sexta-feira, 28 de agosto de 2026

HUMANOS

 

            

        Tanto temos que fazer!

        Livros e artigos para ler e que não lemos,

        Línguas que não aprendemos,

        Amor que postergamos sob todas as óticas

        E tudo mais que esquecemos

        Num andar às avessas olhando em espelhos.

 

        Os amigos se vão, ficam os adeuses,

        Crianças clamam por um pedaço de pão

        Pássaros gorjeiam tristes atrás de grades

        Enquanto muitos de nós, indiferentes,

        Permanecemos subscrevendo papéis,

        Sem a observância de tudo o que é belo.

 

        A ciência evolui, mas as guerras e a ganância

        Avultam-se em descomunal proporção.

        Desvirtua-se a geografia dos construtos humanos

        Até que um dia caímos de olhos cerrados em lástimas.

        E desmancham-se átomos no silenciar profundo

        Do adeus final entre lágrimas.

 

                                          Antenor Rosalino

 

 

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