terça-feira, 6 de junho de 2017

CARAMBA, CARAMBOLA!

                          

                                                                   


   Com olhar nostálgico, detive-me, por alguns instantes, defronte a um pequeno terreno, no centro da cidade, observando um pé de carambola com dezenas dessas frutas já amadurecidas, formando pêndulos que mais pareciam uma constelação, tendo em vista o formato dessas deliciosas frutas amarelas que se assemelham a estrelas.
  Muitas foram as lembranças que me vieram à mente naquele momento. No meu tempo de criança essas frutas eram vistas facilmente e em abundância, assim como ocorria em tempos mais distantes, em relação aos araçazeiros que deram origem ao nome da cidade de Araçatuba, por serem vistos em grande quantidade por essas terras. O fruto do araçazeiro tem o nome de araçá que vem da língua Tupi e significa “planta que tem olhos”, em razão de suas pétalas que dão aparência de um olho no fruto.
  A carambola, por sua vez, devido ao seu lindo formato é chamada de “star fruit” em inglês. É uma fruta exótica, mas seus benefícios para a saúde são reconhecidos, cientìficamente, por conter diversas vitaminas, como aquelas dos tipos A e C e algumas do complexo B.
  Entretanto, há informações de que universidades norte americanas e brasileiras, afirmam que a carambola contém uma neurotoxina que não existe nas outras frutas, e que essa toxina teria sido catalogada pela Universidade de São Paulo (USP) como caramboxina em uma pesquisa, que comprova os efeitos maléficos dessa toxina que pode afetar os nervos e também o cérebro, sendo, igualmente, perigosa para pessoas com problemas renais ou de diabetes, mas segundo a University Malaya Medical Centre essa toxina não afeta pessoas saudáveis, uma vez que o próprio organismo se encarrega de eliminar tais substanciais prejudiciais.
     Não tenho qualquer registro de algum incidente ou que alguém tenha, sequer, passado mal por comer carambolas. Pode até ter ocorrido algum caso esporádico, mas nunca tive tal conhecimento.
  Hoje, com certeza, pensaríamos bem antes de desejar colhermos carambolas, ou faríamos alguns exames médicos para saber se nosso organismo aceita o seu consumo.
  Contudo, as lembranças são gratas de quando os dourados raios de sol flamejavam divisando as flores brancas e púrpuras das caramboleiras ornamentando os quintais e jardins.
  O título que empreguei nesse texto remete a uma antiga marchinha carnavalesca intitulada “Touradas em Madri” interpretada pela imortal Carmem Miranda em que ela utiliza num determinado momento, a expressão: “caramba, caracolis”, e que eu as demais crianças, em vez de caracolis, dizíamos “carambolas...”
  Que bom seria se a toxina dessa fruta fosse apenas “conversa mole para boi dormir”, cujo termo, grifado, a cantora diz também na própria música, com a graciosidade de sempre.
 Que sorte eu e tantas outras crianças tivemos quando passávamos bastante tempo desfrutando do doce sabor dessas frutas, esbaldando-nos com as delícias dessas estrelas amarelas que cresciam no céu dos galhos das inúmeras árvores caramboleiras que havia no chão do nosso passado.


Autoria:  Antenor Rosalino

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domingo, 30 de abril de 2017

PARTIDARISMO

                                      
                                                        
                                


                                              PARTIDARISMO

  Muito tem se falado, ultimamente, sobre o papel que a Escola poderia ter, ou como deveriam posicionar-se os professores e, por conseguinte, também os alunos, no que diz respeito a opções sobre partidos políticos.
  A Escola tem, por fim, a arte de ensinar, em conformidade com as diretrizes, leis, sistemas e regulamentos do Ministério da Educação. Esse é o seu fundamento. Entretanto, é aceitável e até aconselhável que os professores transmitam alguns conhecimentos paralelos à didática, desde que, obviamente, venham acrescentar à formação do educando.
  Nos momentos oportunos, podem ser intercaladas algumas orientações de civilidade, opções de leituras, principalmente de grandes autores, sugestões de temas para elaboração de poesias, explicitações sobre métricas e rimas de um poema, etc.
  Não há dúvida de que esses complementos de estudo, além de tornar as aulas mais agradáveis, irão contribuir e muito para que o aluno venha a ser melhor capacitado para o desempenho de experiências futuras.
  Em relação à política, mais do que nunca se faz necessário orientar os estudantes para o fato de que a política faz parte de nossas vidas e, sendo assim, é de vital importância o conhecimento de seus fundamentos. Também não se pode interferir na opção partidária dos professores. Estes podem ter suas tendências de direita, esquerda, ou até mesmo de certa neutralidade, mas não podemos admitir que a Escola, em si, venha a tomar qualquer posição em favor desta ou daquela ideologia política. Esse não é o papel que lhe cabe, assim como também não deve ser atribuído tal papel à Igreja em suas diretrizes.
  A Escola deve continuar sem partido, contrariamente aos professores e alunos com direito a voto que, como sempre foi, precisam fazer valer a sua cidadania nesse contexto, porém, fora da escola, com a devida sensatez.
  Em razão de possuírem legiões de seguidores, os poetas e escritores, estes sim, devem estar sempre atentos para contribuir com a política. Escolherem um partido que mereça seus apoios e passarem a transmitir informações claras, precisas e, sobretudo, confiáveis sobre as propostas do partido que fez jus a tais apoios, mas com propagações distantes do seio escolar.
  A Escola, enfim, precisa continuar no pedestal mais elevado da democracia, distante de partidarismos, disseminando com galhardia o saber cotidiano, paralelamente a procedimentos essenciais para os dias de hoje e ações poéticas, sinalizando mudanças no afã de um mundo que possa se constituir num presente de fraternidade e livre pensar.




Autoria:  Antenor Rosalino

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segunda-feira, 24 de abril de 2017

ACALANTO DE AMIGOS

Retribuição à homenagem que
recebi dos nobres amigos e poetas
Maria de Jesus Carvalho e
OD L’Aremse, que muito me
honram com suas amizades:



A querida poetisa
Assim, bela a auscultar
O frenesi de sua lira
- Sob o sol crepuscular -,
Manuseia sua sanfona
Com fascínio sublimar!

Num cenário de acalanto,
Quando a tarde vai morrendo,
Doces mantras se deslumbram
Em presságio absorvendo
A suavidade da noite
E todo belo acrescendo.

Chego calmo e me aproximo
Com largo sorriso aberto
E para minha surpresa
O meu coração liberto
Recebe preciosos mimos...
Se esvai meu olhar deserto!

Tenho o privilégio e a honra
De ser chamado em cognome
“O poeta das estrelas”
Por escriba de renome:
Linda “poetisa de amores”
Por mim chamada em antenome.

Maria de Jesus Carvalho
Recebe com fino trato
A todos que se aconchegam
E tudo ganha aparato
Com a chegada repentina
De quem traz desiderato:

O mestre João Esmeraldo
Que para meu regozijo
Também saúda aquiescente
Minha presença e meu siso.
E assim os amigos queridos
Desfazem, pois meus abismos.



Autoria:  Antenor Rosalino

FINAL DE TARDE EM ONIRÓPOLIS

                             
  Homenagem por mim recebida
dos poetas amigos Od L'Aremse
 e Maria de Jesus Carvalho
                                   

                                               Feliz por contemplar
                                               O pôr do sol carmesim...
                                               Tenho a sanfona nos braços,
                                               No banco do meu jardim.
                                               Boleros, tangos e roks
                                               E uma saudade sem fim!

                                               O dia está morrendo...
                                               Estrelas já vão surgindo...
                                               Brilhantes pingos de luz,
                                               Invadem o céu, cobrindo,
                                               A lua, em quarto minguante,
                                               Acena que vai saindo.

                                               Ó Deus! Vem riscando o cosmo
                                               U’a linda estrela cadente.
                                               Produz rastros luminosos,
                                               Se esvaindo, finalmente...
                                               E o “Poeta das Estrelas”
                                               Aparece, de repente.

                                               Fica surpreso ao me ver.
                                               Com seu jeito fino, elegante
                                               Senta-se para escutar
                                               Canções do tempo distante...
                                               E declama seus poemas
                                               Em lírico deslumbrante.

                                               Eis que chega Mestre Od
                                               De o seu refúgio nublar.
                                               Convida o Mestre Antenor
                                               Pra ali, então, vir morar
                                               Por ser um nobre poeta,
                                               E ter belo versejar.

                                               Enquanto demais poetas
                                               Alegres, vem chegando,
                                               Um grande círculo faz-se
                                               Seus versos vão declamando,
                                               Estrelas no céu sorrindo...
                                               Eu, na sanfona, tocando!

                                               Mestre Od em bom Onirês
                                               Saúda Antenor Rosalino:
                                               “Setê bim-vinto al Somina Urbis!
                                               Seja bem-vindo a Onirópolis!
                                               Zê Laro sê exclumodo letê.
                                               Sê zup mino av orizinte napsicarpo.
                                               Esta casa é exclusivamente tua.
                                               Que seja mina de brilhantes poesias


           (Maria de Jesus e OD L’Auremse M. Peterson (João Bosco Esmeraldo).




terça-feira, 11 de abril de 2017

TACITURNO





As saudades incrustadas
Nos pergaminhos da memória
Deixaram laivos em mim
Sobrepujando as angusturas
Que, pranteado, as percorri.

Hoje, os meus cabelos brancos
Ostentam experiências tácitas
Das auguras vivenciadas
Nas dores que se foram
E das muitas que ficaram.

O clamor do meu profundo âmago
Trazendo tão sentir nostálgico
Faz de mim um ser cenobial
Vagante a sós, taciturno,
Num mundo que hiberna, aspectual!

A dor latente tem perfis nostálgicos.
No pranto silencioso
Dos meus olhos entreabertos
Que já não possuem lágrimas
Pois há tempos são desertos.



Autoria:  Antenor Rosalino

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domingo, 2 de abril de 2017

O MAGNETO DOS CONTOS DE FADAS

                 



  Num momento introspectivo, tive o pensamento voltado para os escritores de literatura infantil, em seu afã de transmitir entretenimento e, sobretudo, fazer o leitor pensar, que é o fundamento básico de todos os escritores nas diversas áreas literárias.
 Veio-me à mente, a verdade clara e tácita de que não são poucos os amantes da literatura infantil e, tais leitores, mesmo em se tratando de adultos, têm verdadeiro fascínio pelo magnetismo dos antigos e famosos contos de fadas.
  O que causa maior curiosidade é o fato de que, verdadeiramente, esses contos contêm muita beleza e significado, e não se limitam apenas a agradar crianças. É um convite também aos jovens e adultos para aventuras num universo de muito encantamento, por trás do qual, desfilam as personagens simbólicas e mitológicas. Certamente, esse é o motivo primordial desse campo literário ter sobrevivido ao tempo e chegado aos nossos dias atuais, trazendo curiosas reminiscências das tradições dos povos primitivos. 
 Se analisarmos esse campo literário do ponto de vista de que nos leva a profundas reflexões sobre a fértil imaginação impregnada dos autores e a tantas pesquisas feitas nesse sentido, não podemos ter dúvidas de que a literatura infantojuvenil é uma arte como qualquer outra, pois é compromissada com os anseios das crianças e, além disso, aborda temas que são úteis em muitos momentos de nossa vida.
  Não são raros os escritores, poetas e poetisas que dão enfoque especial à literatura infantil, muitos dos quais, têm livros publicados mesmo não sendo esta a sua área específica de atuação no campo literário. Em Araçatuba temos alguns exemplos de escritores e poetas que se enveredam também nesta área e suas narrativas são das mais belas, interessantes e também diversivas, trazendo, por conseguinte, efetiva contribuição aos espaços escolares e fora da escolarização formal.
  Por trás das lendas podemos aquilatar o quanto a inventividade, nesse contexto, é profunda e nos faz voejar num mundo de sonhos, aumentando o nosso leque de conhecimentos e fazendo-nos entreter como se estivéssemos manuseando um caleidoscópio na amplidão do universo. É o que podemos observar nas histórias de mitologia grega, e assim se constitui também a literatura infantojuvenil. Sobretudo propicia para as crianças tão cheias de fantasias, o desenvolvimento e o estímulo à curiosidade, cabendo aos pais e educadores, o importante papel de orientá-las sobre essas leituras prazerosas e de tão profundo significado para o desenvolvimento da linguagem, além de ampliar a visão para novas realidades.



Autoria: Antenor Rosalino

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segunda-feira, 27 de março de 2017

O MAGNETO DOS CONTOS DE FADAS

                                                                      

  Num momento introspectivo, tive o pensamento voltado para os escritores de literatura infantil, em seu afã de transmitir entretenimento e, sobretudo, fazer o leitor pensar, que é o fundamento básico de todos os escritores nas diversas áreas literárias.
 Veio-me à mente, a verdade clara e tácita de que não são poucos os amantes da literatura infantil e, tais leitores, mesmo em se tratando de adultos, têm verdadeiro fascínio pelo magnetismo dos antigos e famosos contos de fadas.
  O que causa maior curiosidade é o fato de que, verdadeiramente, esses contos contêm muita beleza e significado, e não se limitam apenas a agradar crianças. É um convite também aos jovens e adultos para aventuras num universo de muito encantamento, por trás do qual, desfilam as personagens simbólicas e mitológicas. Certamente, esse é o motivo primordial desse campo literário ter sobrevivido ao tempo e chegado aos nossos dias atuais, trazendo curiosas reminiscências das tradições dos povos primitivos. 
 Se analisarmos esse campo literário do ponto de vista de que nos leva a profundas reflexões sobre a fértil imaginação impregnada dos autores e a tantas pesquisas feitas nesse sentido, não podemos ter dúvidas de que a literatura infantojuvenil é uma arte como qualquer outra, pois é compromissada com os anseios das crianças e, além disso, aborda temas que são úteis em muitos momentos de nossa vida.
  Não são raros os escritores, poetas e poetisas que dão enfoque especial à literatura infantil, muitos dos quais, têm livros publicados mesmo não sendo esta a sua área específica de atuação no campo literário. Em Araçatuba temos alguns exemplos de escritores e poetas que se enveredam também nesta área e suas narrativas são das mais belas, interessantes e também diversivas, trazendo, por conseguinte, efetiva contribuição aos espaços escolares e fora da escolarização formal.
  Por trás das lendas podemos aquilatar o quanto a inventividade, nesse contexto, é profunda e nos faz voejar num mundo de sonhos, aumentando o nosso leque de conhecimentos e fazendo-nos entreter como se estivéssemos manuseando um caleidoscópio na amplidão do universo. É o que podemos observar nas histórias de mitologia grega, e assim se constitui também a literatura infantojuvenil. Sobretudo propicia para as crianças tão cheias de fantasias, o desenvolvimento e o estímulo à curiosidade, cabendo aos pais e educadores, o importante papel de orientá-las sobre essas leituras prazerosas e de tão profundo significado para o desenvolvimento da linguagem, além de ampliar a visão para novas realidades.



Autoria: Antenor Rosalino

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sábado, 11 de março de 2017

POLÍTICA VIL








                   O céu cinéreo e tristonho
                   Traz resquícios de tristeza
                   Ao meu coração pranteado
                  Por mazelas e incertezas
                  De um futuro de temor
                  Desprovido de leveza.

                  Não vejo perspectivas
                  Apenas o inóspito
                  Na fluência breve do tempo.
                 Tudo é vil, Intrépido...
                  A política é enfadonha
                 Discursos estrépitos...

                 O plebeu agonizante
                 Já não suporta o castigo
                 E as imposições injustas
                 Por desumanos bandidos
                 Hipócritas e corruptos
                 De estadistas travestidos.

                Que as preces humanitárias
                Possam chegar às alturas
                Do infinito azul do céu
                E se desfaçam clausuras
                Pelo poder sempiterno
                Das vinhas sem angusturas.



Autoria:  Antenor Rosalino

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sábado, 25 de fevereiro de 2017

AMIZADES





Não é preciso buscar nos abissos da memória, lembranças das mais queridas no que diz respeito às amizades que tivemos ao longo de nossas vidas, isto porque, as mesmas estão presentes tanto na realidade presente dos amigos atuais, quanto na bruma invisível da saudade no mais profundo do nosso âmago.
  Ainda que distantes, as amizades que eu tive o prazer e o privilégio de ter, eu as sinto como se me trouxessem lenitivos e irradiassem harmonia e esperanças das mais promissoras como bênçãos divinais.
  Recordo-me com indizível nostalgia, da grande maioria dos meus amigos de infância, da adolescência e de outros que acabaram se tornando para mim, amigos verdadeiros e inesquecíveis.
  Quantas saudades dos primórdios da minha infância, quando eu brincava com meus amigos no quintal da minha casa, sob o doce frescor das sombras das árvores ou nas calçadas desenhando e redesenhando rabiscos com tijolos de construção, regidos por uma inocência encantadora, dificilmente vista em nossos dias atuais.
  As lembranças dos amigos são imortais. Meus pensamentos voejam ainda aos primeiros madrigais, às antigas brincadeiras dançantes na adolescência, as quais aconteciam até mesmo em casas residenciais nas belas tardes de domingo ou na prata dos luares, em que nossos olhares de jovens rapazes se encantavam com a beleza das senhoritas e seus delicados gingados que faziam fremir os corações ao som de singelas músicas da Jovem Guarda de tantas e tão belas recordações.
  São inúmeros os exemplos que comprovam o altruístico sentimento de amizade que eu tive o prazer de vivenciar, entre os quais, cito um fato interessante: um amigo meu, já falecido, conseguiu um emprego para mim numa grande empresa, através de um seu padrinho, que, posteriormente, passou a ser o meu chefe imediato. Até aí, apesar da solidariedade, não há nada que mereça maior atenção. Acontece, porém, que eu não havia solicitado nada a esse amigo. Portanto, foi um ato cabal de consideração e amizade, pois na ocasião eu necessitava mesmo de um emprego.
  Numa outra ocasião, quando eu possuía um barzinho, o país viveu uma crise econômica nunca vista. A inflação se avultava e não se encontrava carne nos supermercados. Esse produto era de fundamental importância para mim, que vendia uns tipos de bolinhos de carnes deliciosos e os vendia em abundância. Sabedor da minha necessidade, um amigo meu que também era meu cliente e viajava muito como repórter de uma emissora televisiva, conseguiu vários quilos de carne e me trouxe para que eu pudesse dar continuidade ao meu trabalho e satisfazer os clientes. O fato maior de comprovação de amizade, é que, além da surpresa, por mais que eu insistisse no pagamento ele se recusou a receber qualquer quantia de imediato, deixando a meu critério posterior retribuição de gentileza.
 O que mais marca as amizades é justamente isso: o fato dos amigos desejarem apenas a nossa felicidade, sem visar recompensas. Emprestam-nos o ombro afável nas adversidades e estão sempre presentes com palavras de esperança e otimismo, desejando-nos sempre o melhor.  
  Enfim, analogamente à brisa que nos alisa, os amigos regam as nossas almas, tocando-as, intensamente, num incomensurável enlevo espiritual.
  As amizades, quando presentes, são ninhos aconchegantes e refrigério que acalma a alma; e quando distantes, pelos ocasos da vida, transmutam-se em centelhas de espiritualidade, contínuas irradiações de bênçãos, as quais chamamos saudade.



Autoria:  Antenor Rosalino


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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

NATUREZA ARTÍSTICA



Em demorados silêncios da natureza artística
Um profundo mistério se irradia
Assim como a prece que se eleva crística
De encontro ao céu rompendo a ousadia.

A arte é deixar-se dizer o que a alma pressente
Em versos de encanto ou manuseios calientes
Quando a inspiração em sonhos se faz latente
E em alforria passeia na essência presente.

Gotas de luz iguais pedras cristalinas,
Num átimo inusitado, rabiscam o céu em esperanto
Demasiada beleza em fulgor que me alucina
No esplendor da vida tecendo encanto!

Assim se afigura a arte em seu apogeu de luz
Disseminando fascínio no azul da amplidão
Cósmica e lunática, que em meu coração reluz
Fazendo-me enigmático dissipando a lassidão.





Autoria:   Antenor Rosalino

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sábado, 4 de fevereiro de 2017

O SENTIR POÉTICO

                              


 No silêncio que transfigura a alma de todos aqueles que são poetas natos ou se enveredam no mundo da poesia: os poetas consagrados, nacional e internacionalmente, por suas obras do mais alto lirismo ou um poeta em seus primeiros passos, sem ter ainda angariado notoriedade, a última página que escrevem é apenas o prenúncio de uma nova página em branco onde será delineado o imorredouro sentir de quem tem uma vontade imensa de atravessar universos imaginários e nuvens carregadas de magia.
 Desprendendo-se do cansaço da rotina e danos do mundo concreto, desejam ver a beleza suprema no enigmático encanto de seus poemas cósmicos, lunáticos, e seguem no afã de capturar o que a vida prescreve, na certeza de que todos nós estamos aqui por apenas um breve tempo e nada mais.
  Com sorrisos de marfim, parecem viver no mundo da lua! E isso me faz lembrar uma das citações que mais admiro do imortal Olavo Bilac que diz: “há quem me julgue perdido porque ando a ouvir estrelas; mas só quem ama tem ouvidos para ouvi-las e entendê-las”.
   Não se pode negar que os caminhos que levam ao amor são pavimentados por situações que, por vezes, parecem estranhas ao ponto de vista normal, por ser tão carregadas de emoção e isso é característica dos poetas que veem o mundo por outra ótica.
    A fase da vida em que somos mais imaginativos é na infância. É por essa razão que as crianças são tão inventivas. E isso deve ser aproveitado ao máximo como primeiros passos para a realização futura de grandes obras. Por essa razão, é extremamente louvável a iniciativa da Academia Araçatubense de Letras em promover os concursos estudantis que anualmente vem promovendo com o apoio das Secretarias de Ensino municipal e estadual.
    Como ilustração e para maior elucidação sobre o sentido da poesia, relembro aqui uma passagem atribuída a Jesus de Nazaré: consta que o Mestre dos Mestres caminhava com seus discípulos quando, num determinado trecho do caminho depararam com um cão morto, já em estado de putrefação. Os discípulos, imediatamente, trataram de mudar a rota, mesmo porque, o mau odor era grande. Jesus, pelo contrário, aproximou-se do animal e, fitando os seus alvos dentes virou-se para os discípulos e asseverou: “Vejam! Os dentes dele brilham mais do que os lírios do campo”. 
  Como podem observar, Jesus não só via poesia nas coisas, mas a sentia até mesmo num cão já em estado de putrefação.
  Poesia é isso: um desfraldar de emoções! É a observância do mundo dentro ou a redor de nós próprios. Já escrevi, inclusive, sobre um sapo. Há muito tempo, quando voltava de uma caminhada, vi um pequeno sapo à beira de uma poça d’água. Fui para casa pensando na possibilidade do pobre sapo ficando ali exposto, estar sujeito a ser maltratado e elaborei o poema que faz parte do meu primeiro livro.
    Escrever poesias é uma habilidade que melhora com a prática, assim como qualquer escrita. Podemos debruçar nosso sentimento e refletirmos sobre o amor ou sobre um grão de areia na acalentura do sol. Enfim, qualquer capacidade, até mesmo em se tratando de poesia, quanto mais se pratica mais se adestra.

Autoria: Antenor Rosalino
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