terça-feira, 10 de dezembro de 2019

EFLÚVIOS DE DEZEMBRO




   

     Um renascer de áurea jovialidade
     Faz-se pleno na gratidão das dádivas
     Que dispersa as lágrimas caídas
     No afã do amor decantado e esculpido.

     A pesarosa vulgaridade do mundo
    Debalde se perde no espaço sideral
    Somente o amor liberto voa
    Como albatrozes singrando o mar.

    É o encanto mágico que flutua
    Disseminando a essência pura
    Distante das noites de angústia
    Em horizontes de manhãs lúdicas

    Ente chuvas cristalizadas e límpidas
    Seguimos o curso estelar supremo
    Somos almas que buscam luzes
    No angelical azul de dezembro.

                    
                      Antenor Rosalino

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

SAUDADES DO HORIZONTE




 

    Deixo a grande metrópole
    Poluída e neurastênica.
    Quero ver o ar mais puro
    Aliciando as dunas e marés.

    As poeiras da cidade
    Ofuscam o meu olhar.
    Não vejo pássaros voejantes
    Nem o céu iluminar.

    Na cidade as belas flores
    De tão tristes perdem sândalos.
    Nos campos é diferente
    Vejo alegria em cada flor.

    À beira de belos lagos
    Quero em sonhos ficar
    Observando o reluzir dos campos
    Onde a brisa vem pousar.

    Quero rever vastas colinas
    Distantes de apressados transeuntes
    E findar este meu pranto
    De saudades do horizonte.


    
                       Antenor Rosalino



quinta-feira, 14 de novembro de 2019

APRENDIZ




     


         Aprendi nas vicissitudes
         E contrapontos da vida
         A sublimidade do amor verdade
         E o quanto dói a saudade.

         Aprendi que a felicidade
         Não é feita de honrarias e festas,
         Mas sim das pequenas coisas
         Que o existir nos oferta.

         Da roseira nasce o espinho
         Com perfis de ultraje e torpor
         Mas com ele vem o refrigério
         Do aroma da linda flor!

         Uma lágrima de alegria
         Brota dos olhos meus
         Na visão que tenho agora
         Ao  aproximar-me de Deus.

         O despertar da finitude
         Mostrou-me elos aspectuais
         Entre o ser e o Universo
         Em nossas vidas iguais.


                    Antenor Rosalino



sexta-feira, 25 de outubro de 2019

ESTRELA-GUIA




                   


Uma estrela me ilumina
Assim tão formosa e bela
Em rico aspecto e esplendor.
Espera o dia chegar ao fim
Para vir durante a noite
Cobrir a Terra em fulgor.

Profunda e casta luz!
A mais sedutora e nobre
Entre as magnas estrelas.
Sonho tocar tão rara escultura
Do constelado altar supremo
No infinito universal.

O seu dourado brilho magnetiza...
Suas centelhas adoçam a alma
Como a brisa divagante,
E avulta inspirações líricas
Na paz das sinfonias
E dos poemas de cada dia.

Traz refrigério ao mundo
E como é bom fitá-la
No seu constelado altar,
Onde o esplendor lunar
Afugenta a dor, os deslizes
E súplices hiatos tristes.


                                                    Antenor Rosalino





                                       

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

AFUGENTANDO A SOLIDÃO



Na quietude da tarde ensolarada
Suspira o amor insone
Mergulhado em penumbras tristes
Em meio à primavera que floresce.

De repente, no entanto,
Uma momentânea suspensão
Do fluir do tempo
Permite um distanciamento das aflições
Como uma recusa às perturbações
Que a existência nos oferta.
                  
Vem-me à mente nesse instante
Como um milagre de Deus,
A consciência das saudades boas
Alargando horizontes para valorizar a vida.

Vejo agora ao meu redor
O chegar festivo de um colibri
Avivando as cores primaveris...
Prenuncia-se assim o arrebol escarlate
Afugentando os vazios de sombra
Do meu olhar carmesim.


               Antenor Rosalino

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

LACUNAS DE SOLIDÃO


     

      Um pingo da minha lágrima,
      Com laivos de poesia,
      Escorre silenciosa
      Permeando a ventania.

      Celebrando datas mortais
      Amargo horas tempestuosas
      Em venturas que se ofuscam
      Nos ventos contraditórios.

      Procuro imagens sacrossantas
      Que possam tocar minha alma
      Entre silêncios  e sons
      Nas lacunas da solidão.

      À espera de novo sentir
      Vejo espelhos d’água
      Que em marés desfilam átimos
      Do meu mundo de ilusão.

                    Antenor Rosalino
         


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

À ESPERA DA BRISA


            
                   

     Tu és a brisa que passa distraída
      - num eflúvio de ternura -
     Disseminando embriagador sândalo
     de jasmim.

     Permeando cântaros multicores
     E jardins de mistérios e encantos,
     Traz primícias que fascinam
     De um amor que não tem fim.

     Eu sou um pobre arvoredo
     Que pressente a tua vinda
     E ao sentir tua presença
     Se agita em pêndulo
     Revestido de alegria
     Pois não sabe viver sem ti.

     Vivo assim a minha sina,
     Em ritmo de longa espera
     Distraindo as intempéries
     No íntimo mais perolado
     Do meu amor sempiterno.
    
                Antenor Rosalino