sábado, 4 de fevereiro de 2017

O SENTIR POÉTICO

                              


 No silêncio que transfigura a alma de todos aqueles que são poetas natos ou se enveredam no mundo da poesia: os poetas consagrados, nacional e internacionalmente, por suas obras do mais alto lirismo ou um poeta em seus primeiros passos, sem ter ainda angariado notoriedade, a última página que escrevem é apenas o prenúncio de uma nova página em branco onde será delineado o imorredouro sentir de quem tem uma vontade imensa de atravessar universos imaginários e nuvens carregadas de magia.
 Desprendendo-se do cansaço da rotina e danos do mundo concreto, desejam ver a beleza suprema no enigmático encanto de seus poemas cósmicos, lunáticos, e seguem no afã de capturar o que a vida prescreve, na certeza de que todos nós estamos aqui por apenas um breve tempo e nada mais.
  Com sorrisos de marfim, parecem viver no mundo da lua! E isso me faz lembrar uma das citações que mais admiro do imortal Olavo Bilac que diz: “há quem me julgue perdido porque ando a ouvir estrelas; mas só quem ama tem ouvidos para ouvi-las e entendê-las”.
   Não se pode negar que os caminhos que levam ao amor são pavimentados por situações que, por vezes, parecem estranhas ao ponto de vista normal, por ser tão carregadas de emoção e isso é característica dos poetas que veem o mundo por outra ótica.
    A fase da vida em que somos mais imaginativos é na infância. É por essa razão que as crianças são tão inventivas. E isso deve ser aproveitado ao máximo como primeiros passos para a realização futura de grandes obras. Por essa razão, é extremamente louvável a iniciativa da Academia Araçatubense de Letras em promover os concursos estudantis que anualmente vem promovendo com o apoio das Secretarias de Ensino municipal e estadual.
    Como ilustração e para maior elucidação sobre o sentido da poesia, relembro aqui uma passagem atribuída a Jesus de Nazaré: consta que o Mestre dos Mestres caminhava com seus discípulos quando, num determinado trecho do caminho depararam com um cão morto, já em estado de putrefação. Os discípulos, imediatamente, trataram de mudar a rota, mesmo porque, o mau odor era grande. Jesus, pelo contrário, aproximou-se do animal e, fitando os seus alvos dentes virou-se para os discípulos e asseverou: “Vejam! Os dentes dele brilham mais do que os lírios do campo”. 
  Como podem observar, Jesus não só via poesia nas coisas, mas a sentia até mesmo num cão já em estado de putrefação.
  Poesia é isso: um desfraldar de emoções! É a observância do mundo dentro ou a redor de nós próprios. Já escrevi, inclusive, sobre um sapo. Há muito tempo, quando voltava de uma caminhada, vi um pequeno sapo à beira de uma poça d’água. Fui para casa pensando na possibilidade do pobre sapo ficando ali exposto, estar sujeito a ser maltratado e elaborei o poema que faz parte do meu primeiro livro.
    Escrever poesias é uma habilidade que melhora com a prática, assim como qualquer escrita. Podemos debruçar nosso sentimento e refletirmos sobre o amor ou sobre um grão de areia na acalentura do sol. Enfim, qualquer capacidade, até mesmo em se tratando de poesia, quanto mais se pratica mais se adestra.

Autoria: Antenor Rosalino
Imagem da internet



2 comentários:

  1. Que texto elucidativo! Escrever poesias vai do coração ao treino de escrever sobre tudo e todos, por emoção, ver o brilho na morte, ver a essência da vida e transpor para o papel.

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    1. Você disse tudo em relação ao magneto da poesia, Lucia. É um brotar, sem dúvida, da mais pura e cristalina emoção. Obrigado pelo gentil comentário e um terno abraço.

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