sábado, 18 de maio de 2019

PRENÚNCIO DO FIM

        
       


         Meu coração enfraquecido
        Por ventos contrários
        Enseja dias tempestuosos
        Sem poesia que encanta.

        As noites são lânguidas e frias
       Permeadas por lágrimas tristes.
       Os astros pranteados se ofuscam
       E nada mais me fascina.

       Quisera retirar do meu íntimo
       Os vendavais de desilusão
       Que insistem em tatear meu âmago
       Eclipsando minha inspiração.
  
       Em pleno outono da breve vida
       Muitas dores se fizeram em mim.
       Só me resta a finitude que espreita
       O meu inexorável fim.


                     Antenor Rosalino




domingo, 12 de maio de 2019

MÃE, MÃES





É meu desejo que esse Dia das Mães
seja coroado de alegrias e bênçãos a
todas as mães, a quem rendo minhas
sinceras homenagens.



Quando Deus criou a Terra
Pensou nas rainhas de suas vinhas
Surgiram as pétalas mais belas
Às quais chamamos mãezinhas.

Oh, minha mãe querida,
Já não a tenho comigo,
Mas minha prece eterniza
O amor que lhe dedico.

Em meus sonhos mais queridos
Oferto-lhe as mais belas flores.
Fecho as pálpebras num sorriso
Dando-lhe beijos na fronte.


                              Antenor Rosalino


domingo, 5 de maio de 2019

NO CAMINHO DAS LETRAS


  

                                                          
                    


Homenagem ao Projeto
“No Caminho das Letras”,
promovido pela
Academia Araçatubense de Letras

                             

                        NO CAMINHO DAS LETRAS

               N asce, glorificado, o projeto “No caminho das letras”
               O bjetivando a difusão da literatura local.

               C om o pensamento voltado
               A os ideais mais elevados,
               M emoráveis conhecimentos literários
               I nduzem jovens estudantes a trilharem
               N irvanas de sabedoria em larga escala,
               H abilitando-os para aprimoramentos que arrebatam...
               O stentando horizontes sob pétalas de sapiência universal.

               D ádiva de glória escarlate!
               A ssim se traduz o projeto que visa
               S ituar e oportunar as conquistas mais sonhadas.
                 
               L eituras diversificadas são incentivadas com eloqüência,
               E a didática insurge esculpida
               T razendo o encanto de novas descobertas.
               R edivivos sentimentos de gratidão
               A gora são aventados em profusão e fervor pelos
               S uspiros dos jovens no apogeu dos seus sonhos floridos.



                                                                      Antenor Rosalino

sexta-feira, 26 de abril de 2019

INTROSPECÇÃO



                                          
              


Inexplicável e sorrateiro vazio se fez em mim.
Mas não falarei das angústias que me afligem a alma.
Tampouco me deterei em lembranças funestas
Ou nas dores sentidas por caminhos íngremes de solidão.

Decidi ouvir, atentamente, a voz súplice do meu coração
Que, suave e brandamente preenche meus espaços vazios
Com centelhas envolventes de esperança e paz,
Num porvir distante de incompreensões e cárceres de dor.

Numa anunciação repentina de encantamento,
Em sutis reticencias de nostálgico pensar,
Não há dor na minha introspecção, e sim, lembranças,
Prazares vividos em ritmos de suaves canções.

Átimos diamantinos parecem aventar-se no espaço sideral.
Retiro do pergaminho da memória laivos de lágrimas silenciosas
E volvo os olhos para o céu imaginando ápices de paz universal.


                                                 Antenor Rosalino












                                                     

quinta-feira, 18 de abril de 2019

REDENÇÃO


                
                                   
                    

        Um cinza sombrio reveste a tarde.
        Os ventos sopram nos cântaros
        Disseminando o sândalo das flores viçosas
        Visualizo assim, em penumbras tristes,
        O holocausto de Cristo em seu último suspiro.

        Deixo minha alma flutuar no infinito
        Procurando guarida nas asas de anjos benditos.
        Quero retirar do meu íntimo as névoas difusas
        E refletir, ouvindo a voz da alma em ritos
        Sobre os sentimentos mais crísticos.

        Quisera transformar nesse dia
        Todas as tragédias na mais pura poesia
        E as negras noites de angústia
        Em sobejante emoção e alegria.

        Que o amor possa refletir no mundo
        A sensação da eternidade e sublime amparo
        E que Deus tenha compaixão
        Dos nossos gestos frágeis e de desamparo.


                               Antenor Rosalino



quinta-feira, 4 de abril de 2019

VÍCIOS DE LITERATOS



                                                                      
                                     


Não foram raras as vezes em que, após ler a biografia de alguns poetas, fiquei um tanto intrigado ao sabê-los tão profundamente brilhantes na exteriorização dos seus sentimentos, mas, em contraponto, tão perdidos no degradante e desmoralizador vício do álcool e da exagerada boemia.

  Há já algum tempo, escrevi sobre esse tema. Na ocasião, argumentei que, a meu ver, o poeta não precisa se embriagar para ter inspiração. Asseverei que o vício é que o leva para a rua, e não a necessidade de se inspirar para escrever, o que pode ser feito, perfeitamente, de maneira sóbria, no silêncio embriagador de profunda reflexão no aconchego do próprio lar.

  Entretanto, tendo lido o livro “Chaplin e outros ensaios”, de Carlos Heitor Cony, cuja obra é interessantíssima e aborda a vida pessoal de alguns dos maiores escritores e poetas do Brasil e do mundo, causou-me ainda mais estranheza quando tomei conhecimento de que, o nosso consagrado e imortal romancista Lima Barreto, comparado ao talento de Machado de Assis, ambos cariocas, mestiços e descendentes de escravos, morreu aos 41 anos de idade, abraçado a uma revista, consumido pelo álcool e pela miséria e, como se não bastasse, com o pai louco no quarto ao lado.

  Chovia naquele dia fatídico. O velório, vez por outra, era interrompido pelo barulho da chuva e pelos gritos alucinados do pai insano e moribundo que morrera horas depois.
  No citado livro consta que Lima Barreto teve enterro dos mais humildes, cujo féretro fora acompanhado por alcoólatras iguais a ele, e vagabundos suburbanos, cheirando a álcool e pés descalços, com os quais o autor, por vezes, convivia pelas sombrias ruas dos subúrbios cariocas.

  Assim partiu para o eterno, na mais completa miséria e solidão, esse grande e brilhante escritor, apesar de sua extensa e riquíssima obra literária.

  Fica a pergunta: que angústia é essa que povoa o coração de tantos talentosos literatos? Lembro-me da vida breve de Augusto dos Anjos, cujo estilo poético encantador alicerçava-se, predominantemente, na finitude.

  Muitos se lembram, também, da torturante vida de Hilda Hilster, que morreu louca e solitária, tendo sido ela uma das maiores poetisas da nossa literatura.

  Há, portanto, outra e mais ampla visão sobre escritores e principalmente poetas que precisam ser desvendados e que, talvez, nunca será, pois são eles, notadamente, seres diferentes que, mesmo na realidade presente, parece viverem em outro mundo. Serão eles assim pelo fato de pensarem muito? Ou a sensibilidade é tanta que não suportam certas impiedades que, ao ponto de vista normal, são superáveis?

  Não se pode generalizar e atribuir a todos esses pensadores a tendência para a vida boêmia e/ou desregrada, mas também não se pode negar que tais artistas da escrita, dotados que são de tanto talento e exuberância na exteriorização do sentir, poderiam disseminar também maiores exemplos de vida pessoal digna para enfeitarem ainda mais o mundo com suas flores sentimentais que enternecem o leitor.


                                                                                    Antenor Rosalino

quinta-feira, 28 de março de 2019

EMOÇÕES





                                        
                   


           Um clamor se faz no horizonte longínquo.
           Disseminam-se versejos no alvor do veraneio. 
           Distantes de inoportunos estratagemas
           Candelabros de emoções insurgem
           Em faiscantes mimos de silhueta.

           Um transbordar de puras emoções
            Irradia a liberdade dos corpos que flutuam
            Sob o eflúvio de cânticos nas alturas
            Num apogeu glorificado ungido em sonho...
            Hábito de exaltada ternura.

             Num ápice visionário de quimeras,
             Enlaços de abraços no reino de alforria.
             Visões etéreas norteiam destinos
              E, na noite insone a reluzir no neon das ruas,
              Bailam  emoções em eternas fantasias.


            Antenor Rosalino