Tanto temos que fazer!
Livros e artigos para ler e que não lemos,
Línguas que não aprendemos,
Amor que postergamos sob todas as óticas
E tudo mais que esquecemos
Num andar às avessas olhando em espelhos.
Os amigos se vão, ficam os adeuses,
Crianças clamam por um pedaço de pão
Pássaros gorjeiam tristes atrás de grades
Enquanto muitos de nós, indiferentes,
Permanecemos subscrevendo papéis,
Sem a observância de tudo o que é belo.
A ciência evolui, mas as guerras e a ganância
Avultam-se em descomunal proporção.
Desvirtua-se a geografia dos construtos humanos
Até que um dia caímos de olhos cerrados em lástimas.
E desmancham-se átomos no silenciar profundo
Do adeus final entre lágrimas.
Antenor Rosalino

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