sábado, 1 de agosto de 2026

O CREPÚSCULO DA VIDA


                                                          


 

A voz quase sempre ausente e rouca

Murmura palavras em monossílabas

Lentas, tristonhas,

Buscando em desalento

O carinho dos entes queridos

À sua ansiedade louca.

 

Ânsia de melhor ouvir,

Sentir e sonhar

Novamente os encantos

Das quimeras e lembranças

Tão nítidas em seu olhar.

 

Suas mãos cansadas e trêmulas,

Pousam sobre o encosto

Da velha cadeira vermelha,

O mesmo vermelho a confundir-se

Vez por outra,

Com a luz do seu olhar

A marejar!

 

As emoções do presente

Não trazem como outrora

A alegria, o esplendor do porvir

E suas vertentes;

Apenas lembranças, ternas lembranças

De um risonho amanhecer...

De tão longínqua aurora.

 

Seu caminhar é lento, indeciso.

O seu sorriso é brando

Entre as rugas a se untar,

Mas a serenidade é vívida

Tal qual, a suavidade do seu olhar.

 

Depusera dos sonhos e da ilusão

Para viver, enfim,

A indizível quietude

Da vida em refração.

 

 

                                                                               Antenor Rosalino


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