sexta-feira, 20 de julho de 2018

SECRETO


     Dueto com a querida e exímia 
poetisa Luiza De Marillac Michel




            Silêncio
            Absoluto
            Se faz
            Em sobra
            De invernos
            Profundos
            À margem
            São pequenos
            Colapsos
            De dores
            Travando
            Batalhas
            Nunca
            Terminadas
                                               Miragem
             É aquela
             Razão da 
             Felicidade
             Passeando
             Entre bosques
             Esverdeados
                                                           Sílaba corroída
                                                           Em tempo
                                                           Partido
                                                           Sob fases
                                                           Eternas... 

    Luiza De Marillac Michel    



               Um silenciar
               De emoções
               Profundas
               Sobeja
               Na estação
               Hibernal
               Doídos
               Sentimentos
               Configuram-se
               Em
               Lutas
               Latentes
               De amor
               Sem fim
               Distraída
               Em horizontes
               Infindos
               A felicidade
               Passeia
               Vestida
               De flores
               Verbo
               Entorpecido
               Num último
               Raio de sol

                                                           Antenor Rosalino


quarta-feira, 18 de julho de 2018

SONHOS...



Dueto com a querida e exímia
poetisa Luiza De Marillac Michel

   
                                         




O Poeta Quer Dizer Simplicidade
Devaneios Das Almas Cativas
Desafia isola-se Retorna

No Viver A Vida Sonhos De Quimeras
E Nos Versos Perduram Jatos
Que Correm No Mais Puro Torpor

Poetas Que São Amantes
Rompendo Madrugadas Afoitas
Parceiros Dum Teto E Do Chão

No Trajeto Que Segue Corre
Na Veia Sangue Azulado
Traduzidos Papiros Em Idiomas

Pelos pergaminhos da memória
Traduzem folhas de escritas pretéritas
Resgate desenhado de sonhos azulados

Fatalmente Silêncio Morrerá
Nos Versos Desenhados Estarão
A Sigla E O Sigilo Do Verbo Amar..

                                     Luiza De Marillac Bessa Luna Michel




                                      O simples se faz eterno
Na alma poética que passeia alada
Mas sempre volta esculpida e decantada

O sonhar quimérico pelo mundo
Desfralda versos iluminados
Que se confundem com os candelabros

Em divinais parcerias sacramentadas
Vivenciam passeios fecundos
Em jardins encantados pela luz do prado.

Pelos recônditos da memória
Traduzem folhas de escritas pretéritas
Resgate desenhado de sonhos azulados

A quietude desvanecerá o silenciar
Quando as almas vertidas em pétalas
Conjugarão felizes o verbo amar


                     Antenor Rosalino


quinta-feira, 12 de julho de 2018

DO ESCREVER...

Dueto com a querida e exímia
poetisa Luiza De Marillac Michel



                       
                          



Escrever é quase uma necessidade

Escrevo em tecidos que todos vazios
Escrevo pois que há náufragos navios

A sombra que vem de Clarice Lispector
Linguagem cromada Goethe lá estará
Literatura que finge o Fernando Pessoa

Mas, em mistério que todo bem fechado
Há um nó nesse cadeado bem secreto
Que útil aquele momento só silencioso

Selvagem "design" da tristeza desolada
Garcia vivendo em todo seu impossível
Deitou-me numa liberdade de Leminsk...

                                                Luiza De Marillac Michel




A palavra escrever traz fascínio
Até mesmo quando a proferimos
É linguajar que nos leva à paz querida

A escrita provém do clamor do âmago
Denota o que na verdade somos
E nos remete à literatura fecunda

A arte da escrita é ponte para o encontro
Com o mundo sapiente de Cora Coralina
Shakespeare, Da Vinci, Machado e outros

Somente a hermética contemplação em leveza
Faz-nos comungar com os pensadores
E pela escrita nos aproximamos dos deuses


                                                           Antenor Rosalino


terça-feira, 3 de julho de 2018

MAGIA...



Dueto com a exímia poetisa
Luiza De Marillac Michel



       
                                 



Ardentes corpos em metades

Pintura tua de puros instintos
Muito amor  tanta constância
Magistrais são os teus versos 
Regados das mãos apaixonadas
Que se desenham em escritos

Dos olhares se atravessam
Dos sentidos que se arfam
Do deserto que não escapou *
Sem castigos nem punições
Se deitam em puras canções
Se levantam lençóis de Bach

Uma só carne se entrançando
Das almas que se redimiram 
Diante dos céus e da terra
Concerto mais do que perfeito
Habita nosso amor todo alojado 
Num só espaço e tom de muito amar... 

Luiza De Marillac Michel



O ardor fragmenta os corpos
Delineando aquarela em escritos de magia
Todo o amor se manifesta em versos
Advindos das entranhas em volúpia
Na busca incessante das mãos amadas
Suspirando o sonho de nossa liberdade

Em odisséia por céus de encantos
Num voejar entre nuvens e canções
Permeando laivos da poesia que nos brinda
Como um concerto em magnetismo perfeito
Compomos nossa história à luz da lua
No frescor da noite esquecemos o frio

Em silêncio meus olhos passeiam nos teus
E a maresia incita suspiros diferentes
Nos seres que se redimiram felizes
Num só tempo de amar em dunas desertas
Onde nossos passos palmilham ritmados
Pulsantes alados num único espaço

                                                     Antenor Rosalino

quarta-feira, 20 de junho de 2018

DA DISTÂNCIA...


   Dueto com a exímia poetisa
Luiza De Marillac Michel

                                                      
                              
                                       

Há quem por ti de longe vela
Deseja te ver sempre brilhar
Oferece-te carinho e zela
Por tua felicidade e bem-estar.

Alguém com palavras pincela
O quanto encanta o teu olhar,
Compõe versificada aquarela,
Almeja admiração demonstrar.

Tanta dedicação assim revela
Ser pouco importante o lugar,
Se uma paixão existe e é bela
Até a distância poderá superar. 

     Luiza De Marillac Michel



Não há ultraje na distância sentida
Quando há um alguém a nos velar
E por quem o coração palpita
E também vela no hábito de amar.

Em algum lugar além dos montes
Ecoam lindos verbos grafitados
Trazendo célebre canção do poente
Que traduz teu lindo olhar laminado.

Tanta ternura assim sem ágmas
Comprova que amores puros em glória
Sobrepõem à distância, secam lágrimas
E a cumplicidade se faz pela vida afora.


                                                           Antenor Rosalino






TEU NOME ...


Oferenda recebida da exímia poetisa
Luiza De Marillac Michel, a quem muito agradeço


                                                  
                             


Oferecido Ao Amado Poeta Escritor Antenor Rosalino :

                             Contemplado em saboroso estar
                             Do caminho a ser bem pranteado
                             As palavras repousam em nuances
                             Destilando todo carinho em versos
                             Projetando a viagem em sonhos
                             Dum paladar sentido o doce
                             Roubo-te em tanto silêncio
                             Numa fervorosa linha
                             Dum singelo ficar...



                                Luiza De Marillac Michel

                                 


Retribuição à exímia poetisa e escritora
Luiza De Marillac Michel


Luminescência em unção perfumada
Que afaga a alma e a induz às escritas.
Tão brilhante quanto as estrelas
Perpetua os versos da diva da poesia!
Em mistérios dantescos,
É meteoro que não se apaga...
Hábito de amor sempiterno e tão querido
Lapidam suas palavras proferidas 
E emolduram seus mistérios de mulher.

                  Antenor Rosalino

sexta-feira, 15 de junho de 2018

INSPIRAÇÃO POÉTICA


                                                           


  Não são raras as vezes em que lampejos de inspiração me vêm à mente. Surgem, sorrateiramente, vindos assim do nada. Não sei mesmo de onde vêm. Parece que se escondem no mais profundo do âmago até resolverem se revelar.
  Uma coisa se evidencia claramente: quem tem o prazer de elaborar poemas não os escolhem, eles é que surgem e os poetas e poetisas se submetem aos seus caprichos. A partir daí, nada mais importa, apenas e tão somente o transbordar das doces palavras, as quais, paulatinamente, vão surgindo e povoando o coração poético.
  O texto vai ganhando vida e superando as angústias, apesar de que a inquietação é sempre latente na alma de quem tem aguçada sensibilidade para escrever poesias. E isso decorre em virtude da incansável e intermitente busca pelo perfeccionismo dos escritos.
  Por vezes, me ocorrem receios de que a inspiração se afugente, mas quando ela se vai, parece voltar, depois de algum tempo, ainda mais esculpida e decantada. Em vista desse detalhe, da volta sempre triunfal dos sentimentos líricos, não fico preocupado e jamais desprezo a abençoada dádiva do escrever, de exteriorizar plenamente o meu sentir sobre o circunspecto e muito além nas viagens da imaginação.
  Muitas são as lembranças que acabam por fazer parte do labor poético e contribuem, decisivamente, para o surgimento da arte. Estar atento de forma contemplativa ao circunspecto, procurando razões e respostas, refletindo sobre as circunstâncias do cotidiano é, sem dúvida, de importância fundamental, além de desenvolver a capacidade lingüística.
  Entretanto, muitas vezes, quando nesse estado introspectivo, eis que, de repente, o telefone toca. Imediatamente, vem a pergunta: por que tocar justamente agora?
  Os assuntos ao telefone se sucedem. Por fim, a volta ao pensar na poesia latente. E outra pergunta se faz inevitável: onde eu estava mesmo?
  Assim como veio, a inspiração se vai... Onde será que se esconde? Não adianta tentar buscá-la. Deve estar em algum lugar distante. Definitivamente, parece que esperá-la é minha sina.
  Depois de certa fase da minha vida, quase sempre, antes de a noite chegar, recorro-me aos sonhos e às lembranças mais queridas e espero a inspiração voltar com sua essência cristalina e pura que paira no ar como um espectro. É um despertar de sentimentos que se renova trazendo beleza à minha alma. Enfim, na minha concepção, acredito não ser exagero acreditar na convicção de que tais manifestações que se afiguram tão gratificantes e belas quanto misteriosas, são expressões do sentir que Deus escreve no tempo e na eternidade.

                                                       Antenor Rosalino