Grupo Amigos da Seresta
de Araçatuba
Nas serestas que arrebatam
Nas canções que fazem eco
Antenor Rosalino
No mais profundo do meu ser,
- Onde a poesia faz ninho -,
Uma fina ciência de mim mesmo
Descortinou-me a sapiência
De que a felicidade em sua
essência
Não é feita de honrarias
Nem de vãs ideologias,
Mas sim, das pequenas coisas
Presentes em cada dia.
Parece que vejo agora
No entardecer do meu viver,
Pelas experiências vividas,
E com esperança esculpida,
A poesia emanar-se
Como um milagre de Deus
E o suave encanto da aurora
No fluir dos dias meus.
Antenor Rosalino
No tic-tac do pêndulo
Do relógio que não para,
Meu aflito coração
segreda
Pensares que se afloram.
Os pensamentos fluem
Entre alegrias e dores
Na incógnita do meu
mundo
Feito de espinhos e
flores.
Ah! Relógio que não para,
Aflora dúvidas em meu
peito
Ou traz angústias
suspensas
Ao meu coração incerto.
Os ponteiros frios e
ágeis
Indiferentes ao meu
pranto,
Seguem altivos sem
acenos
Ao langor do meu
lamento.
Nesse tempo ininterrupto
Que me leva ao além
Nascem flores de dúvidas
No tic-tac que vem.
Antenor
Rosalino
Desejei, por um momento,
Ser um
poeta lírico
E
descrever com galhardia
Toda a
beleza que emana
Das
nascentes do seu íntimo.
É tão
imenso o seu brilho,
Indizível como as flores
Banhadas pela aurora
Num dia
feito de sonhos.
De
repente..., percebi
Que
jamais eu poderia
Descrever a senhorita,
Pois
certamente os meus versos
Desvirtuaria a poesia
Presente na doce lira
Que o
seu sorriso irradia.
Antenor Rosalino
No manto azul dos meus sonhos,
A poesia se espelha
No fascínio das auroras
E em plácidos lagos azuis.
Nesse meu mundo encantado,
Há bosques misteriosos
E cordilheiras formosas
Permeando os jardins
Entre saudosos suspiros,
O meu estro de tão lírico,
Torna-se eterno poema,
Em que as mais belas crisálidas
Vencendo abissais e mares,
Coloram a paz que há em mim.
Antenor Rosalino
Pulsa, coração!
Mesmo sem o vigor
colorido
De outrora, pulsa.
Não paralise agora o
alicerce
Do meu construto mental.
Sei que deverás deixar-me
E a libertação da minha
alma,
Sorrateiramente, se
aproxima.
Peço-te, porém, um pouco
mais
Do teu abnegado labor,
Para que o meu projeto
final
De vida seja concluído.
Posso jurar-te, coração:
Não temo a morte.
Faço apenas um apelo,
Que encerra o meu
propósito
De reparar, ao menos,
Diminuta parte dos meus
erros,
E disseminar todo o meu
amor
Aos meus semelhantes,
Antes que seja tarde
demais.
Que o último círculo
Do meu sangue coincida
com
O desabrochar de mentes
Mais humanas e fraternas,
Num mundo onde as perdas
e a dor
Deem lugar a sorrisos
inocentes
E atos imortais.
Antenor Rosalino