como não pensar.
    Lembro de minha conversa com meu pai, já doente, e falando com ele, disse-me que não estava com medo, mas muito triste por nos deixar... jamais esqueci nossa conversa, ficamos abraçados e choramos... Muito forte aquele momento, meu amigo! Enfim, é a vida, e sem muitas explicações. Sempre penso no sentido disso tudo, nascer, sofrer ou não, e depois partir.
    Meu terno abraço a você e sua querida família.
    Aplausos pelo belo e sensível poema!

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    1. Caríssima Tais. Bom dia.
      Emociona-me também ter conhecimento de que as minhas considerações sobre a finitude tenham lhe causado tal comoção que a fez lembrar-se dos momentos de sua conversa com seu pai já doente numa cena inesquecível que sensibiliza profundamente.
      É mesmo assim, Tais. Na implacabilidade do tempo todos iremos passar por essa experiência final na vida terrena e, notadamente, o aspecto físico engloba conhecimentos práticos relacionados à sobrevivência, enquanto o espiritual abrange conceitos transcendentes como amor e virtudes, que ultrapassam tempo e espaço eternizando-se, portanto, em nossas vidas.
      Muito lhe agradeço pela sempre docilidade de seus comentários que falam ao coração, ao mesmo tempo em que lhe desejo uma semana abençoada e de alegria, cujos votos os estendo também à sua distinta família.
      Cordial e fraterno abraço.

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  3. Meu amigo Antenor,
    Seu poema captura o contraste entre o desânimo e um anseio ardente pelo afeto de entes queridos. Ele revela como o poeta encontra lirismo naqueles que são vulneráveis, apoiando-se no amor da família para amenizar sua dor.
    "A voz muitas vezes rouca ou não ouvida" - e "as palavras monossilábicas", representam a nossa sociedade atual, que exclui os idosos, tornando-os ainda mais frágeis, causando exaustão e silenciando os mais velhos pela passagem do tempo ou pelo esquecimento.
    Vivemos em um Mundo onde os casais estão tendo menos filhos e, consequentemente, a população mundial está envelhecendo.
    A questão é: com os avanços da ciência e da tecnologia, vivemos mais hoje, porém, será que vivemos melhor?
    Tenha uma boa semana!
    Um abraço!!!

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  4. Caro Douglas,
    O seu belo comentário me fez pensar no quanto,
    com o passar dos anos, os sorrisos se transformam
    em dores que se acumulam no tempo e vamos
    ganhando expressões menos lisas, distantes de
    quando, felizes, buscávamos nossos sonhos. O que
    nos resta ao final são experiências e lembranças
    que levaremos como bagagem pela vida afora.
    É bem interessante o seu questionamento se os
    avanços da ciência e da tecnologia nos traz melhores
    condições de vida. A meu ver, esse desenvolvimento
    favorece a comunicação global e melhora a
    qualidade de vida com avanços na saúde, mas,
    deveria, paralelamente a isso, haver propagação de
    campanhas e empenho do poder público, no afã de
    promover autonomia, saúde preventiva e conexão social,
    pois como você bem diz, comumente os idosos são
    excluídos da sociedade, fato que os tornam ainda mais
    frágeis.
    Meus agradecimentos, dileto amigo Douglas, e um
    cordial e fraterno abraço.

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  5. Um poema encantador e leva-nos a refletir sobre essa fase da vida que é rica em sensibilidade, emoção e fragilidade, sobretudo nessa sociedade que não valoriza o idoso, sua rica experiência e sabedoria.
    Beijos!

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    1. Oi, Lúcia.
      Muito obrigado por suas tocantes considerações.
      De fato, o tema leva a reflexão. A situação dos idosos deveria ser tratada com mais seriedade e valorização, mas parece que a sociedade se esquece de que todos irão envelhecer um dia. Isso tão triste quanto curioso.
      Terno abraço e tenha um fim de semana de paz e harmonia.

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  6. Antenor, quanto mais o tempo passa, mais inspoirado ficas e a s nossas vidas não param...E nós, nos aproximamos cada vez mais do crepúsculo da vida!

    Adorei te ler e agora, te seguindo, não perderei mais nada, como antigamente! abração, tudo de bom,chica

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    1. Olá, Chica,
      Que bom saber de sua apreciação aos meus escritos. Fico feliz e muito lhe agradeço, minha amiga. Sobre o tema, reflito sobre a ideia de que somos seres espirituais vivendo uma experiência humana temporária e, como você diz, vamos nos aproximando sempre mais finitude, e o tempo passa implacável.
      Repriso meus agradecimentos e fique com meu afetuoso abraço.

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  7. Olá, meu amigo Antenor!
    Estou voltando, de espacito, mas aqui estou, recuperando minhas forças, lentamente, mas aqui estou!
    Que poema, meu amigo, que poema!
    Qualquer elogio ou reconhecimento que eu faça do seu talento e sensibilidade, da beleza e profundidade de tuas palavras, não conseguirá traduzir o verdadeiro sentimento que emana deste poema maravilhoso.
    Parabéns amigo, que Deus continue te abençoando com essa clareza e limpidez de raciocínio lírico que te impulsiona a escrever tão lindamente.
    Um grande abraço.
    Marli

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    1. Olá, Marli.
      Fico imensamente feliz com o progresso de sua recuperação e lhe desejo toda a felicidade que você merece ter.
      Muito obrigado por suas palavras elogiosas, as quais me fazem pensar mais profundamente de que não são vãs as minhas inventividades poéticas.
      Com admiração verdadeira, fique com meu abraço de carinho e que os seus dias sejam também abençoados em todos os aspectos.
      Antenor

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