quinta-feira, 16 de outubro de 2014

MAGNETISMO DO AMOR



                                               
                                                  
   
 
Poema formulado no
estilo Albus Quercus, que
compreende seis estrofes em
iguais sílabas poéticas, com
 rimas nos segundos, quartos
 e sextos versos de cada estrofe.


                                   Encontros e desencontros...
                                   A vida segue o fluir
                                   E o amor perpetua assim
           Magnetos de amor e luz
                                   No presente e no porvir.

                                   Nas noites de plenilúnio:
                                   Lembranças a refluir
                                   Sonhos felizes, quimeras...
                                   Esperanças no devir!
                                   O magnetismo fluente
                                    São sonhos a repetir.

                                   Esta essência de ternura...
                                   Refrigério a nos seguir,
                                   É um jorrar de emoções
                                   Sempre no olhar a insurgir.
                                   Trazendo a bruma invisível
                                   De amores de este existir.

                                   O Magnetismo fluente
                                   É latente a refletir
                                   Saudosas nuvens e aromas
                                   Que não se pode ruir.
                                   E volitando no mundo
                                   Segue a alma em vai e vir...

                                   Ventos exalam aromas
                                   Entre cantos e zunir
                                   Numa atmosfera de encanto
                                   Como a inocência e o sorrir,
                                   Perpetuando as divinais
                                   Fontes de amor a florir!

                                   A alma festeja livre
                                   Mazelas a sucumbir!
                                   Quando o cupido aconchega
                                   Não há como resistir...
                                   As tentações são fetiche
                                   Pondo a máscara a cair.




   Autoria:  Antenor Rosalino

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sábado, 11 de outubro de 2014

HUMILDADE



                                                                           


  Sendo uma das virtudes mais admiráveis do ser humano, a humildade é, sem dúvida, aquela que mais nos aproxima dos deuses.
  Contrariamente ao que muitos pensam, a pessoa humilde não é aquela impregnada de pobreza material e espiritual, sem personalidade, por vezes até fazendo passar-se por vítima das injustiças e da indiferença dos demais, mas é, isto sim, autêntica, resoluta, cônscia de sua missão terrena e do seu primordial papel de servir ao próximo.
    A humildade não se baseia numa simples ajuda a alguém a quem temos simpatia, mas sim, em nossas atitudes sensatas diante de quaisquer adversidades, do uso do perdão e, sobretudo, da generosidade em cooperar com quem quer que seja, independente de nosso grau de parentesco ou amizade.
    É de vital importância também atentarmos para o fato de que são muitos os casos de pessoas que se sentem muito mais gratificadas e felizes com uma sincera demonstração de amizade e consideração do que com uma ajuda qualquer. Desejam consideração sincera e não de esmolas.
    Todavia, muitas são as oportunidades que temos para ajudar pessoas necessitadas, e tais oportunidades nos apresentam sob diversas modalidades: podemos ajudar financeiramente, naquilo que nos for possível, uma ou mais instituições de caridade, fazer visitas periódicas a essas mesmas instituições, conversarmos com as pessoas, estender-lhes a mão, cooperar com o pároco do bairro nas inúmeras atividades que visam a melhoria de vida dos mais carentes da comunidade, ajudar e orientar pessoas idosas ao atravessar as ruas, sorrir para as crianças, enfim, há várias oportunidades para demonstrarmos o nosso amor ao próximo, e, agindo nessa conformidade, haveremos de conhecer o verdadeiro sentido da vida, pois a corrente de pensamentos positivos que angariamos de tais pessoas e a satisfação pela caridade que praticamos nestes pequenos gestos nos levará, indubitavelmente, a um estado de real e sublime felicidade.
   Quanto a prestar favores, até certo ponto isso nos parece fácil, porém, o difícil, e aí é que reside a essência da solidariedade, é dar a entender ao beneficiado que determinado préstimo nada exigiu de nós; que aquilo não foi nada. Isso sim, é a sublime prática da humildade.
   Comumente muitas pessoas de classe média tendem a menosprezar os mais pobres, a não considerá-los, com o receio de se ver parecido com estes, pois sentem necessidade de mostrar o mesmo elã dos ricos, mas como não podem, sofrem por isso, fazendo de tudo para parecer o que na verdade não é. Não há maior falta de humildade do que isso.
    Sigamos, portanto, cada qual com sua autêntica personalidade, cultivando o código moral que deve nortear todos os nossos passos, com elegância e galhardia em todas as fases da vida e distantes de vaidades banais, mesmo porque, o verdadeiro mérito tem apenas a alegria de compartilhar os seus feitos, de dividir os seus louros com os amigos, mas não gosta de se mostrar. Há diferença nisso.



Autoria:  Antenor Rosalino

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sábado, 4 de outubro de 2014

MEU PAI


                                    
                                            


 Pai, trago em minhas mãos marcadas e lívidas
 As lembranças rebuscadas do teu passado
Que o tempo em suas nuanças ininterruptas
De alegrias e tristezas não as consegue dissipar.

Ah! Meu pai: seleiro e sapateiro...
Tão trabalhador e honesto. Enérgico e, ao mesmo tempo,
Sereno e sensato em tuas firmes decisões.
Que  saudades de ti, meu pai!

Fostes dormir naquela noite fatídica de verão
E, pela manhã, o estarrecimento: tu estavas morto, meu pai!
Quisera, então, embalar-te em meus braços, mas eu, então, tão criança,
Não tinha forças e estas se desvaneciam ainda mais
Com o pranto de minha mãe, a abnegada esposa de toda a tua vida
Deixando cair incontidas e reluzentes lágrimas no meu leito.

O comerciante, fabricante de capotas para veículos, arreios
E calçados para deficientes físicos se fora, num tempo em que
Tais serviços tinham valor incomensurável!

Teu coração o traiu, meu pai!
E o que ontem eram dores tuas, hoje eu as faço dores minhas.
E me sinto distanciando-me sempre mais da vida
Para encontrar-te no teu refúgio de paz infinda
E esquecer as minhas ilusões níveas..., perdidas.



Autoria:  Antenor Rosalino

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

FUTEBOL



                                                                
                                           


  No transcorrer dos jogos do Mundial de Futebol da FIFA realizado no Brasil, estive observando mais atentamente o quanto esse esporte impressiona e fascina em suas nuanças.
  A alegria e a frustração caminham mais do que nunca tão próximas que é possível até mesmo o torcedor mais apaixonado chorar de alegria.  E esses sentimentos ora se manifestam na expressividade do torcedor, ora na do seu oponente. Os corações balançam tanto quanto o balançar da rede no momento sublime do gol. E nesse momento as energias explodem e, como diz um narrador esportivo: haja coração!
  Na magia do futebol todas as crenças são válidas. Os torcedores mais fanáticos se apegam em santos e, muitas vezes, até seguram algo que lhe seja de grande valia espiritual. Quando saem do campo vencedores, os agradecimentos são os mais entusiásticos possíveis, e, se derrotados, nunca culpam o seus protetores espirituais, a culpabilidade é sempre depositada  numa jogada infeliz de um ou outro craque. Tudo, porém se acalma em poucas horas e a esperança volta a povoar o coração apaixonado da torcida sempre fiel ao time do seu coração.
   Entre tantos outros esportes, o futebol é singular. Quando o mesmo é levado para os malefícios da rixa, torna-se até mesmo caso de polícia, e isso sempre deturpa a finalidade maior do esporte que é o júbilo da união dos povos no mesmo fim.
   Nos dias festivos, as faixas e adornos coloridos reluzem nos olhares vívidos dos torcedores alviverdes, alvinegros, tricolores... Muitos são aqueles que ostentam o sagrado símbolo do clube do seu coração e até o Sol parece aquecer com mais intensidade e esplendor a cidade engalanada nas primícias do encantamento de mais um dia de futebol.
  O gigantesco estádio acolhe a explosão inevitável da multidão circundante do verde e demarcado gramado que reluz no desfraldar das bandeiras ainda mais entusiasticamente quando é chegada a hora do pontapé inicial do clássico promissor.
   Os jogadores encantam a plateia com seus dribles, muitas vezes, desconcertantes, passes precisos e cabeceios e defesas monumentais.
   O espetáculo chega ao apogeu no momento do gol. É inenarrável a vibração da torcida e do time que sai à frente no marcador. E como em toda alegria ou sucesso de alguém há o fracasso e a frustração de outro, a torcida contrária, embora entristecida, reacende a chama das vaias, inclusive contra a arbitragem que se mantém, como sempre, com sua característica e precisa indiferença.
   Mesmo com a luminosidade ostentando o placar adverso do resultado parcial a esperança na reversão do marcador é flagrante. E, ao final da jornada, mesmo entre o contraste de emoções das torcidas adversárias, fica no âmago de todos, o prazer de terem vivenciado o inenarrável encantamento mágico do futebol que se eterniza em tantos corações.



Autoria:  Antenor Rosalino

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A BORBOLETA




                                       



Detendo os meus passos,
Absorvo o teu voejar...
Derramo os meus sentimentos
E, em teu encanto, me ponho a sonhar!

Paraliso-me ao encontrar-te
No fascínio dos jardins,
Tocando as pétalas veludíneas
Que faíscam sobre mim!

                                   Quisera segurar-te num raio de sol
                                    Ou nas pedrinhas de praia,
                                    Mas tua alma peregrina,
                                    Voeja, na mais bela sinfonia!
                                        
                                    Bordarei os teus caminhos
                                    Fazendo silhuetas de ti
                                    E dar-te-ei o meu tempo
                                    Entre cântaros de jasmins!

Segue o teu voo acrobático e terno,
Ruflando as asas violáceas,
Deslumbrante sob o teu céu liberto,
Misteriosa borboleta bela!

Mas venha pousar sempre terna,
Sob a égide do meu domínio
Ao som dos campanários
No crepúsculo vespertino.



Autoria: Antenor Rosalino

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domingo, 21 de setembro de 2014

O ACIDENTE DA VIA DUTRA




                                                       
 

  Há algum tempo, um acidente registrado na via Dutra, chamou a atenção para a seguinte reflexão:
  Um caminhão transportava naquela via uma carga de feijão. Em dado momento, o motorista perdeu o controle do veículo que veio a despencar do viaduto, tendo o motorista perdido a vida no local.
   O acidente em si, embora não seja tão comum, e, obviamente, seja profundamente lamentável o fato do motorista ter perdido a vida, outro fato decorrente é igualmente triste e estarrecedor: ao cair, a carga do caminhão espatifou-se pelo asfalto e, mais que depressa, um aglomerado de pessoas se juntou, nem tanto por lamentar ou admirar a gravidade do acidente, mas sim, para recolher, cada qual, a maior quantidade possível da carga derramada.
   Ao ponto de vista normal, o alvoroço da multidão furtando a carga é condenável, afinal, os princípios morais ditam a regra: condenam com veemência o larápio. Isso é tácito e não há contestação. Entretanto, analisando o fato sob todos os ângulos, chegaremos às seguintes conclusões: entre as pessoas é quase certo que havia baderneiros e marginais. Estes, quase sempre, são vistos apenas como dignos das mais severas punições. E precisam mesmo, dependendo do que fazem, ser punidos com rigor, mas, dificilmente nos damos conta de que, por trás do bandido, muitas foram as circunstâncias desfavoráveis que o levaram a ser o que é. Ninguém nasce bandido ou deseja ser um excluído da sociedade.
    É bem verdade também que poderia haver no alvoroço, muitas pessoas famintas, que vislumbraram ali, uma oportunidade rara de melhor saciar a fome que, não raras vezes, as dominam.
    O fato caracteriza-se como uma cena típica de um país subdesenvolvido, que urge medidas mais efetivas no segmento social, primordialmente, investimentos na educação e em geração de empregos, para que tal cena não volte a ocorrer, a qual macula a imagem do país e denota incapacidade política.
    Convenhamos, sobretudo, que, os piores ladrões não são esses miseráveis que roubam por necessidade ou por nada ter, mas sim, aqueles que, já sendo possuidores de bens materiais, arriscam até mesmo a própria vida e maculam o nome da família no afã de que o seu patrimônio cresça sempre mais.



Autoria:  Antenor Rosalino

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sábado, 6 de setembro de 2014

TEU NOME QUERIDO



                           
                                      


A idade libertando-me a cada dia
Faz com que eu sinta os meandros
De cada detalhe da vida
A permear o meu caminho.

Minha alma peregrina
No manto da poesia...
Nas cirandas que alucinam
Desaguando-se em magias!

Observo o fluir das cachoeiras em escarcéus
O frescor do amanhecer, o canto dos passarinhos...
E no enlevo crepuscular mágico dos céus
Os meus sonhos se fazem em desalinhos!

E assim, a suavidade de um sândalo
Trouxe-me um eco lírico
Neste dia cinéreo na hora do ângelus
Fazendo-me ouvir o teu nome querido.



Autoria:  Antenor Rosalino

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