quarta-feira, 18 de setembro de 2019

LACUNAS DE SOLIDÃO


     

      Um pingo da minha lágrima,
      Com laivos de poesia,
      Escorre silenciosa
      Permeando a ventania.

      Celebrando datas mortais
      Amargo horas tempestuosas
      Em venturas que se ofuscam
      Nos ventos contraditórios.

      Procuro imagens sacrossantas
      Que possam tocar minha alma
      Entre silêncios  e sons
      Nas lacunas da solidão.

      À espera de novo sentir
      Vejo espelhos d’água
      Que em marés desfilam átimos
      Do meu mundo de ilusão.

                    Antenor Rosalino
         


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

À ESPERA DA BRISA


            
                   

     Tu és a brisa que passa distraída
      - num eflúvio de ternura -
     Disseminando embriagador sândalo
     de jasmim.

     Permeando cântaros multicores
     E jardins de mistérios e encantos,
     Traz primícias que fascinam
     De um amor que não tem fim.

     Eu sou um pobre arvoredo
     Que pressente a tua vinda
     E ao sentir tua presença
     Se agita em pêndulo
     Revestido de alegria
     Pois não sabe viver sem ti.

     Vivo assim a minha sina,
     Em ritmo de longa espera
     Distraindo as intempéries
     No íntimo mais perolado
     Do meu amor sempiterno.
    
                Antenor Rosalino


sábado, 24 de agosto de 2019

BENEFÍCIOS PRÓPRIOS

   

                                         

 Notadamente, de modo geral, em qualquer segmento social, tudo aquilo que é benéfico para alguém, contrariamente, e na mesma dimensão, é prejudicial a outro alguém.

 Esse fenômeno é tão comum e antigo quanto a própria história da humanidade. Como exemplo, cito o ocorrido em Atenas, conforme ensaio filosófico de Michel de Montaigne, que viveu durante os anos de 1.533 a 1.592:
  "Dêmade, de Atenas, condenou um homem de sua cidade que comerciava com coisas necessárias aos enterros, acusando-o de tirar disso lucro excessivo, somente auferível da morte de muitas pessoas. Tal julgamento não me parece muito equitativo, pois não há benefício próprio que não resulte de algum prejuízo alheio e, de acordo com aquele ponto de vista, qualquer ganho fora condenável.
  O mercador só faz bons negócios porque a mocidade ama o prazer; o lavrador lucra quando o trigo é caro; o arquiteto quando a casa cai em ruínas; os oficiais de justiça com os processos e disputas dos homens; os próprios ministros da religião tiram honra e proveito de nossa morte e das fraquezas de que nos devemos redimir; nenhum médico, como diz o cômico grego da antiguidade, se alegra em ver seus próprios amigos com saúde; nem o soldado seu país em paz com os povos vizinhos. Assim tudo. E o que é pior, quem se analise a si mesmo, verá no fundo do coração que a maioria de seus desejos só nasce e se alimenta em detrimento de outrem". 

  Em se meditando a propósito, percebe-se que a natureza não foge, nisso, a seu princípio essencial, pois inclusive, no mundo animal isso ocorre de forma até pior, tendo em vista que, muitos são os bichos que só sobrevivem alimentando-se de outros bichos.

  Enquanto se trata da natureza em sua essência, é compreensível, assim como será impossível para o homem evitar seu progresso pessoal sem obstruir os mesmos propósitos de seu semelhante. O que é condenável, ao extremo, isso sim, é desejar algo a todo custo e, para conseguir, não se importar em prejudicar o próximo levando-o, às vezes, ao holocausto da própria vida.

  Essa atitude tem como consequência a própria infelicidade futura de quem pratica, além de aviltar contra o desenvolvimento salutar e solidário da cidade e do país.

  É imperativo, portanto, vivermos com natural simplicidade para que nossas vidas possam se constituir em atos de amor perfeito às causas benevolentes para as quais fomos criados e que a procissão de nossas ideias sejam sensatas e coerentes com o desfilar de nossas ações no implacável fluir do tempo.




                                                                        Antenor Rosalino

   

domingo, 18 de agosto de 2019

OS SINDICALISTAS


Homenagem ao
Sindicato dos Servidores
Municipais de Araçatuba (SISEMA)



                 OS SINDICALISTAS

A velha e tradicional casa azul
No centro de Araçatuba abriga
O Sindicato dos Servidores Municipais
E acolhe gotas de suor derramadas
Pelos trabalhadores, em sua lida dial
Incansável pelo bem comum.

Sob taças de sol poente no fluir de cada dia,
Os sindicalistas soltam sua voz cansada,
Num apelo súplice por igualdade e justiça,
Sem desvãos lancinantes...
No afã de calmos remansos,
Pelos caminhos da paz mais querida.

Em suas atribuições iluminadas
Segue os sindicalistas a jornada
Buscando soluções pacificadas
Para a valorização do trabalhador
Por meio de salários justos
Pelas vinhas da solidariedade,
Em primícias de um amanhã
Orvalhado de esperanças.


                       Antenor Rosalino

           







domingo, 4 de agosto de 2019

ALÉM DO MUNDO

           
   


Quero partir a esmo como o vento
que passa incólume,
ou como um navio que segue na noite,
distante da voz.

Se houver neve em mim
eu a sacudirei sob os raios
dourados do sol!

Despojado das ilusões terrenas,
meu ser espiritual
- que vive sua vida eterna –
será pleno de amor perfeito
pelas dádivas que, pela vida
foram me ofertadas.

Se desejares me ver ainda
procure-me nas tuas vísceras.
serei parte de ti
na composição do teu sangue.

E se não encontrar-me,
não desanimes;
em algum lugar estarei à espera
do teu doce calor humano,
em remansos calmos profundos,
do outro lado do mundo.

                         Antenor Rosalino


domingo, 28 de julho de 2019

PRIMÓRDIOS DAS ACADEMIAS DE LETRAS


                     

                                                            



    É curioso saber que a origem do nome “Academia”, na antiguidade, nada tinha a ver com o mundo literário. Esse nome é derivado de Academos, ou Hecademos, que foi um grande herói da Àtica, na Grécia antiga.  
   Conforme diz a lenda, uma bela jovem, chamada Helena, foi raptada de forma muito hábil e sorrateira. Toda a comunidade onde ela morava mobilizou-se, então, no afã de encontrá-la.  Procuraram-na, em vão, por todas as partes, e quando todos já pensavam em desistir das buscas surgiu, repentinamente, a figura de Academo, que se prontificou a ajudar nas  buscas.
  Não demorou muito para que o herói a encontrasse num parque ajardinado, onde ele a resgatou com vida. Academo, que já havia se tornado herói por outros grandes feitos, tornou-se ainda mais famoso após o resgate. Para homenageá-lo, o local passou a chamar-se Academia.
  Depois de algum tempo, o imortal filósofo Platão, que comumente se reunia com seus discípulos naquele parque, ou jardim, resolveu comprar um terreno muito próximo à Academia, e ali fundou uma organização cultural para melhor se concentrar em estudos com os discípulos e buscar a compreensão última  do mundo.
  Platão também decidiu denominar a escola de Academia, a qual passou a ser conhecida como a “Academia de Platão”. Esse foi o primeiro centro cultural do mundo, chamado Academia, fundada por volta do ano 385 a.C., e se manteve por vários séculos.
Com o passar do tempo, as academias passaram a ser edificadas pelo mundo afora, com o intuito de propagar literatura e mantê-las no mais elevado grau da arte humana, com ênfase para que o idioma de cada país pudesse  melhor ser  cultivado.
  No Brasil, a primeira academia surgiu em Salvador, na Bahia, em 1724, e se chamava Academia Brasílica dos Esquecidos. A palavra “esquecidos” foi uma forma que os autores encontraram para protestar pela falta de maior apoio das autoridades. Essa academia foi extinta, justamente, por falta desse apoio financeiro por parte do governo. Entretanto ressurgiu, decantada no período da  Renascença, em outros locais, principalmente no Rio de Janeiro, onde permanece até os nossos dias atuais, fazendo com que a escrita se perpetue revestindo a literatura com  radiância e arte.


                                                        Antenor Rosalino



sexta-feira, 19 de julho de 2019

ALÉM DO CIRCUNSPECTO



                   

    Um cinza sombrio reveste a tarde.
     Elevo o pensamento ao céu 
     E não me importo com o circunstancial
     Feito de dores, prazeres e sonhos ao léu.

     Distante das sensações do mundo 
     Sinto,  apenas, o vento alcatroado
     Trazendo agudas reminiscências 
     Dos instantes felizes, platônicos e adorados.

     Um transbordar de emoções 
     Aniquila pensamentos dúbios 
     E as idéias se revestem, num encanto,
     Da radiância das artes no meu refúgio.

     Busco, então, no lado mágico do mundo,
     Onde viajo por horizontes intensos,
     A poesia mais pura da vida 
     E suspiro, em lágrimas, minha ilusão sem fala.

                              Antenor Rosalino