O vento do mar toca a árvore em flor
As folhas em pêndulos
As folhas em pêndulos
Parecem consumir os frutos
Que dançam entre as frestas
Banhadas pelo sol.
O verde reluz em matizes
À espera do anoitecer,
E meus pensamentos voejam
No mais adorado sonho.
No silêncio das palavras que profiro
Meus discursos fluem não com os lábios,
Mas de tal maneira com meus olhos
Que a vida comigo dialoga
Em mútua declaração de amor
Os meus olhos, num momento,
Pairam no magnetismo dessa hora
Em que o sublime encanto crespuscular
Faz a natureza calar-se
Na hora sacrossanta do Ângelus.
Com esperança esculpida
Deixo minha alma vagar no infinito
E já não ouço a ciência em suas exatas explicações.
Decantado, passo a crer em algo maior:
Que Deus está por aí.
Antenor Rosalino
