terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Ode à Marilene

 

Homenagem à minha esposa


         

            O céu azul aberto e livre

            E meu coração a pulsar

            Em perfeita analogia

            Como as ondas trépidas do mar.

 

            A natureza em festa...

            A timidez deste olhar!

            Prazeroso antagonismo

            Que me leva a te amar.

 

            Anjo bom...,  me guarda e ensina

            Em constante companhia.

            Quero-te sempre perene

            Minha meiga Marilene!

 

            Num gesto grato e sensato,

            Tomando-te as mãos delicadas,

            Oferto-te meu abraço,

            Eternizando este enlace.

 

            Não fora esta união plena,

            Em doces laços de afeto,

            Minha vida incorreria

            Em profundos desafetos.

 

            Quando um dia, implacável,

            O tempo nos separar,

            Ainda assim, em outro plano,

            De mãos dadas seguiremos

            O divinal curso estelar.


                     Antenor Rosalino

 


 (Foto de álbum de casamento - 1978)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

MEU PAI

 

Ao meu saudoso pai

                            

       

Pai, trago em minhas mãos marcadas e lívidas

As lembranças rebuscadas do teu passado

Que o tempo em suas nuanças ininterruptas

De alegrias e tristezas não as consegue dissipar.

 

Ah!  Meu pai: seleiro e sapateiro...

Tão trabalhador, honesto e enérgico,

Mas, ao mesmo tempo, sereno

E sensato em suas firmes decisões.

Que saudades de ti, meu pai!

 

Fostes dormir naquela noite fatídica de verão

E, pela manhã, o estarrecimento: tu estavas morto, meu pai!

Quisera, então, embalar-te em meus braços, porém, tão criança,

Não tinha forças e estas se desvaneciam ainda mais

Com o pranto de minha mãe, a abnegada esposa de toda a tua vida

Deixando cair incontidas e reluzentes lágrimas no meu leito.

 

O comerciante, fabricante de capotas para veículos, arreios

E calçados para deficientes físicos se fora, num tempo em que

Tais serviços tinham valor incomensurável.

 

Teu coração te traiu, meu pai!

E o que ontem eram dores tuas, hoje eu as faço minhas.

E me sinto distanciando-me sempre mais da vida

Para encontrar-te no teu refúgio de paz infinda

E esquecer as minhas ilusões níveas..., perdidas.

 

                                     Antenor Rosalino

 

 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

AMOR MATERNO

 

Homenagem à minha saudosa mãe.

          

                 

                     Não há nada comparável

                      Entre amores sempiternos,

                      A essa afeição indelével

                      Do infinito amor materno.

 

                      Carregando o frágil filho

                      No colo de veludez,

                      Não há mácula: só encanto

                      Nessa terna languidez.

 

                      A sua presença ornamenta

                      Os douros palaciais;

                      Com a mesma dimensão consola

                      Os casebres em seus ais.

 

                      Sua sapiência infinda

                      Nos ensina o bem viver...

                      Amor despretensioso

                      Jorra  luz no anoitecer.

 

                      Oh, minha mãe querida!

                      Já não a tenho comigo,

                      Mas minha prece eterniza

                      Esse amor que lhe dedico.

 

                      Em meus sonhos mais queridos,

                      Oferto-lhe belas flores!

                      Fecho os olhos num sorriso,

                      Beijo-lhe a fronte com amor.

 

        

                                         Antenor Rosalino

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

PRIMEIROS PASSOS

 

                   


                      A mãezinha paciente,

                      Ilumina a rósea face

                      Na alegria de um sorriso;

                      Abre os seus braços de égide,

                      E ensina os primeiros passos

                      Ao seu amado filho,

 

                      A criancinha bambeia

                      E logo vem a primeira queda!

                      Numa segunda tentativa:

                      Outra queda!

                      Na terceira: uma queda a mais,

                      Porém, já com certo equilíbrio...

 

                      Já na quarta experiência:

                      As perninhas se equilibram

                      E, mesmo bem desengonçado,

                      Ostentando ardente brilho

                      No rostinho angelical,

 

                      Vem com passos cambaleantes

                      À mamãezinha abraçar

                      Que o recebe comovida,

                      Tendo no seu rosto vívido

                      Uma lágrima a rolar.

 

 

                                             Antenor Rosalino

 

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

PREVIDÊNCIA NEGADA


                                 

 Num dia qualquer, há algum tempo atrás, caminhando lentamente, trazendo na lívida face profundas rugas retratando a sua laboriosa vivência de adversidades, um pobre ancião, debilitado, sentindo as pernas fraquejarem, buscara confiante como último lenitivo, o seu direito assistencial na Previdência Social.

  Foram muitos os anos de contribuição aos cofres públicos, em simetria com o trabalho árduo, sob o ardente sol a abrasar o seu suor.

  Para o seu desencanto esbarrou-se, porém, nas infindáveis e ofegantes filas, enquanto os seus olhos cansados e tristes denotavam servidores desfilando prepotência e morosidade pelas alas da entidade destinada ao pronto atendimento dos munícipes, em suas necessidades de atendimento médico-hospitalar. Tal insensibilidade e desdém funcional negaram a atenção devida; não cumpriram a sua parte de amparo a quem contribuiu com assiduidade durante longos anos, para ser acolhido com dignidade na inevitável debilidade física da senilidade.

  Passaram-se as horas e sentindo o seu estado físico agravar-se de forma assustadora e preocupante, num derradeiro apelo, o contribuinte já quase desfalecido, apelara indulgente, por um atendimento emergencial, tendo ouvido em definitivo, a negativa crucial de amparo ao seu estado de aflição, recebendo como alegação, a necessidade de que fosse obedecida a ordem de chegada; numa demonstração inequívoca do não cumprimento ao atendimento prioritário aos casos mais graves, principalmente em se tratando de idosos.

  Com os olhos marejados e o cansaço a dominar-lhe, o ancião volta ao seu lugar na fila, agora mais ofegante.

  De repente... a tragédia! O velho trabalhador volve os olhos para o céu e cai inerte ao chão, sob os olhares estarrecidos de outros tantos irmãos. O seu rosto ainda verte um fio de sangue advindo de sua queda, como a marcar a sua angústia no gélido piso hospitalar, onde veio a falecer sem o atendimento devido.

  Obviamente, não podemos generalizar e atribuir descaso a todos os administradores e atendentes públicos, os quais, em sua maioria, dignificam os cargos que ocupam e cumprem com denodo as suas atribuições devidas, mas é de fundamental importância que esteja sempre vívida na lembrança de todos os servidores públicos, que são esses trabalhadores, o sustentáculo de todas as benesses de suas vidas.

  Fora negada uma vez mais, a um velho e honrado trabalhador, a devida Previdência Social. Resta-lhe, porém, o inefável e indestrutível abrigo da Providência Celestial.

 

                                                       Antenor Rosalino


sábado, 18 de outubro de 2025

ALVORADA


            
        ALVORADA

 

O amor renasce a cada dia

No eflúvio encantador

E a natureza tece sonhos

No risonho amanhecer.

 

A fragrância de cada flor

Acaricia a terra, turbas e falésias

Em mágicos momentos

De fulgurante esplendor.

 

 Meu coração radiante

 Rejuvenesce o pulsar

 Em perfeita sincronia

 Com os pássaros a enevoar.

 

  Nesses momentos de luz,

  Vejo a vida se espelhar

  Em cada pétala em flor,

  No fascínio de cada olhar.

 

    A última estrela se esconde

    Por traz dos raios de sol

    Que resplandece sua magia

    Quando  pousa sobre o mar.

 

 

                     Antenor Rosalino

     

     

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

LITANIA

 

           

                

 

                    Nostálgico pensar na solidão

                    aflora o meu âmago mais profundo

                    em vãs interrogações sobre

                    a transitoriedade presente

                    que faz os doces momentos,

                    tornar-se doídos lamentos.

 

                    Derrama-se na minha alma

                    lágrimas de negra melancolia,

                    enquanto uma cintura lânguida

                    de brancas nuvens

                    passa, dando adeus

                    ao crepúsculo vespertino.

 

                    Como o pêndulo indiferente

                    de um relógio que segue,

                    oculto-me por trás de palavras

                    perdidas e esquecidas,

                    em busca de coisas

                    que nunca são encontradas.

 

                    Em noites claras, mal dormidas,

                    as florestas ecoam meus suspiros

                    entre sonhos dissolvidos

                    no meu hábito de exaltada ternura,

                    à procura do que ontem era tudo

                    e hoje, o prado só medra abrolhos

                    e nada mais se fecunda.

 

                                    Antenor Rosalino